ACOLÁ
ACOLÁ
Moro em casa antiga cheia de lembranças,
abarrotada de conversas, descansada em sua imponência que desafia o tempo.
Moro aqui, mas tenho sido avistado por mim
mesmo acolá, um tanto distante desta casa onde moro.
Concluo então morar aqui onde moram também
meus sonhos furtivos que abrem portas e janelas diariamente respirando a
certeza de que nesta casa existem rastros de pessoas que já não passam nem
passarão mais por aqui.
Belo
Horizonte, 22 março 2020
SINTONIA
Olhou porque viu que estava sendo olhada.
Observou porque viu que estava sendo obsevada. Continuou fazendo o que fazia
sem dar atenção para aquela presença, mas atenta ao mais sutil movimento de
quem ali estava naquela tão singular sintonia.
No silencio dos acontecimentos, muito do
que acontece parece não acontecer.
Saiu em passos aparentemente distraídos.
Buscou pequeno percurso e quando parecia desaparecer surgiu ao abrir da porta a
lhe permitir passagem. Um mais que discreto aceno. Cumprimento sem palavras
quebrando indiferença.
O dia estava só começando. E daquele
singular acontecimento o que restou foi a leve lembrança de alguém que veio
sabe-se lá de onde, para ir sabe-se lá para onde.
Belo
Horizonte, 02 outubro 2016
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