VOLTANDO
VOLTANDO
Aquele
barco parece vir de alguma pescaria. Pode ser que tenha passado dias e noites
vagando pelo mar em meio a conversas e expectativas vividas por sua tripulação.
No mar
a conversa é uma, na terra outra. Aliás, as conversas achadas por aí andam numa
certa chatice própria de apreensões desencadeadas por dúvidas e receios,
ameaças e perspectivas meio que atordoadas, muito mais pelo deixado de
acontecer, do que pelo que acontece.
O barco
passa sem pressa, bem próximo da praia vazia porque ir à praia tornou-se
proibitivo, para não dizer proibido pelo que na terra só faz afogar a esperança
de muita gente em busca de dias melhores. Mas, o barco em sua ondulante
trajetória segue sugerindo a leveza de haver ainda no mundo liberdade para que
sonhos naveguem em nosso mais pronunciado querer.
Belo Horizonte, 15 junho 202
VIAGEM DA CHUVA
Na madrugada chovia sonho sugerindo
aquarelas a flutuarem pelo vagar das possibilidades. Chovia muito e o piso
escorregadio exigia cuidado e atenção para que não acontecesse nada de grave. A
paisagem no reflexo da tarde sombria buscando aconchego em prosa que percorre
por aquela estrada que vai dar em muitas cidades porque Minas Gerais é Estado
extenso e cheio de lembranças seculares.
A cachaça veio de Ipoema, distrito de
Itabira, Vale do Aço das Minas Gerais.
Avó do Paulo deixou lição para que ele
nunca sirva nada para ninguém com a mão esquerda. Detalhes que realçam nosso
jeito de ser e estar nesse mundo de chuva e sol, estradas que viajam em nossas
conversas e idas conferidas pelo surgimento do que vai nos ensinando viver.
Belo Horizonte, 06 março 2018
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