Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

quinta-feira, 30 de abril de 2009

NÃO PARO

Porque não paro é que encontro
NÃO PARO
Porque estou vivo é que não posso e nem devo parar. Porque não paro é que invento moda solto conversa ouço o que o outro tem a dizer e sigo. Lógico que por vezes paro porque ninguém é de ferro e por isso brinco e rezo porque se tem algo que gosto de fazer sentir é amar. Recomendo o amor para todo e qualquer conflito e fico aflito com a tristeza alheia.
Quando vem desavença sinto gosto ruim e se antes reagia enfurecia hoje engulo tomo água cerveja e uísque também. Se tem cachacinha da boa não recuso amanhã celebro aniversário que não é meu, mas que é de cria minha.
Os Folhetos Cadinho RoCo nascem para o ano doze e seja lá o que Deus quiser porque sinto querer dele em mim e assim está bom melhor impossível.
Belo Horizonte, 30 abril 2009
ANO OITO
Fazer aniversário é mesmo interessante. Somos impulsionados naturalmente ao termo sincero íntimo da lembrança. Tudo que aconteceu surge assim de forma meio sombria questionando o que está por acontecer.
Os folhetos que escrevo produzo, neste primeiro de maio nascem para o oitavo ano de existência. Mesmo sendo provocado por mim mesmo, nenhuma palavra escreverei do que passou passado está. O que está por acontecer, parece provocar desafiar minha fé sempre acordada pela disposição em querer seguir. E diante disso, o propósito de estar abrindo novos caminhos, de estar levando sempre e cada vez mais a mensagem dos folhetos e a certeza de que sempre e de algum lugar estarei estaremos recebendo o aceno de algum novo e tão necessário patrocínio.
Por isso é que devemos estar, estejamos onde estivermos dispostos e disponíveis ao nosso acreditar. Só assim é que conseguiremos passar o sentimento vivo da entrega merecedora de vindas a patrocinarem valorizarem o quanto é importante dar e receber para qualquer um de nós que também somos todos nós.
Belo Horizonte, 28 abril 2005

quarta-feira, 29 de abril de 2009

AGENTE DE VENDAS

Vale acreditar no potencial dos blogs
AGENTE DE VENDAS
Vez por outra preciso de tocar no assunto folhetos e camisetas porque é só por aqui que consigo divulgar aquilo que faço.
Preciso do patrocínio para os folhetos e da venda das camisetas, bem como do reconhecimento pelo que faço em favor do blog que assino na Internet. E com relação à Internet devo revelar reconhecer episódio interessante.
Depois de pensar e até oferecer alguma resistência, aceitei inclusão dos anúncios trazidos pela empresa Google ao Cadinho. Nem faz tanto tempo que esses anúncios surgiram no blog, mas já posso dizer estarem eles surpreendendo minha expectativa. As pessoas que chegam ao Cadinho estão sim atentas aos anúncios e sei disso porque tratam de abri-los para saberem mais do que eles tem a oferecer. Sei disso porque são por essas consultas aos anúncios que sou remunerado.
Tanto os folhetos quanto o Blog Cadinho se prestam a vender sim. E digo isso porque não fosse o Cadinho como é que eu conseguiria vender as camisetas? E como se não bastasse, agora tenho a resposta dos anúncios Google a demonstrarem ser o Blog Cadinho interessante agente de vendas.
Belo Horizonte, 29 abril 2009
FAÇANHA DOS NOMES
Daniela é amiga da Manuela que é irmã da Daniela. A Daniela amiga não é a Daniela irmã, muito embora a Daniela amiga seja verdadeira irmã da Manuela irmã da Daniela que coloca-se como legítima amiga da Manuela.
A Mônica é filha da Mônica. A mãe da Mônica também é filha da Mônica. Sendo assim, a Mônica é também neta da Mônica cuja filha chama-se Mônica, mãe da Mônica. São três pessoas identificadas pelo mesmo nome. Fato diferente curioso, por ser comum filhos com nome do pai, ao invés de filhas com nome da mãe.
Gervásio é neto do Gervásio que é filho do Gervásio. Então temos o Gervásio bisavô e o Gervásio avô que também é pai do Gervásio que tem um filho com nome Gervásio. Então temos o Gervásio pai, o Gervásio Filho e o Gervásio Neto.
E a Manuela que parece só e perdida em meio a tanta coincidência, é sobrinha neta da Manuela, que todo mundo conhecia tratava por Marieta.
Belo Horizonte, 20 abril 2005

terça-feira, 28 de abril de 2009

O TRIÂNGULO

Depois que crescemos criamos vínculos com o que fazemos
O TRIÂNGULO
Para que entendam melhor o que faço, nada mais simples do que considerar imagem de um triângulo. Em uma ponta estão os folhetos, na outra o blog e na terceira as camisetas. Os três pontos ligados por única imagem a mostrar o quanto estão as três atividades interligadas. Só que apenas uma delas rende o dinheiro necessário para a manutenção do triângulo. Razão para que a venda das camisetas esteja sempre estimulada sem, no entanto, perder esperança do rendimento brotado de patrocinadores para o blog e folhetos.
Belo Horizonte, 28 abril 2009
SER NINGUÉM

No silencio de tudo
Mundo dorme
Sono suave.
De tantas imagens
Quietude na alma
Que sonha em busca
De novo e surpreendente
Despertar.
Conversas guardadas
No constante palpitar
Do coração.
Dia amanhece solto
No fazer outro
De um mesmo viver.
Belo Horizonte, 15 abril 2005

segunda-feira, 27 de abril de 2009

DA MISSÃO

A pintura citada neste texto está em exposição na coluna ao lado
DA MISSÃO
As pessoas que me conhecem a mais tempo sabem da minha trajetória, por 35 anos, com as palavras. No primeiro de maio a celebração do nascimento dos Folhetos Cadinho RoCo que ingressarão no ano doze e que por modesta estimativa já superam a marca de mais de cem mil exemplares distribuídos mundo afora.
Nada que faço escrevo hoje surge por mero acaso. O Blog Cadinho é uma das tantas conseqüências desse meu agir que trato como missão, bem como a presença das camisetas que pinto com frases caligrafadas por mim.
O amor tanto mata quanto ressuscita. Esta frase surgiu em texto que escrevi e agora aparece em camiseta que pintei sob encomenda. Na camiseta, a caligrafia do autor. Na caligrafia, a origem da frase, posto que antes escrevo, ao invés de digitar, textos que crio.
Belo Horizonte, 27 abril 2009
CATÓLICO CAÓTICO
O católico caótico é justamente aquele que insiste em aproveitar-se da igreja pela ação de tão infelizes oportunismos. É aquele que usa a ocasião para promover seus interesses pessoais devidamente camuflados por postura outra.
O católico caótico é o que nunca tem tempo para colocar-se diante do Senhor. Mas quando a situação aperta, eis que surge o caótico possuído pela mais fervorosa fé, em busca do auxílio amparo de Deus. É o que diz ser tão próximo do que está por ele mesmo tão distanciado do seu agir. É o que persegue a aparência exatamente para por ela esconder a vaziez do seu espírito. É o que entrega-se ao poder mundano passageiro, na crença de que assim estará salvando seu próprio ser. É o que utiliza a humildade em calorosos discursos que não conseguem chegar ao termo das atitudes.
O católico caótico, não sabe o que diz.
Belo Horizonte, 11 abril 2005

domingo, 26 de abril de 2009

AMANTE DO AMOR

A camiseta aqui citada é de tamanho grande, branca e está à disposição de quem quiser adquiri-la. A pintura está exposta na coluna ao lado.
AMANTE DO AMOR
Todo tempo é tempo de amar. Mais uma frase que estampo pinto em camiseta.
Pra ser sincero não consigo definir o tempo. Mas sei que todo tempo é tempo de amar porque o amor é sempre oportuno. Não há situação na vida em que o amor não caiba. Aliás, é exatamente pela ausência do amor que passamos por tantas desavenças e desajustes.
Sou amante do amor e dele não prescindo nunca.
Belo Horizonte, 26 abril 2009
INTRANSIGÊNCIA
Vizinhança resolveu reclamar dos patos patas que meu primo cria em sua casa. O que poderia trazer alguma pertinência, oferece atitude de intransigência um tanto exagerada. É por aí que o convívio humano torna-se difícil, complicado e por tantas vezes gerador de conflitos tão insanos quanto dispensáveis.
Estivesse a casa do meu primo construída em área urbana de cidade dita grande e com modos e hábitos devidamente artificializados por tantas obras e manobras ditas da civilização metropolitana, o caso seria entendido sem qualquer reserva. Mas, não é assim.
Estamos aqui tratando de uma casa de campo, construída em Lagoa Santa, município inserido ao que citam como grande Belo Horizonte, com todas as características de uma cidade do interior, de pequeno porte. Daí a existência de quintais, pomares, jardins, galinheiros, viveiros e tudo que possa relacionar-se a uma típica construção provinciana. Acontece que, por estar próxima da capital Belo Horizonte, a cidade sofre com a invasão de pessoas que querem conviver com seu bucolismo, sem no entanto se permitirem a ele. Aí, fica difícil.
A intransigência é, no mais das vezes, de enorme infelicidade. Pior do que não conseguir ser feliz, é passar a não suportar a felicidade alheia. Em situação assim, haja paciência.
Belo Horizonte, 01 abril 2005

sábado, 25 de abril de 2009

ALTA EXECUTIVA

Existem profissões camufladas por outras
ALTA EXECUTIVA
Da noite para o dia transformou-se em jovem bem sucedida, vai toda semana a Brasília, voos típicos de alta executiva. Vai e volta exausta, casa reformada piscina salões de beleza paparicam bajulam prestam serviços caríssimos. Ossos do ofício muita maquiagem roupas elegantes aparência é tudo. Amante fiel de dois líderes do Congresso Nacional e mais parlamentares empolgados pelo primeiro mandato.
Alta executiva. Trabalha para e pelo povo que é quem paga por seus serviços pessoais confidenciais íntimos. Detesta política, mas ama seus políticos clientes liberais, trabalhadores, democratas, socialistas, verdes, maduros, brasileiros bem votados e eleitos por ela tão oficiosa quanto eficaz.
Alta executiva que já pensa em tornar-se congressista porque a vida não se restringe ao sexo. Detesta política, mas isso é só detalhe.
Belo Horizonte, 25 abril 2009
IDAS DOS FOLHETOS
Hoje recebo notícia de que os Folhetos Cadinho RoCo estão chegando em Goiânia, Florianópolis, Brasília e São Paulo.
Certa vez quis conhecer Goiânia. Segui viagem e passei dia inteiro por lá, retornando à noite. Nunca dormi em Goiânia.
Estive também por uma vez em Florianópolis, de passagem. Nunca dormi em Florianópolis. Já em Brasília e São Paulo, perdi a conta de quantas vezes estive nessas duas cidades e por quantas vezes dormi nelas. Sinto saudade de Brasília e São Paulo. Sinto vontade de voltar e dormir em Florianópolis e Goiânia.
Belo Horizonte, 26 março 2005

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ELA ESPERA

Houve época em 2005 que fiquei literalmente possuído pela necessidade do patrocínio
ELA ESPERA
Chegou em casa exausta. Dormiu acordou cobriu descobriu corpo lençol e travesseiro em único desalinho sem ter menor noção da hora que pode deve estar pelo meio da manhã. Olhos abertos pela torneira água que cai do chuveiro banho refrescante. Ideias lavadas e levadas ao dia que surge perfumado penteado bem vestido. Ao invés de sapatos sandálias em pisadas leves discretas compras interrompidas pela chamada telefônica. É ele.
Apetite despertado, salada verde vermelha e branca porque gosta de palmito. Lá pelas tantas lembrança saudade no outro banho solitário, porém envolvido por espuma de toques certeiros. Sussurro gostoso depois enxugado pela toalha grossa felpuda macia.
Ele chegará mais tarde enquanto ela espera que seja cedo o bastante para que o encontro seja celebrado por salutar e não menos intenso despertar.
Belo Horizonte, 24 abril 2009
FAZER O BEM
Esta conversa de patrocínio é boa e ruim ao mesmo tempo. Boa porque é do patrocínio que possibilidades materiais aparecem no propósito de concretizarmos o que não está aberta a todo e qualquer empresário, ou empresária. Tem muito comerciante por aí que não consegue perceber nada que não represente lucro físico, ou seja, mercadoria em troca de dinheiro e fim. São, no mais das vezes, pessoas sovinas, cercadas por bajuladores interessados e só interessados em obter essa aquela vantagem sobre eventuais transações que vão surgindo desses relacionamentos tão mesquinhos quanto artificiais.
Patrocinar não é estabelecer relação de desconfiança, ou de puro e simples negócio firmado pelo expediente da compra e venda. O mundo não é só isso.
Patrocinar é participar de um projeto, estimular exercício daquilo que estará exuberando alguma ação a promover bem coletivo. Aqui é que se ajusta a questão do patrocínio, que com sua assinatura estará assumindo propósito de termos todos oportunidade de vivenciarmos juntos momentos que possam estampar motivação para nosso mais simples e direto crescimento.
Belo Horizonte, 22 março 2005

quinta-feira, 23 de abril de 2009

CADÊ FÔLEGO?

Depois de tudo o mundo parece outro
CADÊ FÔLEGO?
Mexeu daqui assanhou dali ela aceitou saíram sumiram do mundo porque momento queria buscava discrição. Lá onde estavam calor no exercício do carinho trouxe empolgação de lábios mãos dedos e quando perceberam eram corpos que tremiam na aflição de insaciável prazer. Saliva na sede do outro, línguas lambidas lambuzadas por odores sabores tudo coisa do outro mundo.
Era a primeira vez que se permitiam ao amor em carne e gozo ainda não, agora não, segura vontade impulso prende respiração num mergulho ainda mais profundo. Entrou sentiu enfiada definitiva do que era mais que sangue no coração.
Era a primeira vez daquela tanta empolgação mordida em beijos chupados por instante com jeito de querer mais e muito mais querer. Coisa do outro mundo em erupção abalo físico cadê fala cadê fôlego?
Belo Horizonte, 23 abril 2009
ESPÍRITOS

Garfos e palitos
Palavras e conflitos
Fantasias e mitos
Silencio de gritos.
São gestos ritos
Cabras cabritos
Vôo de periquitos
Doces faniquitos.
Ovos fritos
Olhos esquisitos
Porém solícitos.
De todos os atritos
Carinhos bonitos
Instantes infinitos.
Belo Horizonte, 13 março 2005

quarta-feira, 22 de abril de 2009

TUDO ACONTECE

Sempre acontece alguma coisa
TUDO ACONTECE
Percebo que todo dia é dia de fazer coisas e mais coisas. Acordo na sensação de que já é tarde, mas certo de que posso hoje acordar tarde. Intrigado tento entender o que é cedo ou tarde.
Comensuro horários em minha vida de tantos afazeres. Mas desprezo a sensação de ter hora para fazer tudo. Inverto situação e faço hora que quero no tempo que tenho para mim mesmo.
Pronto para pintar camiseta busco a vontade que aparece como que por encanto. Mas recebo convite para sair e saio. A camiseta que não pintei ontem é a que poderei pintar hoje.
Tudo acontece quando tem de acontecer.
Belo Horizonte, 22 abril 2009
DIA SEM DIA

O dia
Deixou de ser
Dia
Do dia.
Foi sono sumido
Sonho fugido
Foi dia sombrio
Foi dia sem dia.
O dia passou
Sem passar
Pela vida
Que ficou perdida
Engolida pela
Escuridão do seu sono.

Belo Horizonte, 06 março 2005

terça-feira, 21 de abril de 2009

PARA SER

Ser para ser
PARA SER
Para ser é preciso ser. Frase que criei usei em pintura de camiseta branca porque para ser é preciso ser. E não há nada mais elementar do que simplesmente ser. Sim, porque querer complicar é levar ao ser o que não é da sua natureza, é transformar o ser em outro ser num artifício danado de perigoso. Depois lá na frente percebe que fez o que não queria, não fez o que queria, tempo passou e agora?
Alguém surgirá pra dizer que nunca é tarde. Para o presente nunca é tarde, mas para a vida tempo passado não volta de jeito nenhum.
Então para ser há de ser considerada alguma necessidade porque ser por ser também é de uma falta de graça sem tamanho. Razão para que o presente acorde não durma no ponto que uma vez ido ao passado já era.
A propósito, a camiseta está ao dispor de quem quiser vesti-la.
Belo Horizonte, 21 abril 2009
RESSACA DAS PALAVRAS

Bebeu falou demais
Confundiu palavras
Contou tudo
Antes segredo.
Deixou escapar
O que não era
Para ser dito
Daquele jeito.
Quando percebeu,
Tarde demais
Para voltar.
Dia seguinte
Melhor mesmo
Foi ficar quieto.

Belo Horizonte, 27 fevereiro 2005

segunda-feira, 20 de abril de 2009

TEMPO DA ESPERA

A espera tem lá o seu rigor
TEMPO DA ESPERA
No tempo da espera muitas são as aparições, muitas são as ameaças.
No tempo da espera a presença das provocações e aí é que está o grande sentido de tudo, porque ou aprendemos a esperar ou nos rendemos à ânsia em querer resolver a situação de uma só vez. É que no tempo da espera é preciso acreditar para que não sejamos afogados pela dúvida.
No tempo da espera vale mais o silencio porque se bem pensar não há muito o que dizer no tempo da espera.
Belo Horizonte, 20 abril 2009
A BARGANHA
Não é de hoje que políticos medíocres utilizam a boa vizinhança em benefício próprio. Quando perde o mandato poder em algum estado município, eis que algumas militâncias partidárias desempregadas deslocam-se para o desavergonhado amparo de novo emprego, que em outros termos representa a manutenção de votos, com respaldo do poder público. É exatamente o que passa a acontecer em Brasília, após resultado das eleições municipais. O anúncio da criação de novos cargos nomeações e vagas no serviço público federal, supera a mera coincidência dos fatos frente a tão auspiciosas oportunidades que, por simples casualidade, conferem enorme afinidade com integrantes de um mesmo círculo político partidário.
Será esta atitude digna de um país marcado por tanta escassez? Assim é que vamos deparando com verdadeira avalanche de equívocos e surpreendentes resultados a insistirem em querer fantasiar com o discurso da abundância, a realidade de ações tão mesquinhas quanto eleitoreiras. Assim, como é que fica todo aquele propósito em estimular e trabalhar para emancipação do voto consciente isento e livre de toda e qualquer barganha?
Belo Horizonte, 24 fevereiro 2005

domingo, 19 de abril de 2009

NASCEMOS

Nascemos sempre
NASCERAM
Nasceram peixes, eu vi. No aquário nasceram peixes eu vi porque tudo aconteceu justo quando observava a fêmea que num impulso soltou a cria.
Sensação de amor vida que surge naquele corpinho minúsculo e protegido por parede transparente para que peixe outro não venha e coma engula aquele que agora quer vida. Salvas estão uma, duas, tantas vidas que nascem de fêmea que liberta todos que nela já não são só sementes.
Razão para pensar em tudo que cultivo em meu viver.
Belo Horizonte, 19 abril 2009
PENSAR SOZINHO
Subo pensando na seqüência de todas as coisas, acontecimentos que vão provocando trazendo outros. Tudo no início de cada movimento que vamos assumindo em nossas vidas.
Aquela voz traz consigo a presença de alguém que sugere outro alguém, cuja postura traz a lembrança de outra situação estampada pelo passado que assume direção outra daquela que estava no pensamento agora. A gente pensa lembra vive convive com tantas coisas instantes perdidos encontrados por contingências que também exercem influência na vida da gente. O caminhar sugere ao intimo intenso passeio de idéias pensamentos.
O mundo estará dentro ou fora do buraco? Assunto do pensar sozinho que desloca-se para outro, com incrível facilidade velocidade. Aquela voz parece fazer lembrança falar de algum possível sonho acontecimento.
Subo no silencio atento ao mais suave surgir daquela voz que traz presença dela ao querer que quer encontra-la. A gente sempre quer encontrar alguém.
Belo Horizonte, 17 fevereiro 2005

sábado, 18 de abril de 2009

O PEIXE E EU

Das nossas buscas
O PEIXE E EU
No aquário aquele peixe espada macho não traz nada de extraordinário em sua aparência. No entanto, seu desempenho é incansável. Na condição de legítimo reprodutor, inquieta fêmea que trata de se esconder em meio à vegetação. Ele vai volta ensaia coreografia e parte pra ela que foge escapa. Mas será que foge ou brinca pra assanhar mais o bicho?
Penso nas camisetas enquanto observo os peixes. Nenhuma relação entre peixes e camisetas, até porque peixe não usa camiseta e nem as camisetas dão menor notícia dos peixes.
Preciso vender camisetas. Fico qual peixe numa coreografia alucinada entre folhas dos acontecimentos na ânsia de vender camisetas. Eis relação que percebo entre situação do peixe e esta minha, ambas marcadas pelo espírito da busca.
Belo Horizonte, 18 abril 2009
BURACO VIVO

Mangueira manga
Sabor maduro
Casca polpa
Caroço semente.
Cova buraco
Terra água
Mergulho que desce
Em busca da vida.
Silencio sombra
Ausência quieta
Luz que vem brotando.
E nasce a planta
Raiz caule tronco
Folha flor fruto.

Belo Horizonte, 05 fevereiro 2005

sexta-feira, 17 de abril de 2009

VESTIU PARA DESPIR

Em cada instante o encanto das sutilezas
VESTIU PARA DESPIR
O amor tanto mata quanto ressuscita.
A frase veio num instante em que observo aquário reluzente, plantas lindas, peixes encantados. Sinal de que está tudo bem. Mas, como tudo na vida, não é sempre assim. Por isso concluí ser o amor capaz de matar e dar vida com a mesma intensidade. Não adianta perder paciência nem contestar porque é assim mesmo.
Um dia compro camisetas, no outro vendo. Invento formas, desenho sensações, pinto frases a tingirem meu pensar.
Saudade da Aline que um dia disse não ser camiseta que pinto suscetível à moda por ser obra de arte. Primeiro matou para depois ressuscitar a camiseta. Vestiu para despir, tal como acontece com qualquer um de nós.
Belo Horizonte, 17 abril 2009
ÁGUA DE PEDRA

Sou levado a subir
Sou elevado ao subir
Sou chão que sobe
Sou subida deste chão.
A terra é funda
Profundo mistério
Que abre fecha
Frestas olhos da terra.
Sou terra na pele
Pés que pisam na terra
Eu empoeirado.
Sou terra na sede
Transpirar úmido de pedras
Eu bebendo água.

Belo Horizonte, 29 janeiro 2005

quinta-feira, 16 de abril de 2009

NOVAS IMAGENS

Se ao menos tenho a chance de tentar, eis que tento
NOVAS IMAGENS
Se antes eu tirava fotos das camisetas que pinto para exibir na coluna do Blog Cadinho, eis que resolvo mudar. Agora só fotografo pinturas com frases que crio. Mais uma tentativa de fazer com que, pela Internet, as pessoas tenham acesso às pinturas que faço nas camisetas. Mas já percebi que nem assim consigo muito. É que não sou fotógrafo e nem tenho equipamento que possa fornecer fotos bacanas, limpas, nítidas, espetaculares.
Faço o que posso. Para obter câmera que dê a mim as tais fotos exuberantes preciso vender camisetas. Ou então continuar na crença de que virá o que tanto espero e que não é hora de entrar nesse assunto. Enquanto isso, pinto e vendo camisetas que estão aí à espera das aquisições que, cá entre nós, podem crescer mais e muito mais.
Belo Horizonte, 16 abril 2009
LEVANDO A VIDA
Se o que quero é subir, não me venha com proposta para descer. Aí é que está a questão. Fato é que quando ficamos retidos por nossos interesses, deixamos de perceber o outro que por tantas vezes age como verdadeira extensão nossa. Daí a vinda de tanta inversão de valores.
Subo pensando no que faz ser a realidade deste buraco e no que faz ser o que acontece além buraco. Aí é que questão aparece novamente. Percebo existência de muita gente a transitar por onde pensa ser este, outro lugar. Razão pela qual estamos todos expostos a trilhas inteiras de ilusões que vão desencadeando outras, numa sucessão por tantas vezes imperceptível para nós.
No fundo do buraco, o buraco parece não existir. O que mostra com incrível nitidez, o quanto somos suscetíveis a enganos e mais enganos. Enquanto isso, tempo passa levando a vida para lugares nunca antes vividos. É sempre assim.
Belo Horizonte, 28 janeiro 2005

quarta-feira, 15 de abril de 2009

RECONHECIMENTO

Ninguém cresce sozinho
RECONHECIMENTO
Na televisão do domingo de Páscoa a Rede Globo exibe o Programa do Faustão que anuncia como a música do ano, “Tem que ser Você”, autoria do Leo que compõe a dupla Victor e Leo.
Ao saber da notícia lembro de imediato do amigo Lino Toscano que trabalhou muito para o sucesso do que, na época, mais parecia aventura. Acontece que Lino Toscano tem a sensibilidade para descobrir talentos e por isso seu nome pode perfeitamente ser encontrado lá na nascente da carreira da dupla hoje conhecida e reconhecida pelo Brasil afora.
Aproveito ocasião para duas observações.
A primeira para enaltecer o quanto é importante reconhecer quem um dia fez tanto pela trajetória de alguém, porque o sucesso esteja ele onde estiver não surge de ação solitária. E a segunda, até como consequência da primeira, para chamar atenção do quanto é importante e necessária a intervenção profissional de quem tem a capacidade de produzir e promover o sucesso, porque ninguém nasce sabendo.
Belo Horizonte, 15 abril 2009
ACONTECER DO ACONTECIDO
Tudo pode acontecer assim, sem muita razão de ser. Refiro-me ao agir espontâneo da vida que surge por insinuações manifestações a conduzirem nosso vagar para o inesperado não planejado. Resolvi subir por este aquele labirinto que levou-me ao encontro desta aparição que agora permanece viva presente em minha lembrança sei lá por qual motivo. Continuo seguindo subindo por esse caminho tendo-a como insistente companheira de pensamentos interferidos por sua participação. Estará ela pensando em mim?
Não há qualquer motivo aparente para que isso esteja acontecendo. Fato é que está, muito provavelmente para que eu saiba conviver em paz com os caprichos dos mistérios. Somos então induzidos a ser parte do inesperado inexplicado, muito provavelmente para que não sejamos levados à ilusão de uma plenitude que à luz da verdade não possuímos. Somos limitados, expostos e sujeitos a interferências que mexem mesmo com o âmago do nosso ser, independente do que diz pretende o querer.
Belo Horizonte, 21 janeiro 2005

terça-feira, 14 de abril de 2009

FAZER

Entre querer e fazer a sutileza de interessantes diferenças
FAZER
Toda negociação é boa quando por ela flui o entendimento. E para que o entendimento seja preservado é evidente haver a necessidade do cumprimento do antes acertado. Coisa puxa outra e quando esta coisa começa bem a tendência é a de seguir bem. Por isso é que, em princípio, não há motivo para ficarmos entre ponderações a só conferir atraso ao que quer e precisa avançar.
Das camisetas aos textos que escrevo não tenho como escapar daquilo que determino fazer, se é que de fato quero fazer. Aí é que está o propósito profissional da coisa, que é o de professar aquilo que então é o fazer que sei e quero fazer da vida. Razão pela qual eis que surge o negociado capaz de oferecer o reconhecimento e, por consequência, a valorização do que faço e fazem de suas vidas.
Somos fruto do que fazemos.
Belo Horizonte, 14 abril 2009
CONVERSA AFIADA
Prostituiu-se.
Tão logo ouvi aquela conversa, no íntimo imediata reação. Será?
Depois de vagar por tantas noites encantadas por tantas aventuras, dizem que decidiu prostituir-se. Mas, sabemos todos, que dizer dizem muitos sobre muitas coisas. Conheço a mulher citada e por isso mesmo percebo ecoar no intimo o mais vivo termo da dúvida. Será?
Além de já não ser nenhuma criança adolescente, trata-se de uma mulher emancipada e com reconhecida carreira profissional, com escritório instalado, cartão de visitas com endereço e tudo, sobrenome que ela faz questão de enfatizar peso de sua tradição e mais um bocado de detalhes completamente contraditórios ao agir proceder de uma prostituta. Mãe de filha que já deve até ter constituído família, dando-lhe um ou mais netos. Mas, nada disso impede, rigorosamente, que ela tenha escolhido para esse seu momento de vida, a prostituição. Se é assim, da dúvida esbarro na afirmação. E daí?
Continuo andando por essa passagem plana, que mostra perfil de uma cidade. Nesse vagar penso comigo na força poder de conversas que fluem até mesmo pelos meandros de buracos como este. Será possível?
Belo Horizonte, 14 janeiro 2005

segunda-feira, 13 de abril de 2009

ASSINATURA

No início tudo parece impossível
ASSINATURA
Conversa começou de um telefonema, amigo de muitas datas. Projeto proposta de trabalho que nasce brota com vigor disposição.
Agora aguardamos assinatura de uma terceira pessoa. Contrato que formaliza tudo para que estejamos todos firmados pelo que buscamos queremos alcançar.
É início de caminho a ser desbravado. É trabalho com boa perspectiva. Mas é preciso que haja agora uma assinatura. O jeito eficaz de iniciar ação para que mais tarde venham bons frutos. É só uma assinatura.
Belo Horizonte, 13 abril 2009
BURACO DAS APARIÇÕES
Descia eu distraído por aquela trilha que tinha forte semelhança com uma avenida. Quando passava por ali, observei entrada à esquerda, composta por leve elevação com degraus e pequena área plana com uma saída lá no fundo. Exatamente nesse lugar foi que deparei com Conceição varrendo aquele chão. Imagem curiosa e interessante, por haver nela singular mensagem. Imediatamente entendi necessidade que temos todos em estarmos atentos e dispostos a manter nossos caminhos limpos e acessíveis às pessoas que surgem ao nosso encontro.
Conceição ainda falou do quanto é saudável acreditarmos naquilo que queremos e buscamos. Aí está o grande segredo da sorte merecedora do nosso cultivo, para que não fiquemos ao puro e simples sabor do azar. Em síntese, acreditar é conviver com o que define a sorte, enquanto que duvidar é estar permitindo que o azar assuma o comando dos nossos propósitos.
Belo Horizonte, 10 janeiro 2004

domingo, 12 de abril de 2009

VOLTAS

Vivemos em meio a voltas infinitas
VOLTAS
Evidente que tudo que acontece em nossas vidas tem razão de ser. Não importa se percebemos ou não. A razão vaga livre por aí.
Na ressurreição das possibilidades é que surge ocasião para sentir existência dos ciclos. Crescemos pelas voltas que damos vida afora e que estão sempre em processo de renovação inovação. O novo substitui o velho numa sucessão sem fim. E nesse processo o avanço contradiz o retorno porque nunca encontramos duas voltas iguais, por mais semelhantes que possam parecer. Por isso mesmo é que nascemos e morremos sempre.
Belo Horizonte, 12 abril 2009
LUZ AZULADA
Foi tudo obra do inesperado. De repente enorme clarão e da luz a inconfundível presença dela que pediu-me instante de silencio prece e serenidade para que eu ouvisse sentisse o que ela tinha a dizer transmitir. Sua presença trazia a presença de muitas outras pessoas.
O ano passou por aquele lugar que então fez-se sagrado. E desse sentimento a necessidade de sermos todos mais atentos ao outro, ao nosso semelhante, ao que buscamos fazemos por quem convive conosco quando ficamos expostos a tantas pretensões meramente pessoais. Distinguir o indivíduo de um individualismo contraditório, mesquinho e ineficaz. Acordar para a prudência necessidade que temos todos em estar contando dependendo de tantas outras pessoas. Ser presença viva no estar agir da solidariedade. Saber que de nada adianta sermos bons ótimos, onde quer que estejamos, se não conseguimos atingir a grande virtude da divisão. É tolice delírio ser o melhor insuperável só para si mesmo. Melhor é perceber que o máximo é pura e simples ilusão.
Ela do alto de maravilhoso penhasco, apontou-me para uma fresta que abria acesso para que eu subisse passasse por ali. E foi isso que fiz, enquanto ela ia suavemente transformando-se naquela luz azulada.
Belo Horizonte, 02 janeiro 2005

sábado, 11 de abril de 2009

PÁSCOA

Feliz Páscoa
PÁSCOA
Tempo de páscoa, feliz páscoa.
Tempo de nascer para as nascentes propostas ao viver. Tempo de sentir a eterna ânsia nossa em seguir vida afora com nossas buscas e propósitos.
Momento bom para perceber que podemos renascer sim do que insistem em matar em nós. Por isso é que na páscoa podemos sentir e perceber a paisagem do nosso ser para a salvação do que queremos salvo em nós.
Belo Horizonte, 11 abril 2009
FOGO DO ACREDITAR
Soltei cão Aleph da coleira, para que pudéssemos descansar um pouco daquela caminhada. Dormi sem sentir. Sonho pesado veio anunciando o que deveria fazer quando acordasse. A imagem daquela mesma trilha apresentava espécie de beco à esquerda, que seria por onde o cão Aleph deveria seguir. Eu não deveria acompanha-lo. Deveria seguir em frente, descendo mais e passando por aquela curva muito fechada à direita.
Uma vez acordado, segui com cão Aleph até aparição do tal beco, que ele por força do instinto seguiu sem pestanejar. Prossegui em meu caminho, encontrei a tal curva fechada e após ela eis que surpreendido fui por aquele encontro. Era o amigo Franco que tem mesmo esta característica de sempre surgir por momentos inesperados. Interessante foi encontrar o Franco nesse mesmo buraco e com sua crença firmada pelo propósito de avançar ao encontro do que busca. O que demonstra ser esta outra característica da trilha da felicidade capaz de manter vivo o fogo do acreditar em nossas vidas.
Belo Horizonte, 27 dezembro 2004

sexta-feira, 10 de abril de 2009

CHAMADOS

Nem tudo que passa por nós é percebido pelos nossos serntidos
CHAMADOS
Em todos os dias de nossa vida somos chamados a fazer coisa e outra. Não há nenhum dia sem sermos chamados seja lá para o que for.
Preste atenção, recorde, pense, perceba. Os chamados existem e aparecem em sucessões por vezes até confusas. Isto com tamanha intensidade que chegamos até a não perceber.
O fato de atendermos ou não aos chamados vindos ao nosso encontro, esta pode ser questão outra. Vai da tolerância à disponibilidade que assumimos. Mas que os chamados existem e que não são poucos, isso é certo.
Para simplificar, temos o entendimento. A vida é composta por chamados que tanto podem ser aqueles manifestados por nós quanto os que de nós buscam o nosso agir.
Belo Horizonte, 10 abril 2009
DE CADA DIA

Todo passo
É desconhecido
Toda ida
É surpresa.
Todo instante
É novo
Toda aventura
É revelação
Todo dia
É passagem
Que passa.
Toda noite
É ida vinda
De cada dia.

Belo Horizonte, 17 dezembro 2004

quinta-feira, 9 de abril de 2009

AÍ É QUE ESTÁ

Entender é tão simples!
AÍ É QUE ESTÁ
Não adianta pensar só em si e em si mesmo sempre porque daí não haverá qualquer avanço expressivo. Pode ser sim que haja resposta daqui e dali a oferecer êxito ao pretendido, mas mesmo aí não haverá progresso.
O ser limitado a si mesmo não age pela expansão e sem expansão não há crescimento. Por isso é que cedo ou tarde brotam atrofias que de fato não nascem pelo acaso e sim pelo semear sistemático de quem simula abrir quando fecha.
Numa outra dinâmica, por força da pressão imposta pela ânsia em reter tudo eis que surge a explosão. Esta vazão incontida não é semelhante àquela manifestada por ferida que cresce escondida e enfurecida pelo processo cancerígeno?
Pois aí está. Não nascemos só para nós mesmos.
Belo Horizonte, 09 abril 2009
LUGAR AQUI
Chão é chão em todo e qualquer lugar. Será? Entre sim e não a averiguação de detalhes que distinguem esse aquele chão desse aquele lugar.
Paisagem de um encanto só. Árvores robustas no alegre verde trazido pela chuva que veio vem no vagar do tempo nuvem. Chão de grama mato rasteiro e todo em tudo bem arrumadinho. Fosse plantação de gente não haveria arrumação tão bem entendida com pedra aqui ali e florzinha de cor minúscula que surge ao lado de outra mais outra.
O lugar aqui expressa sensação que distingue tudo de tudo. Por vontade livre de toda e qualquer vontade, andar fica parado por instante que busca outro de algum entendimento vindo do vento que nem chega a ser tanto.
O lugar é aqui, diz a certeza sem nada dizer. Daí a pergunta do querer saber que lugar e que aqui é esse? E tudo continua quieto.
Belo Horizonte, 09 dezembro 2004

quarta-feira, 8 de abril de 2009

POSSO E FAÇO

O mar está sempre em vinda
POSSO E FAÇO
Sempre que sinto liberdade fluir em meu sangue penso na praia. Passeio pela praia no pisar de cada passo deixado na areia quente fria refrescada pela água do mar.
A água do mar nas ondas de vindas e idas sem fim. Crescem, saltam, desaparecem. Silencio que bate na água que bate na areia em estrondo de amor em fúria salgada pelo seduzir de encantos infinitos.
Vai barco pra lá da rebentação em meus olhos embarcados em sonhos que flutuam pelo vazio aberto entre céu e água.
Quando acordo percebo ser este meu lugar o que quero que ele seja. É quase segredo a romper espaço do que posso e faço comigo.
Da minha realidade, sei eu.
Belo Horizonte, 08 abril 2009
MUNDO NENHUM
Vem chuva do céu, mas no céu não chove. A chuva que nasce do céu para o céu é chuva de luz feita em gotas raios que quando escapam entre nuvens criam trovões que fazem barulhão danado. Mas no céu barulho também é outro. Sonoridade do céu parece música poesia declamada pelo dizer ditado por aquilo que entendemos como silencio. As coisas no céu são mesmo outras.
Andar, flutuar no céu é também diferente. Tão diferente que não chega a ser nem andar, nem flutuar. É exercício desprovido de rumo e cansaço. É sensação constante de alívio disposição que não causa nem ansiedade, nem expectativa. Tudo acontece sem acontecer porque no céu acontecimento traduz sentido outro. É mundo de abstração, por ser mundo de outro mundo, que acaba sendo mundo nenhum.
Pra resumir, o céu é tudo que não é, por não ser tudo que é.
Belo Horizonte, 06 dezembro 2004

terça-feira, 7 de abril de 2009

DÚVIDA

Tem gente que tem dúvida até da dúvida que tem
DÚVIDA
Na dúvida, não duvide.
Se é pra ter dúvida que seja ela alimentada pela certeza de sua pertinência. Só que por muitas vezes a dúvida camufla a indisposição em assumir a certeza. E o mais interessante é perceber daí a falsa sensação de segurança proposta pela dúvida. Sim, porque na dúvida o engano parece ficar mais distante menos provável, porque pela certeza vem a sugestão de estar tudo devidamente acomodado.
Pois muito bem; se a dúvida surge como posição mais pertinente, não acreditar nela chega a ser contradição. Mas entre acreditar na dúvida ou na certeza, prefiro a crença certa de que por ela não serei admoestado por suposições que por tantas e tantas vezes terminam em sucessivos e desnecessários enganos.
Belo Horizonte, 07 abril 2009
ANA BOLÃO
Sabe o que é Bolão? Se sabe ótimo, se não sabe aqui vai rápida explicação.
Bolão é uma aposta constituída por uma série de palpites e dividida em cotas a serem pagas por número determinado de apostadores que concorrem a premiações lotéricas. Assim, se as chances de ganhar ficam ampliadas, o custo torna-se diminuído por compor singular sociedade. Deu pra entender?
Mas o assunto bolão aparece aqui trazendo a presença da Ana que ao invés de apostadora, é sim forte agente de vendas do não menos auspicioso bolão. Seu dinamismo somado à sua simpatia, tem todo jeito de graciosa premiação. Ela ri, brinca e quando você acorda já está matriculado naquela lista que ela cuida com carinho de fazer gosto. Daí ser ela conhecida e reconhecida como Ana Bolão.
Belo Horizonte, 28 novembro 2004

segunda-feira, 6 de abril de 2009

PALAVREADO

Criar é se permitir
PALAVREADO

Placaplacapla
Cabeçabertaca
Belorizontebelo
Risosoltoriso
Solentardecidosol
Encantalmaencan
Tardenoitetardeno
Iremborairem
Bolaluabolalu
Acesanocéuacesa
Nofarolazulnofaro
Latidonoescurolatido
Nofuturodomurono
Fuçardosonolentosonhofuçar...

Belo Horizonte, 06 abril 2009
SABOREANDO
Com o passar do tempo, a mudança dos sabores. Mudam-se os hábitos, alteram-se os cultivos e tudo aquilo que antes parecia ser assim, já deixou de assim ser.
Teria a alface trazida daquelas hortas de outros tempos o mesmo sabor que oferecem hoje? E os tomates, cebolas, cebolinhas e tal e tal? Quanto aos temperos não há dúvida. Razão para que paladares mais sofisticados ingressem em não menos requintados estudos a buscarem do ontem distante, hábitos alimentares já esquecidos do nosso presente que parece engolir o tempo com óbvia voracidade.
Dia desses ouvi em alguma emissora de rádio, reportagem relacionada ao preconceito desencadeado sobre pessoas obesas. Ao que parece, a gula anda à solta para quem pode sustenta-la. Fome de um lado, comilança de outro. E assim vamos experimentando os novos sabores propostos por tudo aquilo que em verdade passa a questionar a escassez e o desperdício. Mudam-se os valores, alteram-se os comportamentos. Mas será que estamos vivendo em um mundo mais saboroso?
Belo Horizonte, 22 novembro 2004

domingo, 5 de abril de 2009

QUIS

Tem vontade que vem com vontade
QUIS

Quis ver
Vento soprar
Noite de luar
Quarto crescente
Pensamento ausente
Saudade aparecida
Em voz desaparecida.
Na chuva do chover
Quis esquecer o luar
Quis ser conveniente
Quis ser presente.
Na noite daquela rua
Veio vontade de ida
Trazida por aquela bebida.

Belo Horizonte, 05 abril 2009
DIAS MELHORES
Aproveitou feriado segunda-feira para viajar sumir descansar. Foi para a praia. Espirito Santo, Guarapari. Aqui, calor de provocar sede vontade de banho de mar. Sol quente, praia de paisagem sonho que ventila o bem estar de um fazer mistura de desejo e realização.
Na noite, conversa perdida pela dimensão de tantos lugares. Tantas idas pretendidas pelo viver que fica ao sabor de suas tão interessantes necessidades. E a praia lá longe mostrando o mar que vai para mais longe ainda. De repente, o navegar da distância que aproxima a gente da saudade. Vontade de ir estar em algum outro lugar sumido de tudo isso que só sabe exigir mais e mais do que somos não somos.
Depois, o retorno à rotina do dia de cada dia. E o sabor da mudança querendo abrir o apetite de atitudes que ficam à espera de dias melhores. Mas será que eles existem existirão?
Belo Horizonte, 20 novembro 2004

sábado, 4 de abril de 2009

ACONTECIMENTO

A faxina que faço em mim traz sensação de limpeza
ACONTECIMENTO
Não perco tempo em duvidar ou discutir sobre possibilidade de existir ou não o que atrasa ou adianta minha vida. Prefiro dar ao tempo ação que passa atender ao que busco quero. E também já não me iludo com o que poderá ou não vir a ser.
Sou estou no presente cujo passado e futuro não passam de moldura a revestir esta tela que reconheço como acontecimento.
Belo Horizonte, 04 abril 2009
BUSCANDO A BUSCA
Tenho a forte sensação de existirem situações infalíveis, ou seja, que não têm como escapar do acontecer. São passagens que por mais evitadas que sejam, acabam surgindo da mais pura e simples participação do inevitável. Por isso mesmo é que fico um tanto cético diante de quem diz e insiste em dizer que a partir de determinada circunstância, irá em busca de sua felicidade.
Aqui, duas avaliações. A primeira trazida pela indagação do que tem sido feito até agora. Se irá partir para a tal busca ela ainda não existe, nem existia? A segunda estampada pela própria dimensão oferecida pelo agir da busca. Prefiro acreditar na felicidade que simplesmente está aí, para ser assimilada por cada um de nós. O exercício da busca, no caso, não faz-se necessário. A felicidade não é pura e simples questão de busca. A felicidade é sim, o ser em sintonia com o seu estar feliz. O que está muito mais para o percebido do que para o obtido.
Belo Horizonte, 14 novembro 2004

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ANÚNCIOS

Que sejam devidamente reconhecidos todos os anunciantes que por aqui passarem
ANÚNCIOS
Todo dia é dia de escrever, todo dia é dia de viver.
No Blog Cadinho a publicação diária de textos. Todo dia é dia de anunciar e agora os anunciantes surgem com mais evidência no Blog Cadinho, porque anunciar é viver e a vida sem anúncio é prenúncio de estagnação, paralisia. Nem preciso dizer o que é que de fato paralisa a vida.
Tem anúncio de tudo nessa vida que ao passar por onde for estará sempre entre anúncios e assuntos que puxam outros numa sucessão sem fim.
Preciso vender camisetas que pinto constatação simples e que evidencia a necessidade do anúncio. E assim é que não conseguimos viver sem os tais anúncios expostos em diversas ocasiões e de maneira totalmente diversa.
Belo Horizonte, 03 abril 2009
DIVERSIFICANDO
Pela estética facial percebe-se muito.
Cara limpa, cara suja, cara cheia, cara vazia, cara cara. Cara de pau, cara de bunda, cara fechada, cara amarrada, cara boa. Cara linda, cara feia, cara enrugada, ou como também é conhecida, cara de maracujá de gaveta. Cara pálida, cara preta, cara cansada, cara de quem comeu e não gostou.
São caras, caras e mais caras a desafiarem os traços da estética que busca o aperfeiçoamento deste daquele recurso para que tudo esteja muito bem, obrigado, em seu devido lugar e com sua devida performance.
Cara de espanto, cara de susto, cara de sono, cara daquela pessoa que faz lembrar outra e assim por diante. Sim, porque na cara dos acontecimentos, a lembrança que da estética vai de pessoa a outra, de ocasião a outra e de novos produtos a revolucionarem vidas e aparências.
Belo Horizonte, 11 novembro 2004

quinta-feira, 2 de abril de 2009

TRÊS CITAÇÕES

Por ocasião do aniversário do Blog da Cleo, flores aqui estendidas à Nossa Senhora das Graças
TRÊS CITAÇÕES
Três registros afetuosos.
Em 31 de março o Blog da Cleo completou um ano. Espaço delicioso em que a Cleo capricha com publicações a despertarem e provocarem nossa atenção para os elementos sutis que perpassam por nossas vidas.
Neste primeiro de abril, Bill Falcão celebra mais um ano do seu Blog Jornal da Lua . O sarcasmo do Bill não poupa talento em publicações que dão ao Jornal da Lua mistura de humor e reflexão extraída de críticas atentas às tantas idiotices esparramadas por aí.
Pra completar cito o Blog da Avassaladora que é mulher que não se contenta com uma vida. Seus relatos, de cunho pessoal, revelam inquietante busca marcada por encontros surpreendentes.
Avassaladora não faz aniversário, mas é hoje a pessoa que mais adquiriu camisetas pintadas por mim e que, por intermédio dela, transitam pelas margens do Rio São Francisco, em Minas Gerais, Pirapora.
Belo Horizonte, 02 abril 2009
INVENTO

Fiquei
Ficamos
Não ficamos
Fiquei.
Fui
Fomos
Não fomos
Fui.
Aqui eu
Você aqui
Eu você.
Sombra de sonho
Na luz do vento
De outro invento.
Belo Horizonte, 02 novembro 2004

quarta-feira, 1 de abril de 2009

COERÊNCIA

A vida está sempre em busca de decisão
COERÊNCIA
Resolvi pintar camisetas porque fiquei cansado do convívio com situações que a mim criaram sucessivos desagrados.
Soltei todo amor e carinho nesta decisão que fez brotar outras não menos expressivas a me excluírem de lugares não menos contagiados pelo que a mim é motivo de desagrado.
Tenho a paz no coração e o desejo sincero de servir com expressão que busco do que vejo sinto e transfiro para o pano.
Sempre sou lembrado que preciso vender camisetas que pinto. Nem sempre consigo vendê-las porque a vida é assim mesmo.
Estou todos os dias exposto ao desprezo de quem acha por bem agir assim. E se de alguma maneira até permito tal comportamento é por pretender que este alguém não termine corroído por seu próprio veneno.
Belo Horizonte, 01 abril 2009
FOME E SEDE

Colho de você
Um fruto
Doce amargo
Azedo salgado.
Sabores que dizem
Mostram e escondem
Imagens e odores
Sentimentos e sensações.
Árvore vida
Alguém que cresce
Da terra mundo.
E na busca da vida
Fome e sede
Num aprendizado só.

Belo Horizonte, 27 outubro 2004