Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

quinta-feira, 18 de abril de 2019

ILUSÃO FRIA

ILUSÃO FRIA
Ela gosta sempre de pesar
A mala antes de viajar.
Ela gosta de passear
Tanto quanto de trabalhar.
Surge período de férias
Convites para festas
Acertos e conversas
Opções e rotas.
Bem diante do mar aberto
Penso e acerto
O que quero perto.
No sonho a distancia
É ilusão fria
Desvalida e vazia.

Belo Horizonte, 18 abril 2019
SIRI NO PUÇÁ
          Siri aparece no puçá lançado na beira do rio na beira do mar.
     Siri pescado é bicho alimento, vida em ciclos que acontecem.
     Rio que vai para o mar, siri que vem para o homem, tempo que passa e mostra o que em nós representa vida. Siri não sabe o que é puçá, nem percebe que ele existe, armadilha que captura o bicho. E assim é que qualquer um de nós, siris que somos, também poderemos ignorar a existência dos puçás pensando que iscas não passam de alimentos saborosos e inofensivos.
     Siri no puçá dá lição de vida justo quando caminha pra sua morte.
Belo Horizonte, 30 novembro 2010

quarta-feira, 17 de abril de 2019

ENGANO

ENGANO
Atendo telefone e então
Ela pergunta se é do Clube de Natação
Respondo de supetão
Aqui estar mais para casa do afogadão.
Ela ensaia riso
Pede desculpa com timbre liso
Não percebo graça nisso
Despeço e desligo sem mais aviso.
Eu aqui sonhando com o mar
Ela querendo nadar
Vontade de chorar.
Foi só um engano
Trato de enxugar o pano
Olho para mim com cara de fulano.

Belo Horizonte, 17 abril 2019
RABISCAÇÃO
     Converso com as ondas do mar, eu João da Barra na areia da praia, praia, praia.
     Na vontade de sentir o mistério do mar deixo de lado propósito de decifrá-lo, isso não, não, não.
     Na arte do mar ao vento o sentimento de formas rabiscos traços cores pinturas texturas conjecturas.
     Da mania de querer entender tudo, eu João da Barra inspiro artista que foge escapa confunde decifração no gesto da mais livre rabiscação.
     Mar mostra sua forma disforme em água elevada a onda que voa e dança no embaraço da sua transparência. E assim mar mostra o que é expressão.
Belo Horizonte, 20 novembro 2010

terça-feira, 16 de abril de 2019

PROMESSA?

PROMESSA?
Ando com meu terço na mão
Não é promessa não
Pura e simples convicção
De que é bom estar em oração.
A fé vem de criança
Estimula a confiança
Chama o tempo para a bonança.
Xamã é cão que avança.
Em meio a tantos desafios
Melhor evitar arrepios
Buscando gestos macios.
Vai vida que vem
Querendo bem
O que faz bem, amém.

Belo Horizonte, 16 abril 2019
PALMEIRAS DE SÃO JOÃO DA BARRA
     Sempre que chego à sede do município, cidade de São João da Barra SJDB, enorme emoção ao observar expostas ao céu palmeiras tão viçosas. Elas oferecem a referência de um dos pontos centrais da cidade.
     Quando digo isso ao Batistão ele se encanta com a imagem foto contraste do verde azul céu de São João da Barra. É a própria transcendência da vida deste lugar que atravessa séculos e que antes do Rio Paraíba do Sul desaparecer no mar, recebe da cidade quase que homenagem em forma de palmeiras. O rio ainda passará por Atafona, chegará ao Pontal, mas levará em seu curso o sentimento emoção das palmeiras seculares desta que é das cidades mais antigas de todo Estado do Rio de Janeiro.
     Batistão curioso abre indagação sobre qual será a cidade mais antiga de todo Estado do Rio de Janeiro. Não será São João da Barra?
Belo Horizonte, 16 novembro 2010

segunda-feira, 15 de abril de 2019

ADIANTE

ADIANTE
Estado presente
Instante imponente
Ainda que queira não tente
Na verdade o amor não mente.
Força impressionante
De vigor constante
Aqui e adiante
Envolvimento abundante.
Não há razão
Para maior explicação
No sol não há ilusão.
No mar o infinito
Não tem nada de esquisito
Já que posso palpito.

Belo Horizonte, 15 abril 2019
GARRAFA NO RIO
     Tudo em nossa vida está relacionado a outras vidas.
     Tudo em nosso ser passa a ser completado por outros seres. Dos nossos feitos podemos ir onde sequer imaginamos, sem levarmos nossa presença física a tais lugares. Isto porque vagamos de maneira diversa por aí.
     Remeto garrafa com Folhetos Cadinho RoCo na água do Rio Paraíba já próximo, bem próximo do mar. Ela segue para não sei onde e para ser encontrada não sei quando, não sei por quem.
     Chego ao Timbukas 2G, lugar onde alivio minha sede e sacio meu apetite. Do Timbukas 2G a possibilidade de novos contatos, conversas, assuntos, novidades. A água do rio conduz a garrafa, o Timbukas 2G conduz o viver a novos instantes de inspiração.
Grussaí, 11 novembro 2010

domingo, 14 de abril de 2019

DEPENDE

DEPENDE
Não preciso estar sozinho
Para estar sozinho
Não preciso estar no caminho
Para estar a caminho.
O que não apaga acende
O que não acontece transcende
O que não independe
Depende.
Na dúvida a certeza
Olha a correnteza
Mar de infinita beleza.
O valor do talento
Não se resume a momento
Qual o preço do sofrimento?

Belo Horizonte, 14 abril 2019
DO CÉU
     Olhe para o céu e o azul que perceberá daí é o mesmo que percebo aqui, caso esteja ele com poucas nuvens ou sem elas. O fato é que o céu é azul e que daqui diante do meu observar ondas azuis no mar azul que não chega a ser tão marinho quanto sugere a tonalidade do azul-marinho. Mas isso não é o que mais importa agora para mim que estou entre céu e mar, parte do corpo submersa pela água vinda de longe muito longe.
     Do céu a sensação mágica de outro plano existencial ido além vida. E nesse convívio com o mar e céu, eis que encontro vida em meu viver.
Grussaí, 04 novembro 2010

sábado, 13 de abril de 2019

RUDE

RUDE
Instante confuso
Palavra que uso
Talvez como intruso
Pensamento obtuso.
Busco esquecer
Do que me faz sofrer
Busco viver
O que me traz prazer.
Em meio a tanto estilhaço
Bate o cansaço
Forte mormaço.
Da quietude
Pondero atitude
Mundo rude.

Belo Horizonte, 13 abril 2019
SEM DESAPARECER
     Se nunca apareço como é que desapareço?
     Na bananeira cacho de bananas ainda verdes, umbigo, flor coração de bananeira.
     Observe o cacho repleto de bananas, nem mais nem menos do que deveria ser. Quando insistimos em querer mais e sempre mais por mera ambição desprovida de sensatez, fazemos o que não faz a natureza que comensura cachos e frutos para que tenham sustentação saudável.
     Não adianta São João da Barra – SJDB querer e pensar só em ofertas anunciadas pela obra de um porto enorme, porque de tanto querer a cidade poderá é desaparecer.
      A bananeira tem seu tempo pra maturar o fruto. Na paisagem da árvore e do cacho, a harmonia de um processo sábio e saudável.
     SJDB vale muito mais do que obras faraônicas e milhares de empregos. É o que digo eu João da Barra a sentir de perto o que vem de longe.
Belo Horizonte, 01 novembro 2010

sexta-feira, 12 de abril de 2019

MACIA

MACIA
Dormiu apagou
Chuva passou
Chão secou
Telefonou.
Calendário libanês.
Pincel chinês
Filme em inglês
Carro japonês.
Voo internacional
Manhã no terminal
Cansaço normal.
Ricardo na pizzaria
Tarde sem correria
Massa macia.

Belo Horizonte, 12 abril 2019
NOTA VERGONHOSA
A nota foi publicada pelo Jornal O Globo do dia 21 deste outubro na coluna do Ancelmo Góis, janela “Ponto Final”.
     “O senador Francisco Dornelles disse que os prefeitos do Rio que não aumentarem votação de Dilma em seus municípios perderão verba do governo do estado.”
     Parece uso indevido da máquina. E é.
     Até onde sei a prefeita de São João da Barra, Carla Machado, apoiou Cabral para mais um mandato como governador do Estado do Rio de Janeiro e está na turma de prefeitos que apóia Dilma. O que vale dizer que se submete a esta verdadeira afronta a estabelecer enorme retrocesso ao Brasil. Voltamos aos currais eleitorais.
      Nós brasileiros precisamos demonstrar brio neste 2° turno, votar com seriedade e sem a imposição de políticos que não fazem por merecer sequer o nosso respeito.
Belo Horizonte, 25 outubro 2010