Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

terça-feira, 19 de junho de 2018

FLUTUANTE


FLUTUANTE
Avistei o mar
Noite fechada
Janela escancarada
Respirei aquele ar.
Ouvi o ondular
Tendo como convidada
Solidão silenciada
Em meu estar.
Vento macio
Cheiroso insinuante
Fazendo frio.
Momento palpitante
Espaço vazio
Viver flutuante.

Belo Horizonte, 19 junho 2018
SOB IMPACTO
Sobre o nome
O qualquer
O nenhum
O algum.
Sobre a forma
A idéia
O rabisco
A vontade.
Sobre a sombra
Outros casos
Outros passos.
Sobre o preto
Outro branco
Outra minúcia.

Belo Horizonte, 12 agosto 1985


segunda-feira, 18 de junho de 2018

ESQUECIDO


ESQUECIDO
O poema apareceu
Mas depois desapareceu
Sonho inacabado
Sonho sonhado.
Confusão no eu
Sombra que amanheceu
Do sol achado
Ali daquele lado.
Rastro vazio
Naquele chão
Feito em silencio.
Nenhuma expressão
No gesto sombrio
Posto em recordação.

Belo Horizonte, 18 junho 2018
SIGNIFICADO
     Se o carro Mercedes está em frente à casa butique, é porque ela está lá. Penso acredito ser assim mesmo. E o carro sempre está lá. É raro muito raro não encontra-lo com sua imponência serenidade ao dispor dela que parece ter sim particular satisfação em fazer o que faz. O que demonstra ser sim um bem digno de exemplo.
     É sempre muito bom fazermos o que queremos fazer. Trabalhar, crescer, desbravar, desafiar nossas potencialidades. O que acaba estabelecendo esta forma de comunicação entre as pessoas. Sim, porque o trabalho, no mais das vezes, termina encontrando sentido em outras pessoas. Por mais que trabalhemos para nós, fazemos o que fazemos para outros seres. O que traz sentido para que sigamos em frente, em busca, em propostas que vão propondo outras numa sucessão infinita. Assim é que vamos também descobrindo o significado de nossas vidas. O que é ótimo.
Belo Horizonte, 31 outubro 2005

domingo, 17 de junho de 2018

PINCEL CHINÊS


PINCEL CHINÊS
Ganhei um pincel chinês
Não foram dois nem três
Foi um pincel chinês
É o que digo a vocês.
Não é norueguês
Nem inglês
Nem polonês;
É um pincel chinês.
Felicidade na tinta
Água que pinta
Ocasião mais que distinta.
Ganhei o dia
Amor que rodopia
Movimento de pura alegria.

Belo Horizonte, 17 junho 2018
ESCADA DAS ESCADAS
As escadas descem
Arrombam portas
Ouvem passos
Tropeçam sentidos.
As escadas sobem
Escondem carícias
Engolem convites
Escancaram acenos.
As escadas pensam
Nos pesares vindos
Pelo corpo pesado.
As escadas unem
Momentos levados
Aos rumos das ruas.

Belo Horizonte, 12 abril 1985

sábado, 16 de junho de 2018

SEM EDUCAÇÃO


SEM EDUCAÇÃO
Dois pares de óculos
Um par de olhos
Pares parceiros
Lembrados e esquecidos.
Movimentos diários
Alguns pensados
Outros espontâneos
Todos misturados.
Daquela visão
Busco a razão
Estupefação.
Palpita coração
Desejo em evolução
Sem a menor educação.

Belo Horizonte, 16 junho 2018
PALAVRAS, IMAGENS
As faces aparecem
Pelos reflexos criados
Pela natureza que
Estampa estímulos
Capazes de fazerem
Ou levarem fatos
A casos contados
Por formas feitas
Em silencio desfeito
Por conclusões lidas
Ou escritas por palavras.
E as palavras
Surgem por
Todos os sentidos.

Belo Horizonte, 12 agosto 1985

sexta-feira, 15 de junho de 2018

PODE SER


PODE SER
Todo dia
É dia
De magia
De fantasia.
Toda noite
É noite
De açoite
De convite.
Todo céu é azul
De norte a sul
Até pra lá de Istambul.
Todo encontro vem
Sugerindo alguém
Que até pode ser ninguém.

Belo Horizonte, 15 junho 2018
Ente APARENTE

Meus braços partiram
Pelos pés perdidos
Pela carne desprendida
Deste meu espirito.
Meus lábios cavaram
A sombra que espelho
Pela sugestão qualquer
Deste meu viver.
Meu espirito acontece
Ao testemunho trazido
Pelo que é seu.
Meu viver aparece
Quando de você
Sou aparição.

Belo Horizonte, 12 agosto 1985




quinta-feira, 14 de junho de 2018

QUIEMANDO


QUIEMANDO
Chega o caminhão
Trazendo feijão
Felicidade no ar
Alívio no respirar.
Beira de fogão
Panela de pressão
Agora é só esperar
Pelo bendito cozinhar.
Vida pensando
Na água e no fogo
Conversa no jogo
Daquele demagogo
Que não sabe nem quando
O feijão está queimando.

Belo Horizonte, 14 junho 2018
GESTO RELÓGIO
O relógio parado
Quebrado e guardado
Assinala paralisia
De um tempo que vai.
Vamos vivendo
O relógio quebrado
E atuado por um sentido
Achado no tempo.
O tempo quebrado
Querendo reparo
Querendo viver.
O tempo voltado
Ao vagar do relógio
Mostrador de instantes.

Belo Horizonte, 13 julho 1985

quarta-feira, 13 de junho de 2018

SANTO ANTÔNIO


SANTO ANTÔNIO
Nome dele é Fernando
Mas chamam ele de Antônio
Desde quando
Virou santo de muito brio.
Procissão passando
Água levando o rio
Dia abençoando
Tudo que faço e crio.
De santo a padeiro
Homem de forte pregação
Cativando por inteiro
Brasa no fogo do pão
Com aviso sem letreiro:
Pecado aqui sobrevive não.

Belo Horizonte, 13 junho 2018
CAZICÁS
     Árvores plantadas recentemente na esquina das ruas Rio de Janeiro e Fernandes Tourinho, em frente onde havia aquela casa que foi demolida. Árvores jovens de uma beleza curiosa. Elas crescem dando voltas em si mesmas criando interessantes formas encaracoladas.
     Qual o nome dessas árvores? Pergunta que faço ao rapaz com jeito de ser o jardineiro responsável pela preservação das tais árvores. Antes certifico ser ele quem penso que é. Moço confirma e diz assim de estalo serem elas as cazicás. Respondeu-me com tal firmeza clareza, que agradeci engolindo espanto. Cazicás?
     Nunca ouvi este nome antes. Vou embora repetindo comigo cazicás, cazicás, cazicás... Sinto-me enroscado com nome tão ou até mais curioso do que as tais árvores.
     Cazicás. Nome esquisito, de árvores esquisitas. Mas também diante de tudo que a política nacional desse governo tem mostrado, até árvore parece não querer mais expor seus galhos para que sejam quebrados em meio a tanta corrupção.
     Cazicás.
Belo Horizonte, 30 agosto 2005