Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

BOCEJANDO

BOCEJANDO
      Quando do sonho pergunto o que desenhar aquarelando eis que sou sugestionado a desenhar aquilo que o sonho desenha em mim. Confusão de imagens querendo minha atenção para o desvendar de traços muito leves e com singular transparência. Observo na inquietação da quietude própria do sonho escondido do despertar. São possíveis arranjos a serem mostrados pelo segredado em mim e de mim mesmo. Mas insisto em querer desvendar o que está por trás do mistério nebuloso mostrado pelo sonho.
      Acordo com minha lembrança bocejando.
Belo Horizonte, 23 novembro 2017
APARIÇÃO NOTURNA
     Talvez eu seja mesmo um sujeito volúvel. A força do vento move o desejo, dando-lhe direção diversa. Dos olhos, a presença de muitas imagens.
     O nome dela não é Dora nem Doralice. Sei o nome daquela que um dia surgiu untando meus olhos de beleza. Encanto e beleza. Encanto, beleza e ternura. Desejo, encanto, beleza e ternura.
     Entregue ao sabor dos ventos, deparo agora com a graça daquela que não conheço. Da tonalidade cremosa a sugerir um amarelo pálido a sugerir palha, um par de botas fazendo com que eu imagine seus pés macios a sustentarem corpo todo vestido de preto. Nem por isso a noite deixa de ilumina-la. E o vento que não sossega, trata de dar rumo aos olhos.

Belo Horizonte, 02 dezembro 2000

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

INSUPORTÁVEL

INSUPORTÁVEL
      Morei uma vez e peço a Deus para nunca mais ter necessidade de morar em um prédio de apartamentos. Só que agora percebo não ser isso o bastante havendo transtorno equivalente em ser vizinho de prédio de apartamentos.
      Vontade alucinada de ir para beira do mar com vizinhança distante o suficiente para não causar incômodos.
      Estar em sua casa tendo que suportar reforma do prédio vizinho com uso de máquina elétrica para quebrar concreto não é fácil. Prefiro o mar ruidoso, enfurecido ao expor força das suas ondas na praia, de preferência deserta.
      Uma vez demolido por incômodo tão acentuado divago pela enorme saudade que sinto do mar. Respiro fundo buscando fôlego quando sinto paciência afogada por essa distância do mar.
Belo Horizonte, 22 novembro 2017
VALORES E VALORES
     Muito que fazer, muito que escrever. Muito que viver, muito que sentir.
     Valores e valores. E diante de todas as coisas, a coisa nenhuma a saborear o ser e o estar. São tantas as maneiras trazidas à sobrevivência que, de repente, chegam a desaparecer.
     Valores e valores.
     Viver por viver. Viver por aí, usando e abusando de tudo que é mundo. Aí, a aparição das oportunidades servidas para o transbordar do que esvazia o ser.
     Valores e valores. Muito que aprender, muito que suportar. Até mesmo quando tudo passa a valer nada.
     Valores e valores.
Belo Horizonte, 30 novembro 2000

terça-feira, 21 de novembro de 2017

DISPARADO

DISPARADO
      Preciso comprar, preciso vender, preciso estar atento ao que falta, preciso estar acordado para o que aponta necessidade.
      Idas de lado a outro da cidade na busca de tudo que venha a contribuir para vendas que preciso realizar, porque situação não está fácil. O dia em exaustão não permite que eu pare agora, mais tarde me entrego ao descanso.
      Conversas, recados, compromissos, telefonemas, acertos na discussão das possibilidades.
     Quando paro penso no que tenho a dizer e começo a conversar comigo mesmo em meio a tantos acontecimentos que continuam acontecendo. O que podia ser resolvido hoje não terá jeito e por isso eis que preciso esperar mais um pouco.
      No corpo incontida sonolência. Mas não posso parar agora.
Belo Horizonte, 21 novembro 2017
NOTÍCIA BOA
     Não conheço a Sandra que telefonou-me por recomendação da senhora Maria Íris, pessoa de minha estima, para tratar assunto de trabalho. Ótima ocasião para eu ter notícia da pesquisadora Maria Íris, que a qualquer momento estará lançando seu livro que, sem dúvida, irá resultar em importante documento para questões relacionadas à etiqueta. A senhora Maria Íris traz reconhecida competência e autoridade no que refere-se às cerimonias, o que fortalece ainda mais essa sua feliz iniciativa para a educação de todos nós.
     Já a Sandra, ficou de telefonar novamente, mas...

Belo Horizonte, 10 novembro 2000

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

INSPIRAÇÃO

INSPIRAÇÃO
      Imagino imagens. Esbarro em explosão de cores. Observo o estilhaçar dos movimentos.
     Concebo gesto rápido, mas preciso mais ou menos calculado.
      Sou surpreendido com o efeito do instante vindo da tinta.
      O pincel quer mais e deixo ele solto em seu vagar macio e leve pelo papel transformado em área de exploração sensacional. A intimidade do papel na revelação do que brota do íntimo.
      Chuvinha fraca regando de inspiração o jardim das possibilidades.
      A noite na vibração de luminosidade outra. A respiração buscando da umidade espaço para o avanço do fôlego.
      Todas as lembranças esquecidas pelo instante exposto à plenitude da sua própria aparição.
Belo Horizonte, 20 novembro 2017
UM NOME
     Das Graças? Marília? Pode ser Mariza ou Adalgiza. Quem sabe Amélia? Juliana ou Ana? Jaqueline, Eliana ou Elizabete? Maria do Rosário ou Maristela? Talvez Adriana ou Andreia.
     Não sei o seu nome. Mariana, Cátia, Julia ou Julieta? Beatriz, Dulce, Giovana? Mas tenho a sensação de não ser nenhum desses nomes. Há um mistério em sua identidade. Há um segredo em seu semblante.
     Quem será ela?

Belo Horizonte, o1 novembro 2000

domingo, 19 de novembro de 2017

AQUARELANDO




AQUARELANDO
      Diante do papel vasculho segredos da aquarela. Com o bastão passo óleo sobre o papel que absorve rastro de cor. Avanço mais um pouco sem pressa e com calma para não cair na tentação do impulso indevido. Vislumbro contorno querendo adivinhar efeito da água sobre a tinta saída do bastão. Observo o desenho em fase de criação. Pego-me surpreendido pela pergunta: Onde quero chegar?
     A aquarela esconde efeitos, preciso abrir diálogo com ela que então pede água. Vem movimento da descoberta. A tinta reage, a água parece assustada, mas eufórica.
      Não é simples aquarelar.
Beo Horizonte, 19 novembro 2017
OUTRO AR
     Não estou agora na praça das Musas. Mas a praça das Musas está em mim. Ela surge trazendo Monique ao amanhecer de considerações que faço ao dia.
    O dia foge de mim. Ou estarei eu fugindo do dia?
     Monique sugerindo intenção qualquer. Saio sem saber definir o rumo. O dia na praça das Musas é outro.
     Do mesmo dia, outro dia. Vem Monique na insinuação de outra rosa, que não é a rosa Monique. A praça das Musas buscando o dia que está em mim. Mas estarei nesse dia?

Belo Horizonte, 28 outubro 2000

sábado, 18 de novembro de 2017

PEDALADAS

PEDALADAS
      Jorgina é bicicleta sem maior requinte, simples em sua estrutura e ágil em sua serventia diária. Resolve problemas relacionados aos mais diversos deslocamentos sem qualquer transtorno.
     Agora Jorgina exigiu reparos de rotina e por essa ocasião fui apresentado a outra bicicleta mais moderna, com tecnologia a oferecer conforto diferenciado. Ela tem recursos que potencializam sua tração oferecendo suspensão espetacular e freios sensacionais.
     Jorgina quietinha e pronta para ir embora traz consigo jeito singular.
     Agradeço por ter sido apresentado àquela bicicleta e lá vamos nós, eu e Jorgina, pelas pedaladas da vida na certeza de que o bom mesmo é darmos valor ao que temos ao nosso alcance.
Belo Horizonte, 18 novembro 2017
COISAS
     Sinto-me levado por outra aspiração. Aquela que foge da realidade. Ou estará a realidade fugida de si mesma?
     Deixo de entender. Há em mim um ser estranho e alheio ao cotidiano. Se não consigo encontrar a quietude do ser em mim mesmo, como poderei, por mim mesmo, ser encontrado?
     Percebo o brotar da nascente. Tento compreende-la, em vão. A própria compreensão parece transformada em desafio. Tento, em vão, desfiar esse emaranhado de coisas. Mas que coisas serão essas?

Belo Horizonte, 10 outubro 2000

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

INDO

INDO
      Quando achamos que encontramos caminho espetacular eis que surge outro melhor ainda. Mas isso, creio eu, acontece quando estamos devidamente realçados pela fé.
      A pintura que faço, óleo sobre papel traz a mim resposta de vigor. Mas o interessante é perceber que, numa outra dimensão eis que o fluir da aquarela oferece leveza desafiadora.
     Estar entre a força e a delicadeza é o que propõe o caminhar do entendimento na busca de significados brotados de imagens que tanto ampliam a rigidez quanto buscam da transparência a resposta do então pronunciado como sucessão de sinais.
      Somos caçadores de conclusões por vezes escondidas exatamente onde encontramos nossas inquietações.
      Será que sabemos para onde estamos indo?
Belo Horizonte, 17 novembro 2017
MISTERIOSO AMANHÃ
     Uma criança?
     Uma adolescente que aparece e que desaparece no tempo. Uma imagem que fica no tempo da lembrança que também faz parte do presente. Uma presença que cresce e que conversa com o silencio do pensar de tantos pensamentos.
     Uma oportunidade?
     Uma ocasião que talvez nunca mais aconteça. Mas a existência das possibilidades surge como amistosa ponderação.
     Uma ilusão?
     Uma fantasia infantil em busca de sua própria maturidade. A aparição do amanhã, continua hoje sendo um mistério.
Belo Horizonte, 02 outubro 2000