Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

INDOLENTE


INDOLENTE
Mar aberto
Movimento incerto
Céu descoberto
Tudo tão perto!
Distância indolente
Coração bate sente
Solto a corrente
Vento sem pente.
Brisa ondulante
Paisagem cativante
Mar arrogante.
Vento bate forte
Celebro a sorte
Fugindo da morte.

Belo Horizonte, 14 dezembr0 2018
DESAPONTADO
     Acordei atrapalhado tudo estranho no dia que amanheceu já com jeito nervoso. Não acordei tarde, mas precisava acordar mais cedo. Impliquei com coisa à toa saí no tropeço da rua. Era sensação estranha de dia desencontrado.
     Não fui onde deveria ir e nem caminhei com o cão Jota. Portão emperrou, manhã passou e só à tarde é que veio técnico averiguar defeito do portão eletrônico parado.
     Encontro acertado e cancelado. O dia anoiteceu assim, desapontado.
Belo Horizonte, 03 dezembro 2008

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

BOI E BOIADA


BOI E BOIADA
Xamã em sua caminhada
Manhã ensolarada
Semana escancarada
Para o boi e boiada.
Intenções em trânsito
No céu nenhum periquito
Nem por isso fico aflito
Fujo de todo e qualquer agito.
Xamã conhece esse chão
Urina em frente à mansão
Mania típica desse cão.
Água pede aquarela
Busco cor da janela
Hora de acender a vela.

Belo Horizonte, 13 dezembro 2018
AMAR
     A vida não vale tanto rigor. Se bem soubermos dota-la de amor, aí sim é que perceberemos haver sempre um caminho aberto ao nosso dispor.
     A vida exige vigor. E não há nada mais vigoroso para a vida do que o amor. É quando além do caminho passamos a perceber a paisagem e o verdadeiro sentido de cada cor.
      Viver é compor. Compor e decompor o que insiste em querer lança-la ao torpor que está ao extremo oposto do amor.
     Viver é amar. É soltar o verbo, doar ofertar, celebrar.
      Viver é libertar a ânsia de amar.
       Viver é amar.
        Amar é respirar.
Belo Horizonte, 28 novembro 2008

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

FAROL


FAROL
A força do mar
Vem me puxar
Puxo o mar
Que quer me levar.
Tomo café
Sei bem o que é
O vigor desta maré
Do mar de São Tomé.
Acredito vendo
Vento movendo
Meu viver vivendo.
Ida que vai acontecendo
Ondas que vão trazendo
Olha o Farol acendendo.

Belo Horizonte, 12 dezembro 2018
NO QUARTO
Se o tempo parou
Cá estou
Mais velho sim
Quarto pintado cor marfim.
A presença daquela ruga acabou
Parede que tinta ocultou
Tanto eu em mim
Tanto sentimento assim.
Porque amo vivo
Neste quarto ninho
De todo meu carinho.
Porque vivo convivo
Com este amor cativo
Eu mais que eu sozinho.

Belo Horizonte, 24 novembro 2008

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

MADURO


MADURO
Houve mau contato
Abajur já estava de fato
Velho, rabugento, chato,
Desprezando todo meu trato.
Ao invés de conserto
Coloco-me mais perto
Do lixo e acerto
Busca de abajur mais esperto.
Agora tenho iluminação
Confiável e ao alcance da mão
Em minhas noites de solidão.
Em meio ao escuro
Averiguo e apuro
O que é estar maduro.

Belo Horizonte, 11 dezembro 2018
DEPOIS DE PINTAR
     Bem sei o que me leva a pintar camisetas. Mas não sei como consigo isso.
     Ao fim de mais uma pintura, este contraste no pensar busca secar a tinta do meu raciocínio. Cuidado para não borrar. O tecido mole parece querer movimento. Ou será a imagem que acabou de nascer?
     Diante do meu pequeno aquário observo os peixes vivos. Na camiseta a imagem do que poderá ser um peixe. A camiseta amarela no contraste de traços trazidos pela imaginação.
     Não sei como concebo isso que vem do que sugere distância e aproximação em único tempo.
     Quando perdido sinto-me encontrado.
Belo Horizonte, 18 novembro 2008

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

SOFRER


SOFRER
Convite para almoçar
Angustia no paladar
Sal para temperar
Espécie de falta de ar.
Preocupação comandando
Coração propagando
Fadiga explorando
Disposição até quando?
Pela quietude do viver
Sigo com meu sofrer
Em busca do meu querer.
Fico sem ação
Por onde anda a razão,
Sei não.

Belo Horizonte, 10 dezembro 2018
DOR DE CABEÇA
     Eu não consigo e nem faço mais questão de entender certas posturas, certas pessoas. Limito-me a dedicar tratamento que recebo. Assim não me aborreço e sigo minha vida.
     Agora consigo fotografar camisetas que pinto e preciso vender. Lógico que não quero e nem posso obrigar ninguém a adquiri-las. Mas tenho a liberdade de sonhar com pessoas usando-as e até manter isso em segredo.
     Minhas poucas e pequenas alegrias atendem ao que busco pretendo da vida. Mas hoje sinto muita dor em minha cabeça e isso faz com que eu não faça tudo que quero fazer.
Belo Horizonte, 09 novembro 2008

domingo, 9 de dezembro de 2018


LOROTAS
Hora de sair
Depois de conferir
Números e rir
Para o que está por vir.
Fé no otimismo
Sem ficar no conformismo
Já passei pelo batismo
Dou à vida todo lirismo.
Tempo marcado
Relógio acertado
Tudo combinado.
Tranco as portas
Pés nas botas
Mundo de tantas lorotas.

Belo Horizonte, 09 dezembro 2018
PRECISAMOS
     A poesia está em tudo todas as coisas e lugares. A questão é percebe-la e traduzi-la no que ela tem de mais puro. O que nem sempre é tarefa fácil simples, porque a poesia que está antes da palavra é sensível demais e qualquer gesto mais brusco poderá transforma-la em farelo pó nada. Ela tem sim momento próprio e toda uma meiguice a ser respeitada sim. Senão pronto, endurece, resiste e some desaparece nela mesma, foge daquela nossa possibilidade de acolhe-la. Prende-la nunca. Nem pense nisso, nem queira em nome de sua mais nobre adoção autoria querer assumi-la de jeito menos zeloso.
     Por isso é que nem sempre conseguimos escrever justo aquilo que queremos escrever.
      Para sermos livres, antes precisamos de nos libertar do que nos aprisiona em tanta mesquinhez.
Belo Horizonte, 03 novembro 2008

sábado, 8 de dezembro de 2018

TINGIMENTO


TINGIMENTO
Na realidade
Grande é a cidade
Onde a maldade
Atropela a bondade.
Na cidade
Grande é a realidade
Feita de cada vontade
Tingida pela saudade.
Homem vendendo mel
Criança comendo pastel
Preciso comprar papel.
Mudou endereço
Exclamou com apreço:
Esta aquarela não tem preço.

Belo Horizonte, 08 dezembro 201i8
PRECISO ENCONTRAR
      Coloco-me sempre diante do mar mais extenso que eu. Mas vou mais longe e mesmo sem entrar nele percebo efeito de mergulho por demais profundo. É daí que busco imagens que pinto em camisetas que preciso vender para não acabar com viver vendido por delírios que já não quero viver. A marola suave traz um estar sem vento e calmo na praia piso dessa areia toda esparramada pela natureza. É dela que busco a textura que dou ao que pinto em camisetas que preciso vender, porque cobram de mim dinheiro que preciso encontrar.
Belo Horizonte, 27 outubro 2008