Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

EXEMPLO OPORTUNO



SÉRIE XAMÃ

dos Folhetos Cadinho RoCo

EXEMPLO OPORTUNO

     O engenheiro Demerval Senra foi homem bom, coração puro, solidário e por demais atento à educação da sua prole. Pra que concedesse benção a seus filhos, antes eles tinham que dizer: “Hoje só pratiquei o bem/ Não tive dia vazio/ Trabalhei, não fui vadio/ E não fiz mal a ninguém”.

     Ao contar isso pra Xamã, cão abaixou cabeça como quem absorve ensinamento tão pertinente. É que Xamã leva a sério processo de sua educação, sempre buscando jeito mais sensato de proceder.

     Xamã não gosta de dia vazio, não se mostra vadio e se dedica com esmero ao que promove o bem. Não quer fazer mal a ninguém colocando-se como fiel guardião desse mundo que é o dele hoje.

Belo Horizonte, 30 janeiro 2014

AQUI DO ACOLÁ

     Acendo meu cigarro  de palha pensando naqueles famosos charutos cubanos. Cada qual com seu gosto e suas virtudes. Tão nobre quanto os cigarros de palha, são os charutos marcados pela graça encanto caribenho.

     Da praia, água que vai embora mundo afora. Penso na fala daquele homem iniciado que diz haver no ar eterna comunicação entre os seres vivos. O fato de inspirarmos e expirarmos, abre possibilidade de estarmos recebendo o ar respirado por outros, numa sucessão eterna. Sendo assim, a todo instante estamos recebendo e exalando nossa vida alimentada por outras. Conclusão obtida por certo pernambucano afoito que depois de experimentar delicioso camarão, resolveu discursar enfatizando o petisco  como das tantas virtudes obtidas da costa marítima do seu Pernambuco. Alguém, com a devida discrição, cochichou aos ouvidos do orador dizendo ter sido aquele camarão pescado em Santa Catarina. O tal pernambucano, sem perder a fleuma, observou que aquele camarão poderia até ter sido pescado na orla catarinense, mas em verdade ele havia sim nascido em território pernambucano. O que torna tudo entregue à singularidade de oportunos conceitos.

     Assim, acendo novamente o cigarro de palha, sentindo-me em Havana.

Belo Horizonte, 13 maio 2003

3 comentários:

Carla Ceres disse...

Gostei do versinho. Vou adotar pra recitar antes de dormir. Sempre que possível. :) Abraço!

Lulu on the Sky disse...

Muito bacana o versinho Cadinho, tava sumido do blog hein ?
Big Beijos

Laura Santos disse...

Xamã parece pressentir que o ócio não seria boa companhia para ninguém.
E que seja fumado esse cigarro de palha, como se de um puro de Havana se tratasse...:-)
xx