Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

FAREJADOR NATO


SÉRIE XAMÃ

dos Folhetos Cadinho RoCo

FAREJADOR NATO
     Quando então me pego em projeções não consigo desvincular imagem do Xamã com o mar e nem sei como é que isso funciona em mim. Mas Xamã parece saber e diz que sinto muita saudade dos passeios na praia e da brisa do mar que ele sequer conhece. E conhecer, para um cão da estirpe do Xamã, significa farejar, dar identidade ao cheiro, porque Xamã é cão com faro muito aguçado. Não dá pra desvincular lugar de cheiro e isso está em tudo.
      O mundo, diz Xamã, é feito de cheiros.

Belo Horizonte, 05 fevereiro 2014

SAUDADE REPENTINA
     São cinco horas da manhã e o barulho é de um trem que parte. Despertado pelo escuro do quarto, vou embora com o trem que passa por Moeda rumo ao Estado do Rio. Trilho no aço estreito que cava trilha entre barrancos sombrios trazendo lembrança de lenha no fogão de Dona Quinha, que faz janta e almoço, faça sol ou faça chuva, em seu modesto restaurante próximo à estação ferroviária. Suas unhas enegrecidas pela fuligem de incansável trabalho, dão vida ao cumprimento de chagada e ao aceno de incessantes despedidas.
     São maquinistas, viajantes famintos a comandarem dezenas de vagões.
     Em Coroa Grande, na costa sul fluminense, passa o trem vindo de Minas Gerais. No escuro do quarto respiro a maresia de uma saudade repentina.

Belo Horizonte, 09 junho 2003

6 comentários:

Bell disse...

E a vida não para é uma grande correria =)

Carla Ceres disse...

Oi, Cadinho! Mês que vem, quando o Xamã puder ir à rua, vai ter um mundo enorme pra farejar. Prepare a máquina fotográfica. Abraço!

Laura Santos disse...

É mesmo. O mundo é feito de cheiros. Eu perdi o sentido do olfacto devido a um traumatismo craniano, e realmente os cheiros são para mim apenas uma lembrança.
A saudade traz tudo de volta, porque as vivências e os aromas ficam em nós como uma "marca de água".
xx

Ana Bailune disse...

Boa tarde, Cadinho.
A saudade é assim: tem muitos momentos, cores e faces.

Daniel Costa disse...

Olá Cadinho, lá está é a azáfama das cozinheiras, para tudo esteja pronto, a tempo de todos seguirem viagem saciados.
Abraço.

Vall Nunnes disse...

Olá Cadinho!
Gostei de saber que o mundo é sentido/vivido pelo cheiro. A cultura Xamã é linda e ensina muito.
Abraços e obrigada pelas visitas!