Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

VASO


VASO
Vaso vazio
Esperando momento
De algum envio
Vindo do vento.
Solitário antúrio
Quieto bento
Todo sóbrio
Puro contentamento.
Imagem linda
Bela vinda
Força infinda.
Vaso ocupado
Antúrio amparado
Momento amado.

Belo Horizonte, 20 agosto 2018
CHUVA DA RAQUEL
     Qual será mesmo a grande virtude da dúvida?
     Quando deixamos de acreditar passamos a ficar ocupados com a dúvida. O realizar torna-se  inseguro cético e por isso mesmo instável.
     Fá, Sol, Lá, peixes fêmeas que navegam pelas nuvens, desafiam a imposição do vento e assumem direção que querem seguir. Chegam a Marília, interior do Estado de São Paulo.
     Ao perceberem a cidade buscam o aquário da Raquel, para onde a água da chuva irá conduzi-las.
     Quando o acreditar assume propósito da nossa intenção, eis que conseguimos chegar onde queremos.
Belo Horizonte, 11 janeiro 2007 

domingo, 19 de agosto de 2018

“PROVA DE VIDA”


“PROVA DE VIDA”
Com calma tudo se resolve
Foi o que disse aquele senhor.
No banco fila que não se move
Sensação de estranho calor.
Já que está vivo prove
Com ou sem dor
Venha logo e comprove
Da aposentadoria ser você merecedor.
A dita “prova de vida”
Passa a ser exigida
Para evitar ação bandida.
É a bandidagem impondo
Lei que vai expondo
Poder mais que hediondo.

Belo Horizonte, 19 agosto 2018
CANTO RISONHO
    Maria quer saber se peixe Dó foi pra Bahia.
    Letícia no mar baiano era noite que sorria.
    Maria mora em ilha distante com jeito cheiro de Atlântico.
    Peixe Dó mora em aquário que é mundo do seu mundo.
    Maria mora em lugar cercado de água por todos os lados.
    Dó mora em lugar cercado de terra por todos os lados.
    Letícia canta e diz estar a liberdade antes em nós e não naquilo que nos cerca.
Belo Horizonte, 02 janeiro 2007



sábado, 18 de agosto de 2018

PASSAGENS


PASSAGENS
Convite para jantar
Convite para almoçar
Convite para viajar
Convite para namorar.
Tempo tomando tempo,
Tempo criando tempo
Tempo agilizando tempo
Tempo sem tempo.
Marcado para hoje
Confirmado para hoje
Impossível para hoje.
Pode ser para amanhã?
Vamos deixar para amanhã?
Confirmo amanhã.

Belo Horizonte, 18 agosto 2018
DO VELHO AO NOVO
     Em torno do ninho estamos eu e os sete peixes sem ter mais o que fazer senão pensar nos últimos dias de 2006 e nos primeiros dias de 2007.
     Si comenta que do ninho poderemos ter visão de 2007, porque filhotes nascerão de fato no ano que vem.
    Dó observa que a cada novo dia vivemos um novo ano. Não dá muita confiança para o tal ano-novo.
    Lá concorda mas não ignora influências que surgem com a chegada de um ano-novo.
    Fá opina questionando estas comemorações com tantos fogos e delírios outros a projetarem para um novo ano alguns tantos absurdos.
     Ré, Mi e Sol, não se manifestam. Navegam em busca de algum alimento, mas também com atenção voltada para o ninho que em seu silencio transforma ovos em esperança.
Belo Horizonte, 29 Dezembro 2006         

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

GEMIDO


GEMIDO
Não fui a Nova Lima
Dia sombrio
Noite geme e clama
Por alívio.
Quem não subtrai soma
Duro convívio
Terra feita em lama
Chove no navio.
Mar no sonho
Respirando a lua
Jeito tristonho.
Ruído vindo da rua
Instante sozinho
Por favor conclua.

Belo Horizonte, 17 agosto 2018
     Fá resolveu falar sem falar porque peixe não fala, mas diz.
     Fá com sua feminilidade acesa gosta mesmo e de ir direto ao assunto.
     Luci quer saber jeito de distinguir peixe de outro.
     Nada é igual.
     Visão, audição, tato, olfato, gosto.
     Aí estão os cinco sentidos que ao serem somados ao físico e ao espiritual chegarão aos sete planos de suas manifestações.
     Este sete é número danado mesmo.
     Mesmo o sexto sentido, que é aquele que intui, por intermédio dos outros cinco, necessita do ser, eu de alguém, para que seja manifestado, chegando aos sete elementos de sua composição.
     Fá convida Luci a sentir extensão de cada sentido estendido ao outro para que intuindo, ou valendo-se do físico e do espiritual, possa perceber que em sete peixes existem detalhes tão singulares quanto o proposto pelo próprio número sete.
Belo Horizonte, 23 dezembro 2006

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

FEITO AGORA


FEITO AGORA

Busco verso simples
Em dia que vai passando
Pela mudez de vozes
Talvez eu esteja sonhando.
Xícaras e pires
Eu conversando
Temas livres
Tarde vai passando.
Café feito agora
Vontade de fumar
Querendo ir mundo afora.
Lembrança de um olhar
Vindo de qualquer hora
Permita-me sonhar.

Belo Horizonte, 16 agosto 2018
LIÇÃO AQUÁTICA
     Quando penso que já está tudo terminado, eis que percebo maior algazarra no aquário. É peixe saltando nadando surgindo escondendo pra tudo quanto é lado. Já não há como distinguir aquelas que chegaram agora mesmo, das outras.
    Noite inteira de rebuliço na água. Fiquei só observando de longe sem acender iluminação daquele ambiente deixado à meia luz.. Melhor assim.
    Mas o inacreditável surgiu mesmo foi com o amanhecer, quando percebo toda vegetação do aquário trazida para o vidro da frente, agindo como autêntica cortina.
    Em instante de intimidade, até os peixes pedem discrição.
    Entendi o recado, resignado.
Belo Horizonte, 15 dezembro 2006

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

ANTÚRIO


ANTÚRIO
Observo o antúrio
Em sua natural imponência
Instante que desfio
Da minha própria ausência.
Indago do frio
O que sugere tanta teimosia
Chegando à beira do delírio
Em insinuação mais que vazia.
Antúrio mostrando
E escondendo sua flor
Confusão apontando
Para o engano em supor
No que reage pensando
Estar a flor naquela cor.

Belo Horizonte, 15 agosto 2018
DEPOIS DA COMUNHÃO
     Igreja lotada.
     Tão logo padre terminou o sermão ela começou a inquietar-se.
     Menina de seis ou sete anos talvez. Abaixou-se logo atrás de mim. Cochichou no ouvido da mãe, o que não ouvi. Voltou a abaixar quando todos se ajoelhavam.
    Assim foi abaixando, levantando e cochichando.
    Passada a comunhão veio estar próxima de mim. Abaixou quase deitou no chão. Olhei-a riso de compreensão.
    Eu havia acabado de comungar.
    Ela aproximou-se e disse para mim: - Tem uma barata ali..
    Mas a senhora ao lado ouviu e tudo aconteceu numa sequência instantânea, cadenciada, como passada por ensaio.
    Padre pede que todos se levantem, senhora ao ouvir a menina solta grito de espanto agudíssimo: - Oh!
    Quando percebo estão todos aqueles pares de olhos apontados para mim, indignados. Maior surpresa foi perceber aquela senhora de inacreditável cinismo com seus olhos de censura estatelados fixados em mim, como tivesse eu dado-lhe um beliscão ou algo parecido.
    Eu havia acabado de comungar.
Belo Horizonte, 09 Dezembro 2006

terça-feira, 14 de agosto de 2018

ASA CORTADA



ASA CORTADA
Domingo amanhece
Silencioso e confuso
Pedindo alguma prece
Fugindo de qualquer abuso.
Convite que merece
O que não mais recuso
Barba que carece,
Da lâmina que então uso.
Tudo para ficar em casa
Não tenho como sair
Missão que corta minha asa.
Não posso tombar nem cair
Sou fogo desta brasa
Quando canso vou dormir.

Belo Horizonte, 14 agosto 2018
PINGOS DA CHUVA
     A chuva passou voltou outra vez..
     Barulho da chuva no silencio da noite pensamento entornado em singular navegação.
     Sandrinha triste no Havaí, porque esqueceu de levar livros que agora quer ler.
     Barulho do mar no ouvir distante.
     Mércia num quase verão de oito graus centígrados, lá na Noruega.
     Chuva de um amanhã que vem vindo.
     Eu aqui na leitura do mar e a sentir os graus de um tempo tão perto e tão distante.
Belo Horizonte, 30 novembro 2006