MAIS CHUVA
MAIS CHUVA
Voltou a chover. Observo com certo espanto
reação de pessoas que parecem não admitir que, por causa da chuva, fiquem as
ruas molhadas, alagadas, encharcadas. Pessoas nervosas, inconformadas com o que
naturalmente acontece. Aí penso na possibilidade de estender telhados e mais
telhados sobre ruas e avenidas para que permaneçam sequinhas, acessíveis e
confortáveis. Mas, imagino que isso seja de todo inviável, seja pela dimensão
da obra, seja pelo custo de trabalho tão desafiador. E quando o período das
chuvas passar? O que fazer com tanto
telhado abafando nossas vidas? Definitivamente isso não tem chance de ser
solução inteligente.
Não será então mais simples conviver com a
chuva que traz consigo o inocente hábito de sair molhando tudo?
Belo
Horizonte, 07 março 2020
COMIGO-NINGUÉM-PODE
Comigo-Ninguém-Pode é o nome daquela
planta, com folhas verdes e salpicadas por pintas brancas muito vistosas e
quando bem cuidada até imponente. É planta venenosa e na crença popular servida
para espantar o azar, o mau-olhado, a inveja.
Tenho família dessa planta proliferada de
muda que trouxe, faz tempo, do Rio de Janeiro. Eu a colhi ali pelos arredores
da Pedra da Macumba, lugar onde o mar exubera sua beleza.
Olho para as folhas dessa planta pensando
no quanto faz bem dar à sua natureza carinho que também age como proteção para
que sejamos contemplados pela felicidade.
Belo Horizonte, 30 maio
2016
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