Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

FINGE-SE

Tudo é permitido ao perdão quando não se permite espaço para a culpa
FINGE-SE
A intenção de sair é nenhuma mas saio assim mesmo porque também são de ocasiões assim é que por muitas vezes somos surpreendidos. É a tal coisa do sair por sair e seja lá o que Deus quiser. Aí vem o outro e diz que Deus sempre quer. Procuro então saber o que quero e engasgo. Só não quero é confusão, porque está tudo muito bom do jeito que está.
Bom mesmo não está, mas finge-se.
Belo Horizonte, 04 fevereiro 2008

CHICLETE
Sábado é dia de casamento. Por isso a Igreja de Lourdes encontra-se toda decorada, florida e arejada pela brisa do amor.
Antes de cumprir o calendário casamenteiro, a missa da tarde.
Igreja lotada. Ao meu lado uma mulher esbelta, linda. Cabelos escuros e refletidos por uma tonalidade ruiva ainda mais expressiva ao receber o colorido da luz que atravessa os vitrais da igreja. Alta, magra e concentrada em seu instante de oração. Ela masca um chiclete, sem perder a serenidade do seu semblante.
Depois do ofertório, a Eucaristia. Momento sublime. Ela reza com fervor. Ela masca um chiclete. Chega o momento da comunhão. Ela, sem qualquer cerimonia, tira da boca a goma e segue sem pecado para a Hóstia Sagrada.
Depois da benção, sigo meu caminho retornado ao tempo daquelas aulas de catecismo. Em mim, a proposta do jejum, para que possamos sentir com toda intensidade o sabor da comunhão com Deus. Mas ela, esquecida do jejum, comungou trazendo em seu paladar a doçura de um chiclete. Mas Ele a perdoou, por perceber que ela naquele instante trazia o hálito da ingenuidade, livre de qualquer culpa.
Belo Horizonte, 18 junho 2002

7 comentários:

Anônimo disse...

Cadinho, esta tua maneira de ver a moça e seu goma de mascar é muito linda.
Um beijo
Meire

Rebeca dos Anjos disse...

Finge-se num estilo Fernando Pessoa que finge e encanta.

Ricardo Rayol disse...

não sei se ingenuidade ou malícia juvenil. me assaltou agora um pensamento profano ahahahaha

João António Melo disse...

Quando as coisas acontecem com simplicidade e sem maldade têm o perdão de Deus. Ele "terá pensado" esta criatura mastiga um chiclete cândidamente por isso deverá ser perdoada. Bem-haja a visita ao segundavida. Abraços.

Anunciação disse...

Gostei dessa sua descrição dos momentos da moça do chiclete.Sabe o que é engraçado?Já tinha vindo aqui mas nunca tinha atentado para a Senhora da Graças tão linda lá no topo.Será que a velhice faz dessas com a gente?Adorei.

Jaqueline Sales disse...

...Talvez um jeito profano de entregar-se ao sagrado, vai lá saber? O que sei é que você relatou com maestria um dia de casamento mascando chicletes. Será que eles casam bem?

BeijUivoooooooooooosssssss da Loba

Jaqueline Sales disse...

Meu comentário anterior não apareceu? O que houve?

BeijUivooooooooooooosssssss da Loba