Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

CIGANA CARTOMANTE

O texto Ovelha Branca refere-se a série criada em que iam surgindo ovelhas de várias cores. Ou então uma ovelha com poder de mudar de cores, até hoje não estou certo disso. Uma nunca apareceu quando a outra estava presente, se é que a outra era outra.
CIGANA CARTOMANTE
A cigana é também cartomante cheia de mistérios. Diz estar nas cartas que carrega em pequena bolsa só servida para este fim, a revelação do mais sombrio futuro. Está sempre com a outra que em um momento diz ser sua irmã, em outro cunhada, em outro afilhada, sobrinha, prima, numa sucessão de parentescos sem fim. Sabe-se lá quem é a outra?
Mas o que interessa é que a outra carrega chapéu a exigir moedas dinheiro para que a cigana consiga abrir o grande portão do futuro. Ri muito e com seus olhos verdes felinos tem forte poder de atração. Há quem diga ser ela quem melhor sabe prever o futuro. Pois para mim, o que ela sabe mesmo é prevenir-se do futuro, o que cá entre nós confere significado outro.
A cigana chegou, a outra com chapéu já abarrotado de moedas. Vida de um está travada, da outra atingida por muita inveja. Tira mais uma, duas cartas, eis que aparecerá um homem assim, uma mulher que irá revolucionar a vida do outro, de doença cigana não diz nada. É coisa das cartas.
Diante daquela senhora assim meio triste pára, esbugalha olhos e diz: - Em três meses, se muito, vai ganhar muito dinheiro vindo de aposta loteria.
A outra ri, estende o chapéu e a fila dos que buscam da cigana mais previsões, só faz engordar.
Belo Horizonte, 06 fevereiro 2008

OVELHA BRANCA
Momento de cada momento. Passo de cada passo. Palavra de cada palavra.
Silencio.
Na voz, canto. Na música, doce. No doce, presença. A ovelha vermelha aparece branca e distante. Próxima e afastada. Momento de observação. Passo da tarde que desperta a trilha da noite. Palavra nenhuma no céu esquecido de tantas estrelas.
A ovelha branca entoa um salmo. Espécie de entidade que abençoa a alma. Momento de intensa ternura. Passo esquecido das nuvens. Palavra secreta que mais parece reza.
A ovelha vermelha é branca agora. A lua é cheia e a noite vazia. Aparição de contrastes a trocarem o momento do passo tropeçado em palavras.
Silencio.
Na voz, mulher. Na mulher, doce. No doce, nuvem. Corpo na lã branca da ovelha que parece contar um sonho.
Belo Horizonte, 28 julho 2002

10 comentários:

Ricardo Rayol disse...

as ciganas são sábias meu amigo.

Anônimo disse...

Prevenir-se de futuros incertos seria ótimo!
Beijos
http://sex-appeal.zip.net

Tathiana disse...

Menino, hoje vc está cheio dos mistérios em seus textos.
Desvendar o futuro... Todo mundo deseja ouvir coisas boas, se o futuro traz tristeza, melhor ignorar... rs.
Beijos.

Anônimo disse...

"Vamos amar os corações que nos cercam
e tentar alcançar novamente
aqueles qe se distanciaram.
Há sempre tempo para se amar
e se não houvesse,
o próprio amor seria capaz de inventar"
Letícia Thompson

Que o seu dia
seja repleto de AMOR!

Beijo no seu ♥

Anônimo disse...

Hummmmm gostei do mistério de paira por aqui!

Beijinhossssssssssssss

Anônimo disse...

ao toque de oboé.

Anônimo disse...

Lembrei-me logo do texto A Cartomando, do Machado, lembrei-me ainda da atmosfera do conto: Odor di femina!

Parabéns pelo blog!

Alberto Pereira Jr. disse...

obrigado pela visita
^^

não conheço ciganas...

Anônimo disse...

a cigana leu o meu destino....

beijo

"Oncotô? (Erika)"

Anônimo disse...

Adorei a forma que descreveu o trabalho de previsão das ciganas...pior que é assim mesmo, elas sim, se preocupam com o futuro enquanto que os curiosos ficam preocupados com o presente...kkkk abraço Cadinho