Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

sábado, 31 de janeiro de 2009

BUSCA DA BELEZA

A tentação do mergulho é uma constante em minha vida
BUSCA DA BELEZA
Quanto maior meu sonho, maior é minha disposição em ampliar realidade do meu viver. É de cada fagulha de cada sonho que percebo o quanto preciso da carne em corpo para sentir o que sinto. Dor e prazer tudo junto num composto delirante de vida para o pleno sentir dos sentidos meus.
O que exponho em camisetas não é mais que vida. São formas, símbolos, letras, frases, dizeres estranhos estrangeiros, indecifráveis para alguns, legíveis para outros. Mesmo a beleza que procuro encontrar jamais será a mesma encontrada seja lá por quem for. A beleza é manifestação subjetiva, arrebata a intimidade da admiração, fecunda em sensação o segredo do sentir. A beleza é como sonho que vem sabe-se lá de onde, para inspirar teses e mais teses expostas por impressões imprecisas, mas necessárias.
Não há como viver sem o sonho e sem o sentimento do belo no profundo do nosso sentir.
Enquanto afirmação não há como negar a presença do que crio nas camisetas então entregues ao mistério desse meu agir saído em busca do que há de belo na vida.
Belo Horizonte, 31 janeiro 2009
INDO FUNDO
Entre a ânsia e a necessidade, propósito do entendimento. Em meio à devoção, formas que insistem em perceber o que não conseguimos perceber. Há uma distância entre o que estampa e o que esconde o fato. A realidade, em meio a tantos esconderijos passa a ficar também escondida do que nela encerra tanta coisa.
Entre o afastamento e a aproximação, estranheza de um espaço indecifrável. São soluções mergulhadas em questionamentos outros, entregues a desconhecida profundidade. Que mar é este meu Deus?
Belo Horizonte, 02 setembro 2003

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

MAIS DIA, MENOS DIA

Quanto mais ensaiada mais de mentira ficará a vida
MAIS DIA, MENOS DIA
Tenho muita preguiça de gente que se propõe a propagar regras para tudo nesta vida. Não sou simpático a atitudes previsíveis, aquelas surgidas de manobras no mais das vezes muito mal acabadas. Sou preocupado sim, com o procedimento ensaiado e ajustado a conveniências irrigadas por artificialidade sem tamanho.
Ser o alguém que somos é mais simples, muito mais simples. No entanto percebo um medo coletivo e capaz de esparramar sementes de bajulação e mentira pra tudo quanto é lado. Depois aparecem os semblantes desiludidos, tristes e como que sugados por angustia sem fim a reclamarem da vida. Mas quando vento batia a favor zelo não tinham pelo que faziam.
Não adianta querer ficar no limite dos próprios interesses, porque mais dia menos dia a necessidade irá apontar exatamente para aquela direção antes tão desprezada.
Belo Horizonte, 30 janeiro 2009
ESPERA DA SEMENTE
O que dizer do tamanho de cada semente? Que significado existirá na dimensão de cada semente? O que parece pequeno, por inúmeras vezes poderá ser grande demais para esta ou aquela situação. E assim vamos aprendendo a perceber o que em verdade é importante para o instante de cada instante do nosso viver.
Um lugar antes desconhecido, que surge arrebatando sentidos e sentimentos. Não é pelo fato de ir embora desse lugar, que ele torna-se desaparecido. Sua existência então, por força de sua essência, passa a ocupar presença também na lembrança. O lugar continua lá, ou aqui, ou por sonhos a irem cativando pedaço por pedaço da vontade. Uma semente que inflama para que venha a raiz, o caule, o arbusto, a folha, a flor e o fruto.
O lugar antes desconhecido, cresce por existir nele vida. E por ser assim é que desse lugar surge alguém que faz despertar no viver, semente antes à espera da vida.
Belo Horizonte, 27 agosto 2003

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

JEITO MANSO

Lá em 2003 o cão era o Aleph, outro boxer que já não vive
JEITO MANSO
Para cuidar do cão Jota, que ainda ontem tomou bom banho, há de se ter atenção a detalhes sutis. O cão cisma por aquilo que não sei e aí é preciso calma.
Chega a ser natural cão Jota só comer o que coloco em sua vasilha. Não adianta querer servi-lo porque o bicho recusa. Não aceita, não abocanha, não come nada que não seja dado por mim. No máximo fareja, ensaio de posterior desprezo ao seja lá o que for.
Enquanto pinto camiseta penso nas voltas que o bicho dá pra comer. E numa curva do pincel deparo com o que passo a recordar observar. O Jota agora, salvo rara exceção, só come quando percebe que vou à mesa para alguma refeição. Se vou comer mais tarde ele também deixa pra comer mais tarde.
Preciso de outra cor, vermelho que venha. Jota espera não posso parar agora. Camiseta pronta eu faminto, vasilha do cão cheia. Abro geladeira busco o que beber, fatia de queijo sanduíche que preparo aprecio. Lá está o Jota num apetite só a devorar grão por grão da sua ração que também não pode ser qualquer uma.
Já não sei se o que mais me intriga é a pintura que crio, ou se é esse jeito maroto de ser do cão Jota.
Belo Horizonte, 29 janeiro 2009
SILENCIO CANINO

No domingo
A casa vazia.
No vazio
Silencio dominical.
Na casa
Um cão silencioso.
No silencio
Fidelidade canina.
Na casa do silencio
O domingo é nada
Para o cão alguém.
Na fidelidade do sentimento
Tempo passa entre ruídos
Achados à margem da quietude.

Belo Horizonte, 17 agosto 2003

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

AMAR MAIS

Tudo desemboca no amor
AMAR MAIS
Aprendi a rir das desavenças. Rir é bom e faz bem.
Aprendi a valorizar o riso e a entender que o riso é muito melhor que o choro. E quando de fato acordei para a simplicidade das coisas, minha vida faltou voar. E nem sei se não voou. Tenho dúvida se em noite de sono pesado não voei. E mais dúvida quando durmo de dia com sonho que nem falta falar.
Aprendi a sentir do sangue a manifestação exposta em cada camiseta que pinto.
Aprendi a libertar meus sentidos e percebi na vontade a vontade de aprender mais e mais.
Aprendi a ser o amor que sinto e que a cada instante oferece a mim nova lição para que eu possa amar mais e sempre mais.
Belo Horizonte, 28 janeiro 2009
VISTA CANSADA

Vista cansada
De ver o perto
Tão distante
Da realidade.
Vista cansada
De ver embaçado
Tanto sonho
Visto de perto.
Vista cansada
Pela exaustão
De ilusões
Expostas a imagens
Acreditadas pela
Cegueira do engano.

Belo Horizonte, 13 agosto 2003

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

ATITUDE DO CÃO

Quando entregue à criatividade tudo pode acontecer
ATITUDE DO CÃO
O cão Jota é um ser quieto para não dizer muito quieto. Late pouco para não dizer muito pouco. É cão de hábitos bem pontuados. Carinhoso e em alguma situação insistente. Compreensivo mas genioso. Não gosta de ficar só, mas tem lá seu momento de isolamento.
Enquanto pinto uma ou outra camiseta, ele observa. Mas, de alguns dias pra cá resolveu cismou interferir. Em meio à minha concentração sobre pintura que faço, eis que ele surge esbarra focinho em minha perna, gesticula cabeça, busca tirar-me do que faço, com sua pata, não dá sossego enquanto não desvio atenção pra ele. Se distraio é capaz de esbarrar em meu braço desviando curso da tinta.
Mas o que é isso que deu neste cão? Será que ele quer passear nas pinturas que faço? Ou será que quer pintar também?
Belo Horizonte, 27 janeiro 2009
SEREMOS CAPAZES?
Existem palavras que ficam dando voltas, voltas e mais voltas no íntimo da gente. Existem palavras alegres e palavras tristes. O que não quer dizer serem elas sempre tristes, ou alegres. Se por vezes não há nada melhor que a chegada, há ocasião em que melhor mesmo é uma boa despedida.
O agir é marcado por ocasiões contrárias. Nem sempre encontramos a pura essência da liberdade em nossos gestos conscientes de estarem eles atados a essa ou aquela circunstância. Ser livre será ilusão? Ou estará a ilusão aprisionando nossa liberdade? Existem palavras que trazem significado diverso ao intimo da gente. Seremos capazes de entender absolutamente tudo que dizemos?
Belo Horizonte, 04 agosto 2003

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

EM MEU QUARTO

As camisetas estão sempre a pedir e propor liberdade
EM MEU QUARTO
Tenho notícia de que uma das camisetas que pintei foi para o mar em navio enorme, cruzeiro a percorrer o litoral sul brasileiro e Argentina.
Tenho notícia de gente interessada nas camisetas que pinto e que vivem moram longe muito longe daqui.
Tenho notícia de gente que veste camiseta que pintei lá pelo mundo afora. Faz pouco tempo recebi notícia de outra camiseta que pintei, desta vez na Itália.
Enquanto isso, em minha casa, faço faxina em meu quarto.
Belo Horizonte, 26 janeiro 2009
NOSSA HORA
A melhor hora para se fazer seja lá o que for, é aquela que traz a nós a vontade de se fazer seja lá o que for. Evidente existirem coisas a exigirem hora determinada. Mas a melhor hora para se marcar seja lá o que for, é aquela que traz a nós, a vontade dessa marcação. Tanto o expediente do adiamento quanto a precipitação, no mais das vezes não funciona por tornar-se artificial. Vontade não se impõe.
Entre fazer a hora e ser feito pela hora, diferença singular. Quando então abrimos permissão para a hora que queremos construir, fechamos a possibilidade de sermos levados pela maré da aversão e de tudo aquilo que exala em nós antipatia. Darmos a nós mesmos o que buscamos, é darmos a nós mesmos o que queremos ser. Portanto, o melhor a fazer é fazer o melhor para que a nossa hora não fique perdida em nós mesmos.
Belo Horizonte, 26 julho 2003

domingo, 25 de janeiro de 2009

POR SURGIR

Diante do interesse despertado pela camiseta em que insinuei presença de um gato, quem quiser vê-la, favor entrar em contato comigo pelo cadinhoroco@yahoo.com.br para que em resposta eu possa enviar a foto da tal camiseta
POR SURGIR
Nos dez anos de distribuição dos Folhetos Cadinho RoCo sempre tive preocupação em revelar o que escrevi com o que escrevo. No Cadinho trabalho com essa mesma dinâmica para destacar o quanto é ágil o viver na busca de temas e motivações para tudo que faço.
Nas camisetas, situação não difere. Os traços mudam, voltam, desaparecem e são estimulados a fluírem por procedimentos mutantes. Por isso é que a surpresa comparece como elemento imprescindível ao suceder do que está sempre por surgir.
Belo Horizonte,25 janeiro 2009
SERÁ COINCIDÊNCIA
Nasceu um dia depois da celebração de Nossa Senhora do Carmo. Talvez seja por isso que deram-lhe o nome Maria do Carmo. Talvez seja nada disso. O que então estabelece curiosa coincidência.
Há quem diga ser toda e qualquer coincidência, pura ilusão. Há quem diga haver sutileza de significado em absolutamente tudo. Fato é que a Maria do Carmo em questão, traz consigo uma atmosfera de paz um tanto desgarrada do mundo. Estará ela sob a proteção eterna da Senhora do Carmo?
Belo Horizonte, 17 julho 2003

sábado, 24 de janeiro de 2009

NÃO SEI

Do desafio ao feito
NÃO SEI
Dia desses perguntaram se pinto camisetas com imagens de gatos, não nunca pintei. Mas é comum eu tratar tais questões como desafio. Não que eu tenha propósito de desenhar gatos, até porque não sou desenhista. O interessante é que depois de dar assunto à questão senti parar imagem de um gato pela camiseta que pintei dia desses. Gato esperto demais e que por isso não ficou tão nítido. Mas a marca, ou o rastro de sua presença está nos traços que concluí em minha pintura.
Não procuro ser evidente naquilo que pinto. Quando escapo do abstrato fico meio perdido.
Agora mesmo estou às voltas com os girassóis que agem na intenção de serem desfigurados. Caminho por essa trilha e percebo acenos que surgem nas pinturas a ocuparem os espaços de novas camisetas. Até quando passo por aí, não sei.
Belo Horizonte, 24 janeiro 2009
ESTRADA REAL
Existem pelo menos dois caminhos para entender a Estrada Real. O caminho velho, que vai de Paraty a Ouro Preto e o caminho novo que vai do Rio de Janeiro a Ouro Preto. Aí surge um terceiro caminho, comum aos outros dois, ligando Ouro Preto a Diamantina. Todos esses caminhos somam mais de 1400Km, passando por 177 municípios. São 162 municípios em Minas Gerais, 8 no Estado do Rio e 7 em São Paulo.
Em síntese, aí está a Estrada Real que tem muita história pra contar e uma saudável perspectiva, sobretudo para o turismo. Um caminho cheio de imagens de um passado próximo e distante, cujo presente aponta para um futuro de envolventes descobertas.
Belo Horizonte, 14 julho 2003

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

IDÉIA VIVA

E quem disse que idéia dá sossego
IDÉIA VIVA
Sejamos sensatos, todos nós temos idéias na cabeça. Algumas boas, outras nem tanto. A questão está em pô-las em prática. Aliás, é sempre muito bom praticarmos nossas idéias.As camisetas que pinto hoje precisam sair por aí, serem negociadas. Por isso é que para que isso aconteça, preciso agir. E as idéias brotam, surgem, provocam e oferecem alternativas.Camisetas com frases que crio e com minha caligrafia. É uma alternativa boa, simpática. Até porque, caligrafia é igual impressão digital, cada qual com a sua. E o curioso é que minha caligrafia muda do papel para o pano, de tema a outro. Curioso que não chega a ser estranho, porque isso acontece com a mesma naturalidade da voz que muda a depender da circunstância. Continuo com pensamento nessa possibilidade enquanto pinto e vivo na esperança viva de fazer com que vistam essas camisetas.
Belo Horizonte, 23 janeiro 2009
AMANHÃ TEM MAIS
Da varanda, horizonte imenso de ondas em pedra. Mugido de bois e vacas, seguido de carinhosos berros de chamados assumidos pelos bezerros.Passa o carro de boi na ternura viva que compõe a tarde na fazenda. Tudo tão harmonioso e tão sem pressa nessa vida que é mato e comida quente vinda de um fantástico fogão de lenha.Corpo vai descansando aos poucos e sentindo cada rastro deixado na poeira da pele encardida. Para esta caminhada amiga, amanhã tem mais. É mais gente que aparece, é nova cidade que surge, são novos hábitos e falas.
Fazenda do Sobrado, 08 julho 2003

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

ASSANHAMENTO

É sempre assim; de uma proposta surge outra que oferece outra, que abre outra, que intui outra...
ASSANHAMENTO
Estamos sempre em busca e ao encontro de respostas. Elas estão por toda parte, de maneira todas as formas e se manifestam de maneira diversa.
Minha amiga e artista plástica Ângela Magalhães foi ao blog da Cleo e gostou muito do que viu, camisetas com texto versos que criei. Sua empolgação foi tamanha que telefonou para dizer que, na opinião dela, foram as melhores camisetas que pintei. Está bem, Ângela não conhece todas as camisetas pintadas por mim, mas sua opinião tem peso de iniciada no assunto.
Penso então na possibilidade de pintar camisetas não com textos, mas frases criadas por mim. Mas isso é só idéia, nada decidido. Espero por respostas que estimule esse meu, digamos, assanhamento.
Belo Horizonte, 22 janeiro 2009
PIRRALHOS
Está cada vez mais evidente aos meus sentidos frase dita a mais de dois mil anos: “Não dá para servir a dois senhores.” A simplicidade desse raciocínio chega mesmo a surpreender a gente.
“Não dá para servir a dois senhores.” Por mais que queira a mentira ser verdade, não dá para fazer da verdade, a mentira. Minto, omito, finjo, fujo, escapo, esquivo, saio de fino. Tudo para acabar num mesmo resultado da mentira, ilusão, engano, sonho e fantasia. Ao deparar com a realidade, o cheiro outro que sufoca, estrangula e arruina a verdade.
“Não dá para servir a dois senhores.” São mais de dois mil anos.
Belo Horizonte, 30 junho 2003

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

MAIS UM SONHO

Sempre assim
MAIS UM SONHO
Passar sofrimento? Não, não é isso que quero. Lembrar desavença? Não, não é isso que busco. Pintar momentos rudes? Também não.
Risco na camiseta o meu sentir. Sonhos entornados em tintas e cores, porque consigo sim colocar cores em meus sonhos. E consigo, porque acredito e coloco amor no que pinto e no que escrevo. Consigo sentir o tremor da leitura de cada palavra minha que ao sair de mim leu e percorreu pelo meu querer.
Quando então a camiseta apresenta pintura saída de mim, eis que do alívio reconheço aquilo que levou da vida mais um sonho que vivi. E quando vestida lá por onde não passei, eis que sinto de mim vestígio de alguém que sou eu outro corpo a vestir o que sinto. E dessa sensação a arte do viver em mim estampada por outro alguém que leva consigo mais um sonho meu.
Belo Horizonte, 21 janeiro 2009
BRINCADEIRA DE CRIANÇA
Depois de tudo, trabalhão de dias. Brincam comigo os filhos que não tenho e a esperança que alimento com um vinho argentino de agitar o sangue.
Um tango no sonho dançarino que celebra felicidade existente em distantes divagações. Entre tema e outro, a teimosia do viver que crê na poesia como meio de vida. Delírios que invadem corpo e alma em trânsito incerto. Em meio a tudo isso, a certeza que foge do raciocínio cético e remetido a precisão tão imprecisa. A necessidade de estar no dia de cada dia é que estampa esse silencio cultivado pela solidão da espera. Mas é preciso entender a parte de cada parte do entendimento. É preciso viver, para que possamos juntos, entender essa brincadeira de criança também conhecida por vida.
Belo Horizonte, 23 junho 2003

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

CIUME?

Estas camisetas estão dando o que falar. Ou será escrever?
CIUME?
Flavinho é amigo dos idos da adolescência. Vida passa cada qual por seu rumo e num chamado surpresa nosso encontro acontece, alegria com notícias nem tão agradáveis sobre pessoas queridas que partiram desta vida, mas estamos aí.
Quando informo das camisetas que pinto abre os braços e diz estar com loja bem no miolo da Savassi, Praça Diogo Vasconcelos. Quer conhecer meu trabalho, negociar, expor, vender, motivo para revigorar amizade. Ficará uns dias fora, é verão férias, retorna pronto disposto a acertar tudo.
Sou ou não sou homem feliz?
As camisetas despertam interesse, eu orgulhoso delas como pai sem filhos que então olho para essas peças como crias minhas. Será ciume delas?
Belo Horizonte, 20 janeiro 2009
MULHER BONITA
Mulher bonita está sempre ocupada. Ao receber convite para festa, agradece dizendo que irá fazer o possível para estar presente, sem no entanto assumir compromisso. Muito que fazer. É a academia de ginástica, a aula na faculdade, a manicure, o cabeleireiro, o estilista, o curso de inglês, francês, italiano ou espanhol, a sessão de fotografias, a entrevista na televisão e no rádio, a visita filantrópica, o lanche com a vovó e uma atenção muito especial ao namorado que tem tido admirável paciência.
Mulher bonita está sempre sendo levada por sua beleza. Isso sem mencionar os rigores vindos de quem ao invés de admirar, trata de exalar a inveja em forma de desprezo tão dispensável. Mas é assim mesmo. Mulher bonita está sempre com um sinal, ainda que discretíssimo, de tristeza.
Belo Horizonte, 16 junho 2003

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

PRESENTE EM NÓS

Nem é bom tentar entender o que fazem as pinturas nas camisetas
PRESENTE EM NÓS
Em princípio o que há nas camisetas que pinto são as pinturas que crio. O que há nas pinturas que crio é que são elas.
Duas amigas numa mesa de bar conversam de tudo um pouco, Percebo que percebem minha presença na camiseta porque da pra sentir isso. E sei que comentam sobre ela porque da pra notar maneira como agem.
A inquietação da pintura na camiseta é aquela que está em cada um de nós, seres vivos. A vida, por si só, nunca é quieta. Vivemos de inquietações e para inquietar também. Isto é natural incondicional.
A pintura na camiseta é vida que então denuncia presença que por si só inquieta. O que vai além é o que vem da fantasia para a realidade presente em cada um de nós.
Belo Horizonte, 19 janeiro 2009
SAUDADE REPENTINA
São cinco horas da manhã e o barulho é de um trem que parte. Despertado pelo escuro do quarto, vou embora com o trem que passa por Moeda rumo ao Estado do Rio. Trilho no aço estreito que cava trilha entre barrancos sombrios trazendo lembrança de lenha no fogão de Dona Quinha, que faz janta e almoço, faça sol ou faça chuva, em seu modesto restaurante próximo à estação ferroviária. Suas unhas enegrecidas pela fuligem de incansável trabalho, dão vida ao cumprimento de chagada e ao aceno de incessantes despedidas.
São maquinistas, viajantes famintos a comandarem dezenas de vagões.
Em Coroa Grande, na costa sul fluminense, passa o trem vindo de Minas Gerais. No escuro do quarto respiro a maresia de uma saudade repentina.
Belo Horizonte, 09 junho 2003

domingo, 18 de janeiro de 2009

PELO QUE FAÇO

Não há absolutamente nada que supere a energia do amor. Para saber mais do texto Pelo que Faço vá a este endereço:
onde a Cleo publicou fotos das camisetas remetidas para ela que está no Rio Grande do Sul.
PELO QUE FAÇO
Num processo simples de entrega recebo encomenda para pintar camisetas. A idéia é nova para o momento que vivo, mas não para mim. Aceito a proposta e começo a pintar camisetas com textos poemas escritos por mim. Crio disciplina na caligrafia e começo a pintar letra por letra, palavra por palavra, verso por verso, frase por frase. Trabalho exaustivo exigente. Toda atenção é pouca para não errar, para não me perder no espaço disponível. Fiel ao meu agir já não uso réguas, esquadros, compassos, nada que não sejam tintas e pincéis.
Letra por letra... As horas passam e o trabalho continua. Depois de uma, outra camiseta. Estou impregnado pelo amor que sinto em fazer o que faço.
Belo Horizonte, 17 janeiro 2009
ÚLTIMO RECURSO
Não há outra solução. Rezar para que a resistência do viver continue resistindo. Rezar para que de cada notícia haja ainda que minúsculo acesso para alternativa qualquer. Rezar para que do desalento haja possibilidade de sobrevivência da esperança. Rezar para que a força do estar não seja rendida pela fraqueza senhora de tantas ilusões. Rezar para que o mundo não fique restrito às suas tantas impossibilidades. Rezar para que a consciência permaneça firme e atenta ao vagar dos sentidos. Rezar para que as tantas recusas não sejam aceitas pelo estímulo ao abatimento. Rezar para que a leviandade não prolifere. Rezar para que a compreensão esteja acima de toda e qualquer mediocridade. Rezar pela integridade da vida. Rezar pelo perdão de tudo aquilo que em nós denuncia culpa.
Não há outra solução.
Belo Horizonte, 27 maio 2004

sábado, 17 de janeiro de 2009

SERVIR

Continuo meio que atabalhoado mas logo passa
SERVIR
A sensação do servir é maravilhosa. E quando ela aparece aí sim é que fica patente sua importância. Não adianta rebeldia ou qualquer outra atitude que possa querer ter efeito semelhante ao do servir, porque parece que o ciclo não se completa.
Pintei camisetas a mim solicitadas, o que não é exatamente a minha proposta. Minha intenção é oferecer camisetas já pintadas e por isso trato de enfrentar dificuldades para manter estoque delas. Mas o prazer que tive em atender resultou no agora ido por esta alegria em poder servir.
Belo Horizonte, 17 janeiro 2009
FICAMOS SEM FICAR
Ficamos assim. Ficamos sem ficar. Ficamos de encontrar na semana que vem. Entre outras vindas, ficamos assim. Ficamos acertados com dia e hora marcada. Na possibilidade de nenhum imprevisto, nos encontraremos. Ficamos assim na crença do encontro. Ficamos, como estamos, no futuro de boa conversa. Assunto diverso que então estará anunciando a nós, o que temos feito e querido fazer.
Não ficamos na estagnação. Não ficamos entregues ao sabor do tempo. Não ficamos sem acesso, nem afastados do que está por acontecer.
Ficamos entre caminho e outro abrindo trilha para que então tenhamos como ficar depois de um novo contato.
Belo Horizonte, 23 maio 2003

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

FONTE DE MISTÉRIO

Preciso da sua compreensão. É que peguei encomenda para criar pinturas em lote de camisetas, proposta diferente interessante. Só que isso tem ocupado meu tempo, diga-se de passagem, de maneira muito prazerosa. No entanto estou sem ter como navegar e por consequência sem ter como visitar blogs que gostaria e quando consigo eis que deparo com publicações enormes que leio respeitosamente, mas isso quebra o fluir da navegação, ocupa tempo que poderia seguir rumo a outras visitas. Por isso é que peço carinhosamente para que não façamos publicações muito extensas, para o bem de todos nós.
FONTE DO MISTÉRIO
A vida pode mudar muito ou pouco, mas sem mudança é que ela não fica. E não adianta tentar segurar porque não da pra tomar toda água do rio num gole só. Tem de deixar o rio seguir, porque também se represar, mais dia menos dia tem de soltar a água.
Somos água que pede passagem e que quando para morre, seca, evapora. E assim é com tudo na vida que um dia evapora.
Aquele instante da camiseta é único. Aquele traço no pano da camiseta é único. É rastro de tempo que passou sentimento de emoção que sopra qual vento que também passa. E a camiseta fica, mas não fica, porque cada movimento por ela sugerido é mutante. Sem a pintura a camiseta é uma, com a pintura passa a ser muitas em uma só, porque carrega consigo fonte desse mistério.
Belo Horizonte, 16 janeiro 2009
FEZ-SE A ESPERANÇA
São de singulares revelações que vamos pluralizando nossas vidas. Conversa começou como toda e qualquer outra conversa. Mas vida tomou conta do assunto e calor deu sentido outro às palavras. Começamos a falar do que para nós mesmos não deveríamos estar falando. Brandas confidências a untarem de coincidências nossas percepções. Abriu-se porta da identidade. E assunto foi permitindo outro, numa espontânea sucessão que esqueceu do frio sugerido pela noite.
Hora de ir embora, porque tempo passa. Em meio a tudo que foi dito, vida vestiu-se de ânimo. E da pluralidade daquele encontro, o singular sentimento da estima que, qual flor, brotou no intimo. E do inesperado fez-se a esperança.
Belo Horizonte, 08 maio 2003

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

SOU OUTRO

O que escrevo hoje é o resultado do que acontece comigo já faz algum tempo. Note o que escrevi em 2003.
SOU OUTRO
O que faço na vida hoje é pintar camisetas e escrever. Administrar o Blog Cadinho e rezar muito para ter força e disposição criativa para o desempenho deste meu trabalho.
Não tenho tempo e nem paciência para conviver com especulações mesquinhas e direi até atrasadas. Não tenho disponibilidade para afazeres sem o reconhecimento que investi muito para ter e perdi.
Para o bem do que a mim faz bem cansei de tanta exposição em que colecionei delírio que não acaba mais. Hoje sou outro com a graça de Deus, fiel ao que sinto e acredito e cada vez mais distante da frivolidade de quem acredita mais na maquiagem do que na própria face.
Belo Horizonte, 15 janeiro 2009

INDISPONÍVEL
Tivesse eu que conversar agora, não sei o que diria. Falta assunto e disposição.
Tivesse eu que sair agora, não sairia. Falta rumo e disposição.
Tivesse eu que viver agora, não viveria. Falta estímulo e disposição. Minha vontade, cada vez mais sem sentido, parece perdida diante de uma ausência que indispõe o corpo.
Ao invés do rancor, a presença da apatia. Espécie de entrega destituída de busca. Ou quem sabe a fadiga do estar em estado de decomposição de tão inocentes futilidades. Sonhos diluídos pela contemplação do que supera em muito o limite de uma realidade estancada por seu próprio veneno. Fome sem apetite diante dos olhos sem imagens a inundarem de silencio os ouvidos.
Tivesse eu chance de querer agora, sumiria do mundo para encontrar comigo mesmo. Estou sim, indisponível.
Belo Horizonte, 01 maio 2003

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

CAMINHOS

O fato é que sempre transitamos por onde não sabemos
CAMINHOS
No 12 de janeiro, dia do meu aniversário, mais um recorde no Cadinho, 59 comentários na publicação: Do Cimitan.
Feito registro eis que recebo proposta para novo desafio com as camisetas. Aí começo a pensar nas possibilidades e concluo ser interessante o que poderá até abrir novo caminho a ser percorrido.
A vida é, em certo sentido, feita de caminhos. Percebo que sempre estamos em algum caminho seja no ar, mar ou terra. No pensar, caminhos. Nos sonhos, caminhos. No chão então aí é que aparece caminho que não acaba mais.
Mas, o que são os caminhos?
Belo Horizonte, 14 janeiro 2009
FORA DE PROPÓSITO
Diz ter brigado com Deus. Afirmação grave, gravíssima. Por isso mesmo é que o motivo passa a não ter tanta importância. Evidente tratar-se de singular inconformismo que poderá também ser reflexo de alma egoísta e não menos obtusa. Uma coisa puxa outra.
Em princípio, ninguém tem capacidade de brigar com Deus, pelo simples fato de não poder tê-lo como adversário. Deus está acima do bem e do mal, tal como está acima do contra e ou a favor.
Por questão de evidência, não creio no ateu. Não percebo como acreditar em quem não acredita. E o mundo está repleto de registros deixados por pessoas que passam vida toda negando Deus, para à margem da morte mergulhar na prece a pedido de clemência. Isso sem contar com os que sequer tiveram chance, ou tempo, de dar trato à consciência.
Depois, a vida torna-se toda atravancada e o fulano, indignado, vai dizer que Deus não ajudou. E a gente ainda tem que ouvir e incluir em nossas orações pedido de paciência ao Pai que, francamente, tem que tolerar cada coisa. O Cristo tem mesmo razão ao dizer: “perdoe Pai, eles não sabem o que fazem.”
Belo Horizonte, 25 abril 2003

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ACONTECE ASSIM

Para quem ainda não sabe, para ver as camisetas que pinto é só clicar na coluna ao lado sobre a camiseta exposta, ou no selo Camisetas Personalizadas e irá direto para a página exposição onde há inclusive endereço para aquisição e consultas diversas
ACONTECE ASSIM
Há uma situação engraçada que acontece comigo sempre que vou pintar nova camiseta. Quando penso raciocino muito não sei o que acontece, mas a coisa emperra. Mesmo no plano da satisfação fico meio perdido como se estivesse em falta com qualquer coisa.
Já quando me sinto solto e desprovido de toda pretensão, eis que surge o inesperado. E deste inesperado sinto fluir tudo. Uma delícia a impulsionar todo meu ser para o processo criativo depois estampado sobre o pano.
Não consigo explicar isso, mas é assim que acontece.
Belo Horizonte, 13 janeiro 2009
MESMA VIAGEM

Na curva a surpresa
Na surpresa a curva
Na mudança de rumo
No rumo da mudança.
Na mesma viagem
Curvas e retas
Descidas e subidas
Céu e terra
Nuvens e águas
Idéias e vontades
Sonho e silencio.
Na mesma viagem
Intenções diversas
E intermináveis.

Belo Horizonte, 14 abril 2003

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

DO CIMITAN

O texto Do Cimitan é homenagem que presto a todo artista que ao dignificar o seu dom expõe ao mundo força da sua expressão
DO CIMITAN
Ganhei sem esperar uma caricatura por demais interessante assinada pelo Edu Cimitan do blog http://vtmadaquinta.blogspot.com/ . Uma beleza de trabalho que gostei muito.
Quando escrevi para o Cimitan em agradecimento, dele recebi mensagem que a mim causou surpresa. Sua satisfação, porque gostei da caricatura, foi que me espantou, posto que, segundo ele, existem pessoas que se sentem ofendidas ao serem alvo do seu talento. Será possível?
Bem sei ser difícil demais o convívio com o ser humano, mas manifestar intolerância ao talento de um artista para mim é demais. Até porque criar caricatura não é para quem quer é feito de quem nasceu com esse dom. E o Edu está aí pra mostrar isso. Mas é a tal coisa; também tem gente que nasce e cresce para e pela antipatia.
Pois daqui parabenizo e agradeço, feliz da vida, ao Edu Cimitan. Suponho que ele não sabe ter a mim concedido tão expressivo presente justo na antecedência do meu aniversário que é hoje.
Belo Horizonte, 12 janeiro 2009
MELHOR ENCONTRAR
Escrever é forma de conversa. Estar com você é forma de convívio.
Conviver é viver. Viver é o que responde a tudo que questionamos. E dar vida ao convívio, é ser outro para que sejamos nós mesmos. Assim assinalamos formas de ser e estar que vão definindo comportamentos. Comportar é estar no mundo que não é só nosso, por ser muito mais que só isso que somos e procuramos ser.
Das procuras, achados. Dos achados, percepções. E das percepções, o agir que é, mas que também tem a liberdade de fugir à regra. Mas, se não estamos aqui para fugir, melhor mesmo é encontrar.
Belo Horizonte, 11 abril 2003

domingo, 11 de janeiro de 2009

PINTANDO VERSOS

Tal como as camisetas, espero
PINTANDO VERSOS
Mãos asas
Nas ondas
Voam braçadas
Irmanadas.
Barcos e janelas
Sensações escondidas
Pelas escotilhas
Noites enluaradas.
Mares e praias
Sons e sonatas
Nas camisetas
Limpas e salgadas
Puras e arejadas
Por cores e pinceladas.
Belo Horizonte, 11 janeiro 2009

DISCURSO E COCHICHO

É vento que sopra
Presença que surge
Dia que passa
Noite que vem.
É agora e depois
Ontem amanhã
Desejo confuso
Na fusão dos fatos.
É assim mesmo
Que mesmo assim
Tudo continua.
É luz e sombra
Discurso e cochicho
Na alma da vida.

Belo Horizonte, 30 março 2003

sábado, 10 de janeiro de 2009

OUTROS GIRASSÓIS

A inspiração tem lá os seus caprichos
OUTROS GIRASSÓIS
O que aconteceu com a Fernanda é o que pode acontecer com qualquer um. Viu, gostou se enamorou pela camiseta, demorou e quando acordou o que era doce acabou. Isto porque camisetas que pinto não tem cópias. Então se gostou e quiser uma delas melhor jeito é adquirir logo.
Mas, Fernanda é dessas pessoas com energia boa inspirada inspiradora. Já com medida que é a dela chego a outra camiseta e sinto explosão de girassóis surgir. E o doce que era aquele que foi nasce novo em outra textura.
Nasceram girassóis ao dispor da Fernanda, para que ela não fique aguada e perdida no sol que faz girar os girassóis.
Belo Horizonte, 10 janeiro 2009
PENSO DEMAIS

Penso em tudo
Penso em nada
Noite da noite
Dia do dia.
Penso de noite
Penso de dia
Noite do dia
Dia da noite.
Penso em mim
Penso nela
Penso em nós dois
Depois da noite
Depois do dia
Em tudo e em nada.

Belo Horizonte, 21 março 2003

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

GIRASSOL

É sempre complicado pintar por encomenda
GIRASSOL
Porque penso de um jeito não quer dizer que acontecerá do jeito que penso.
Fernanda sugeriu que eu pintasse camiseta com girassol, por hábito não trabalho assim. Pinto o que surge no momento, mas eis que um dia veio o tal girassol. A camiseta, por suposição minha, não era do tamanho servido para Fernanda. Mas girassol veio, pintei. No pensamento imaginei camiseta com girassol pronta para ir embora pelo interior das Minas Gerais. Fernanda mora em Araxá. Mas o que percebi não aconteceu.
Camiseta foi embora para Marília, interior de São Paulo, e agora recebo notícia que seguiu para o nordeste, Recife, lá em Pernambuco. Sei não, mas desconfio que essa camiseta ainda vai parar é lá no estrangeiro. Palpite que tem sim sua razão de ser.
Belo Horizonte, 09 janeiro 2009
INCERTEZA INDUBITÁVEL
Mundo instalado entre a guerra e a paz. Conflito de idéias, interesses diversos e a ganância buscando a prudência que insiste em revelar a imprudência.
Situações opostas. A guerra e a paz na dimensão de entendimentos perdidos em discursos estampados por intenções e protestos. Em meio a tudo isso, amor que parece perdido e sem espaço no mundo. O amor estrangulado e ameaçado por organismos que acabam desorganizando tudo. O amor revestido por máquinas e armas a comandarem seres humanos. A soberania humana sendo arruinada por poderes criados pela própria humanidade.
Mundo confuso. A guerra e a paz na dúvida e na certeza da incerteza indubitável. O amor na aparência que desaparece em meio a questionamento sem resposta. Tudo instalado no silencio que atordoa dúvidas.
Belo Horizonte, 18 março 2003

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

CAMISETA, CAMISOLA, T-SHIRT

Um entre tantos sonhos
CAMISETA, CAMISOLA, T-SHIRT
Em 8 de janeiro de 1965 morreu minha avó Natália. Não tenho nenhuma anotação, nada que não seja minha lembrança nesta data, porque eu tinha enorme afeição por minha avó, nascida na Ilha da Madeira, Portugal. Por isso é que tenho vontade de conhecer a ilha e de sentir sensação bem particular quando, pela Internet, chego até lá.
Até onde sei não tenho camiseta que pintei nem na Ilha da Madeira, nem em Portugal. Mas sonho sim em ver pessoas que estimo, de Portugal, um dia vestindo algumas camisetas pintadas por mim. E se sonho é por acreditar que é por ele que semeio a realidade. Não citarei nomes, mas tenho sincera sensação de que há ao menos uma pessoa, em Portugal, que leva todo jeito de vestir camiseta com os traços do meu sentir.

Belo Horizonte, 08 janeiro 2009
DO EGOÍSMO
Trabalhadores pedindo esmola porque o trabalho vai sempre e cada vez mais perdendo valor.
Valores confundidos porque assim ganha-se mais com a leviandade. Enquanto isso vamos confundindo e sendo confundidos pelas armadilhas a sugerirem falsas oportunidades. Entre a necessidade e a possibilidade, enorme diferença. O que então faz com que tenhamos a sensação da necessidade a encobrir possibilidades inteiras, entregues ao nosso próprio desprezo, ou à nossa mais cruel distração.
Se olharmos para nós mesmos e não encontrarmos mais ninguém, sinal que estamos muito mais perdidos do que pensamos. Se utilizarmos o trabalho só para nós mesmos, sinal que estamos na orla do egoísmo que só sabe cultivar o isolamento incapaz até de obter da misericórdia, a menor das esmolas.

Belo Horizonte, 10 março 2003

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

VIVER

Se não vivo de um jeito, vivo de outro
VIVER
Quando então percebo eis que sinto surgir em minhas mãos o desejo incontido de dançar, deslizar pelo pano em rastro colorido, lento ou rápido. Tão exuberante sentir o nascer da forma de cada forma.
Ao chamado de nova cor o despertar da tinta antes entornada em nada. Ela vem amiga numa meiguice capaz de desbravar a intimidade do sentir. Não há precisão, nada que confunda o fluir do sentimento na expressão da arte em pincel acordado por novo movimento que surge.
Pintar uma camiseta é ganhar do dia o próprio dia. É semear, é colher, é transpirar em cor e gesto.
Uma vez exausto, sei que fui, sei que saí, sei que vivi.

Belo Horizonte, 07 janeiro 2009
PÉTALAS FECHADAS
Ela não morreu
Não deixou de existir
Não caiu no desprezo
Não ficou esquecida.
Flor do cacau-selvagem
Adormecida no silencio
Permanece viva
Permanece presente.
Pétalas fechadas
Em sua busca
Introspectiva.
Flor do amor
Levado por ela
Que segue seu rumo.
Belo Horizonte, 28 fevereiro 2003

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

INSPIRAÇÃO

Tenho singular resistência à memória
INSPIRAÇÃO
Pode parecer estranho, mas não sei se pintei o que gostaria de ter pintado. Mas é assim mesmo, não é a primeira vez que acontece. Tão estranho quanto querer adivinhar reação de cada pessoa diante de cada camiseta pintada.
Eu tinha uma turma de amigos que apreciava a construção civil, máquinas, ferramentas, medidas e modos adotados em construções diversas. Era uma turma de bar e muita conversa. Só que os assuntos iam e vinham pelo que faziam. Discutiam sobre paredes e janelas, revestimentos e áreas terrenos que ocupavam noites inteiras de prosas sem fim.
Perdi contato com esse povo e se hoje lembro deles é exatamente porque eles são o que somos seres possuídos por suas ocupações. E faço essa relação aqui por causa das camisetas que resolveram vestir de vez minha inspiração.
Belo Horizonte, 06 janeiro 2009
CAMINHOS DO AMOR

A flor do amor,
Pétalas vivas,
Nasce para
Não morrer.
Ela cresce
Chega perto
Diminui e
Afasta-se
Sem morrer.
A flor do amor
É vida do viver,
Pétalas que abrem,
Ou fecham
Os misteriosos
Caminhos do amor.
Belo Horizonte, 21 fevereiro 2003

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

CAMISETA EM USO

Não é todo dia que conseguimos fazer tudo que queremos
CAMISETA EM USO
Ontem não pintei nenhuma camiseta porque não é todo dia que sou impulsionado a pintar. Poderia ter pintado, caso houvesse necessidade maior que tenho vontade de ter porque aí é sinal que as vendas acontecem.
Preciso vender as camisetas e por isso é que trato de divulgá-las. Numa situação de surpresa estive com o Regis que vestia camiseta que pintei. Foi presente de aniversário que dei a ele lá pelo meio do ano passado. Bom deparar com ele usando as camisetas porque o Regis é sujeito que tem bom gosto, está sempre bem vestido e porque ele anda muito, vai a muitos lugares. Minha esperança está exatamente aí, ter pessoas como o Regis usando camiseta que pinto.
Belo Horizonte, 05 janeiro 2009
SER BICHO
Ser bicho durante o dia não é fácil. Sobretudo quando da lembrança capturamos referências colecionadas pelo passar do tempo. Lindolfo nunca perdeu oportunidade de utilizar a metáfora dizendo que, nesse convívio metropolitano, somos forçados a matar um leão por dia. Quando não matamos, no outro dia o desafio torna-se dobrado. Em determinada circunstância, Camilinho para ilustrar atitude de alguém citou a existência do tal “amigo onça”. Para quem não sabe, amigo onça é o fulano que tem jeito de onça, andar de onça, olhar de onça, faro de onça, pinta de onça, mas que não é onça.
Agora imagine eu, Cavaleiro da Meia-Noite, amanhecendo peixe nascido e criado em limitado aquário. Longe de predadores, tratado com esmero e carinho, mas sem a liberdade de navegar por aí. O que também poderá ser excesso de escrúpulo, ao sentir falta de uma liberdade impregnada de sujeira. Pensando bem, até em estreito aquário poderemos construir nossa liberdade.
Belo Horizonte, 19 fevereiro 2003

domingo, 4 de janeiro de 2009

ASSIM QUE ACONTECE

Inicio 2009 determinado a divulgar camisetas que pinto porque preciso disso
ASSIM QUE ACONTECE
Cada camiseta que pinto conta com instante de amor. Pintar cada camiseta é por demais semelhante a fazer amor. Há um entusiasmo íntimo, carícia que evolui, gesto que aparece e permissão que se dá em contraste com o novo, o inusitado. Nunca sei no que vai dar quando pinto uma camiseta. E mesmo aquelas sugeridas são para mim surpreendentes.
Hoje não uso réguas, esquadros, compassos, nenhuma ferramenta além dos pincéis. Eles são poucos e próximos do que busco aspiro.
Cada camiseta que pinto leva consigo gesto de entrega minha.
Belo Horizonte, 04 janeiro 2009
DOS OLHOS
Haverá forma no desenho do mistério? Quando o cavaleiro da Meia-Noite percebeu minha dúvida ao não enxergar a espada por ele descrita, disse ser esta característica típica dos olhos que só sabem ver. Para ele, os nossos sentidos oferecem mais que meras funções. Há neles o agir do sentimento capaz de perceber o que está além imagens, sons e sabores, das superfícies e odores. Sentir o sentimento é expandir formas e forças saídas de suas próprias transparências.
A espada pretendida pelo olhar da mera averiguação, traz reflexo tão intenso, que ao invés de ofuscar, confunde os olhos sugerindo intrigante transparência. Sua forma, de robusta aparência, permanece desaparecida. Só com olhos sensíveis à luz da santa madrinha Luzia é que torna-se possível deparar com tão importante espada. E para exuberar o sentido do sentimento, completa o nosso herói, só dando fé ao acreditar. Do contrário permaneceremos cegados pela dúvida.
Belo Horizonte, 12 fevereiro 2003

sábado, 3 de janeiro de 2009

INCLINADO

Eu no delírio das camisetas
INCLINADO
Não posso parar de pensar nas camisetas. Elas acordam comigo depois de percorrerem por meus sonhos e delírios. Meus dias vestidos por elas tentam encontrar o sustento que se perde em expectativas lavadas pela chuva que aparece e desaparece. Se permaneço exposto ao mundo, eis que as camisetas permanecem expostas à minha intenção de ser alguém. E por mais que eu tente, não consigo ter como dar sustento ao eu que permanece aqui, que permanece em mim.
As camisetas talvez representem o registro de mais um dos tantos enganos que coleciono em meu viver. Mas sinto-me inclinado a admitir que o engano seja eu e não elas.
Belo Horizonte, 03 janeiro 2009
CACAU-SELVAGEM
O que estará fazendo o amor em uma flor? Mais intrigante é percebe-la tão viçosa e tão solitária na sombra da noite, quando sua natureza é a de formar-se em cachos.
A flor do amor é a de um encantado cacau-selvagem nascido de intrigante solidão. A árvore jovem ainda, traz consigo mistério de alguma mensagem. O amor denunciado por essas pétalas nutridas pela cor da lua, desafia espaço e pensamento a cavalgar em minhas noites. É sonho florescido por essa realidade a confundir pétalas e peles. É presença feição estampada por coincidente suavidade.
Cavalo Robiara respira comigo silencio que estendemos à flor que chega a sugerir voz muito meiga, a só oferecer estímulo às palavras. Pego-me falando com Robiara que parece indiferente ao que digo.
Será o amor flor de cacau-selvagem?
Belo Horizonte, 06 fevereiro 2003

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

JEITO DE CELEBRAR

Não posso prescindir do meu convívio com as camisetas por mera questão de sobrevivência
JEITO DE CELEBRAR
São muitas as maneiras de celebrarmos, são muitas as datas que trazem muitos significados às nossas vidas. Assim é que acontece com o passar de cada ano.
Pois digo que celebrei o ano novo com pintura em uma camiseta. Não direi que pintura é esta e nem nada sobre ela, porque não quero que fique com esse registro. É uma em meio a tantas.
Mas resolvi celebrar assim o ano novo porque percebo estar muito da minha esperança nessas camisetas. Elas carregam sonhos e propósitos vividos por mim, em mim.
Sinto-me então instalado no ano novo justo quando assino pintura na camiseta.
Belo Horizonte, 02 janeiro 2009
EU AGORA
Dia amanheceu com penas azuis e amarelas. Sol voou em meu dorso arara que buscou sombra naquela árvore enorme. Lugar distante e desconhecido. Sítio à margem da cidade. Coimbra que diz possuir melhor clima do mundo.
Ao frescor da árvore, meditei num silencio confundido por folhas quietas a respirarem ruído de vento manso. Nuvens no céu chamavam chuva. No chão, lama de água passada. Segui rumo ao litoral. Calor fez verão invadir janeiro de singular beleza. Sol voando na luz da paisagem colorida. Até que cheguei naquela palmeira altíssima. Do pouso, o mar distante na maré de meus olhos. Na praia, pescadores e barcos abarrotados.
Farol de São Tomé.
Sobrevoei observando horizonte que era pura água. Foi aí que percebi ser o céu líquido.
Belo Horizonte, 22 janeiro 2003

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

CHEGOU 2009

E já que estamos em novo ano, que sejamos capazes de transformar propósitos em ações concretas
CHEGOU 2009
Há uma sensação de que o tempo está cada vez mais veloz. Não acredito nisso posto preferir acreditar numa velocidade imposta por cada um de nós ao nosso tempo. Aliás, tenho minhas dúvidas com relação ao que de fato é o tempo.
Mas, com ou sem dúvida, o que fato é que pelo calendário que adotamos chegamos ao ano da graça de 2009. Se mais ou menos preparados para o convívio dos dias que estão por vir também não sei. Mas sei que pelo fato de estarmos no primeiro dia de janeiro estamos em novo ano e isso, ainda que a rigor não signifique nada, pode ter muita finalidade. O que depende da nossa crença. E temos a liberdade para acreditar no que quisermos.
O ano está novo e por isso com enorme poder de sedução. Desafia nossa disposição e se mostra de todo tamanho. Não sei, mas tenho a sensação de que nem o cão Jota escapa deste momento próprio e muito próprio de qualquer ano novo que se preza.
Belo Horizonte, 01 janeiro 2009
IDÉIAS
Vamos e voltamos a lugares que nunca são os mesmos. Ruas de lembranças construídas agora, por casas nunca vistas antes. Há surpresa na lembrança e no sentimento que tenta o esbarro em referências perdidas e achadas em nossos íntimos.
Para quem já viveu nascer outro não é diferente, muito embora não seja a mesma coisa. A diferença está em tudo, para que não percamos a ânsia da caça pelas semelhanças.
Cavalgar à margem do rio é estar indo para a nascente ou para o mar. Nascer para o rio, é ir para o mar. E o mar é infinito que desafia medida, início e fim. É como a noite que sempre parece ser a primeira e a última. Mas eis que entre cada dia ela aparece, para que entre seus mistérios também apareça o dia.
Belo Horizonte, 20 janeiro 2003