Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

sábado, 28 de fevereiro de 2009

SEU BOBO

Quando acha que achou sumiu
SEU BOBO
Foi peixe dourado que passou ali esperto sumiu voou mergulhou desapareceu. Dizia aquilo com olhar ensolarado por encanto transbordante.
Calor do sol no rio que nunca volta isso não. Mas peixe continua por ali, dedos calejados experimentados, velho riso maroto de quem conhece peixe e rio. Ela filha neta sobrinha irmã maninha do rio no dourado do peixe que volta agora sim é que vi olhos dele rindo, bicho danado. Menina ri respira seios ainda no crescente daquela lua escondida atrás do morro coração que bate quente.
Tudo delírio de vida assim meu filho, velhice tem lá o que mostrar. Peixe vem no rasinho assanha rebola e some de novo. Menina mergulha e já não volta.
É Iara seu bobo.
Belo Horizonte, 28 fevereiro 2009
OLHA A ONÇA MENDONÇA
Olha a onça Mendonça. bicho é bravo e determinado. Tem força inteligente e sabe fazer de esconderijo ataque infalível. Tem paciência e poder de concentração certeira.
brinca com a onça não Mendonça. Todo cuidado é pouco. Quem quis engana-la acabou enganado e já não está aqui pra contar detalhe. Ela é sombra fera que vem de onde gente menos espera. Arranha e morde antes do susto prevenir sangue de ferida aberta. Tem passo em comunhão com silencio e salto que cai certeiro em carne viva.
Jogue com a onça não Mendonça. Ela tem tamanho que engana olhos. É fera pura, companheiro. Tem astúcia de sobra pra criar armadilha capaz de atrair malícia de nossa mais inocente intenção.
Mas será que adianta prevenir Taís? Sujeito quando bebido pelo poder não sente sede de humildade. É aí que a onça faz a festa.
Belo Horizonte, 12 março 2004

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

TRAÇO MACIO

Tem sonho vindo de tudo quanto é lugar
TRAÇO MACIO
O que temos aqui, o que temos acolá? É graça demais. Jeito próprio de viver trazido de muito tempo atrás. É dança que nasce e cresce aqui, é cantoria que conta do visto vivido, é brincadeira jogo de conversa e até ritual que vem da lembrança ida lá no longe do tempo distante.
Pra mostrar tem de ver.
No puro da pureza há jeito particular de entender e conduzir a vida que vive na busca entrega de sabedoria ensinada aprendida.
Pra saber tem de aprender.
Moço bom de verso e prosa tem sempre o que contar e se precisar inventar inventa também.
Moça de traço macio que vem lá da beira do rio que mostra beleza de corpo banhado num liso que reflete sol qual peixe que salta assustado.
Olha o vento olha a vela que dispensa remo pra que barco navegue no silencio do rio que corre pro mar.
Belo Horizonte, 27 fevereiro 2009
VONTADE TAÍS
Tudo nasce da vontade. nascemos de uma vontade que desperta outra, que desperta outra e assim sucessivamente. Se é assim, natural perceber que o patrocínio também nasce de uma vontade. Uma vontade que poderá não ser exatamente a que concebemos, mas que surge na seqüência dos acontecimentos. A bem da verdade Taís, uma vontade puxa outra. E o mais interessante é perceber que até mesmo da aversão a vontade aparece como caprichosa evolução da natureza.
em princípio somos capazes de tudo. Estamos livres para a vontade que quisermos alimentar. Com o passar dos acontecimentos percebemos que o possível vai até onde aparece o impossível. Esbarramos assim na impossibilidade, que por sua vez não é tão irredutível assim. Com a chegada do patrocínio, eis que parte do impossível cede espaço. o que demonstra haver em nós, possibilidades a possibilitarem o que antes aparentava ser impossível. Tudo surgindo de uma pura e simples vontade em querer dar vida ao que é possível não ser impossível.
Belo Horizonte, 11 março 2004

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

ÁGUA SECA

Não sei se escrevi ou se por escrever termino por ser escrito
ÁGUA SECA
Água parada evapora.
Tempo parado é ilusão.
Na vida não há sossego que dure mais que instante. O fazer que depende de nós precisa de ser feito por nós.
O agora nunca deixa para o depois o que nele habita.
Deixar pra depois é deixar de fazer o agora que vai embora sem nada.
Pensar só no amanhã é tão insano quanto pensar só no ontem e no hoje, sem se permitir ao agora.
A água tem sede de movimento.
O tempo tem movimento sedento.
A sede mostra que água seca é ilusão tão grande quanto tempo sem movimento.
Belo Horizonte, 26 fevereiro 2009
NINGUÉM

Empregados
Desempregados
Trabalhadores
Sem trabalho.
Oportunidades
Inoportunas
Possibilidades
Impossibilitadas.
Vida e morte
Morte e vida
Sem vida
Sem morte
Sem ser
O que é ser.

Belo Horizonte, 05 março 2004

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

SER ALGUÉM

Sempre dependemos de algum lugar
SER ALGUÉM
Quartafeira de cinzas, início da quaresma, tempo de retiro espiritual, silencio exposto à busca de todas as nossas buscas.
Todo lugar para deixar de ser estranho precisa ser reconhecido para deixar de ser só um lugar a mais.
Conhecer não é simplesmente se colocar diante do desconhecido. Reconhecer não é só saber do que conhecido está. Aos sentidos a necessidade do sentir. Ao sentir a presença do que então desperta o sentimento. É pelo sentimento que o sentir e os sentidos são contemplados pela razão.
O que de fato impulsiona o nosso agir é o querer. É pelo querer que damos à realidade o sentido do que somos, do que fazemos e de onde fazemos.
Somos o que somos por estarmos em algum lugar. Se desaparecemos é porque não criamos identidade em lugar nenhum. Adotamos e somos adotados por lugares a receberem sementes do que somos e fazemos. É assim e só assim que conseguimos ser alguém.
Belo Horizonte, 25 fevereiro 2009
RASTRO DOS RAIOS
Chove porque chuva não pára. Dia amanheceu trazendo tempestade forte. Raios relâmpagos anunciando trovões ensurdecedores. Taís vinda do meu sonho, permanece quieta comigo.
Pelas ruas da cidade, galhos derrubados daquelas árvores atingidas pelos raios. A tempestade parece trazer o mar à saudade do meu estar. Taís na transparência da chuva que vai passando sem pressa.
no chão dos galhos arrancados, rastro da tempestade que banha tudo ocasionando o que sugere estragos. Mas precisamos aprender a conviver com os sinais da natureza por tantas vezes esquecida e atingida por tão infelizes intervenções nossas.
Assim é que procuro sempre e cada vez mais percebe-la Taís. Mesmo por intermédio da ausência, sustento referência do seu carinho e desse seu jeito meigo de ser que cativa e estimula a crença de um amor que para viver, só depende do nosso acreditar.
Belo Horizonte, 28 fevereiro 2004

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

CARNAVALESCO

Depois de cinco anos eis que percebo ter a minha Taís outro nome
CARNAVALESCO
Em tempo de dor a busca pelo alívio é necessidade.
Carnaval é festa que celebra a fantasia presente em cada um de nós. Não adianta sisudez e nem tão pouco repulsa. Não há quem não tenha a fantasia presente em seu viver. Até por ser a fantasia de amplitude sem tamanho, posto estar ela no mais simples sonho, ou na mais exuberante ambição.
Dá pra viver sem fantasia?
Dá pra viver sem sonho?
A dor sugere angustia tristeza, mas para escapar dela o alívio exige disposição ânimo que possa atrair força e poder para transformar o ruim no bom. Assim é que a fantasia desafia o sonho que desafia o acreditar.
Quando conseguimos transformar sonho e fantasia em realidade, criamos em nós o carnaval capaz de transformar tristeza em alegria, dor em alívio.
Belo Horizonte, 24 fevereiro 2009
CARNAVAL DE TAÍS
Se nunca conversamos, como é que poderemos combinar seja lá o que for? Desconheço seu gosto, seu jeito de ser e reagir diante de uma e outra situação. Ainda assim, imagino podermos estabelecer espécie de diálogo proposto por suposições que vão dando conta do que somos, trazemos e cultivamos por intermédio de nossas vidas.
É carnaval. Longe das brincadeiras, imagino-a também à margem desses tantos exageros que transformam a festa de Momo em solenes badernas. Mas penso haver em você ânimo para fantasias interessantes e festejos animados pela espontânea descontração carnavalesca. Isso, é lógico, sem prescindir das manhãs à beira mar para merecido descanso.
Do seu corpo moreno, uma fantasia clara. Uma índia. Isso mesmo. Você fantasiada de índia, devidamente estilizada. Uma fantasia simples, sem exageros. na maquiagem, sua beleza realçada. Sua alegria que então sugere outra imagem. Uma havaiana maravilhosa. Sei lá. Melhor é percebê-la Taís, a instalar em mim tantas outras fantasias.
Belo Horizonte, 23 fevereiro 2004

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

VOU

Antes que perguntem já respondo que não sei quem é a Taís
VOU
Por força do amor resisto.
Não nasci para o lamento e nem tão pouco para a desconfiança. Se não cumprem o que assumiram comigo, problema não é meu. Aliás, trato de encarar problema que surge com olhos de solução.
Não nasci para o embaraço. Gosto de perdoar detesto culpar. Enquanto amante do amor estou para a liberdade e não para a prisão. Dos limites que cultivo busco frutos do ilimitado. Solto no mar distante piso na terra deste chão tão longe quanto perto do que busco e encontro.
Por força da liberdade vou por onde passa cada palavra brotada de mim.
Belo Horizonte, 23 fevereiro 2009
RUA DA TAÍS
Depois de tempo que é muito tempo, fico sabendo ser ela a Rua Lourenço A. Russo. não conheci, não conheço e desconheço quem conheça, ou tenha conhecido o senhor Lourenço A. Russo. Acredito até que muito pouca gente saiba identificar a Rua Lourenço A. Russo, com este nome. Mas ao chama-la de Rua do big bar aí sim, a rua estará sendo devidamente localizada.
nome de rua tem dessas coisas. Existe o nome oficial e aquele que passa a ser adotado naturalmente. O que não altera em nada, situação vivida pela rua por onde Taís foi indo embora ao passo de cada passo. Tive oportunidade de vê-la desaparecendo aos poucos, quando ia embora da praia. Tudo aconteceu no último sábado.
Ao passar pela Rua Lourenço A. Russo, ou a do big bar, penso no vagar agora distante da Taís. Assim é que para mim, a rua agora passa a chamar-se Rua da Taís.
Grussay, 17 fevereiro 2004

domingo, 22 de fevereiro de 2009

REALIDADE

Na vida o bom mesmo é viver
REALIDADE
De um dia para outro penso coisas diferentes, muito diferentes. No carnaval das projeções muito a ser dito, muito a ser ouvido.
No suar da camiseta o contraste da pintura em cores sensíveis à luz que é dia e à luz que é noite.
Muita conversa muita intenção, muita rota fora da realidade que a cada instante mostra o sentido concreto de sua direção.
A esperança é virtude que tem lá o seu rigor. Não dá pra passar a vida só na base da esperança.
Preciso vender camisetas que pinto.
Belo Horizonte, 22 fevereiro 2009
CHAPÉU DE PANO
Mar levou chapéu de pano que tinha lá sua história. Foi instante de distração. mas não foi só isso. Foi sinal trazido chamando atenção para acontecimento outro levado por outra maré. Realidade em meio a símbolos ensina o viver a conviver com o que fazem ou deixam de fazer.
Chapéu quis o mar, ou o mar quis ficar com o chapéu que sumiu no rolar das ondas. Procura-lo foi simples reação fiel ao que ele representou enquanto esteve comigo. Agora, não está mais. Chapéu seguiu destino enquanto sigo o meu.
Vida assim aprende a conviver com seus apegos e desapegos. Por coincidência, ganhei dia desses boné do informativo “O Pappel”. Um boné simpático, amigo e que traz consigo aparência de saudável estima. Passo a usa-lo, sem ressentimento.

Grussay, 13 fevereiro 2004

sábado, 21 de fevereiro de 2009

ANGUSTIA

Favor não confundir angustia com abatimento
ANGUSTIA
É natural que diante da indiferença fiquemos mais sensíveis e até curiosos em saber do que brota qual mistérios a sugerirem infindos questionamentos.
Preciso vender camisetas que pinto, mas também não posso e nem devo desesperar.
Sofro de singular angustia por não ter como viver na vida que tenho ao meu dispor. Por mais que eu queira não consigo chegar onde preciso chegar. Experimento assim a sensação de ser um errante na vida.
Preciso vender camisetas que pinto.
Belo Horizonte 21 fevereiro 2009
CONVERSA REAL
Converse sem ir na conversa. Sim, porque tem gente que cisma fazer da conversa exercício de invenção. Aí o que parece ser o que é, aparece como sendo o que não é.
Na Estrada Real vida é assim também. Tem gente que passa por ela com cisma de causar impressão no rastro. Tem gente que vê o que não viu, que ouve o que não ouviu e que transforma tudo num mundo longe daquele que lá existe. Sendo assim, a Estrada Real é fantasia de uma realidade que é outra e que por isso mesmo guarda seus segredos ainda muito mais exuberantes. Mas há sempre quem acredita ter conhecido a árvore só por ter tido acesso a um singular pedaço de sua casca.
Na Estrada Real vida é dia após dia. Razão pela qual ela muda, cresce, revela, esconde e reage provocando reação na gente. Na Estrada Real mistério passeia contando casos, inventando moda, guardando segredos e desafiando a imaginação da gente.
Belo Horizonte, 13 janeiro 2004

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

PRECISO VENDER

Tem dia que não dá pra segurar
PRECISO VENDER
Todo problema pede solução.
Preciso vender camisetas que pingo e por ter esta necessidade é que quando não vendo cedo espaço ao problema E viver com problema em aberto é terrível.
A necessidade é interessante porque sua postura nunca está satisfeita com o tamanho que tem. Quanto maior a necessidade, maior é o seu potencial de crescimento.
Preciso vender camisetas que pinto porque esta necessidade cresce a cada dia que passa e porque detesto ficar sob constante ameaça.
Viver na necessidade é terrível, porque a necessidade enfraquece, fragiliza o ser.
Só que agora, eis que exposto estou a momento que transforma necessidade em mutilação. Aí o problema aparece em consequência que mostra gravidade. Preciso reagir, preciso agir.
Preciso vender camisetas que pinto.
Belo Horizonte, 20 fevereiro 2009
MANOBRANDO
Mudança de planos, mudança de rumo. Mas, atenção. Tudo pode não passar de simples mudança de vento.
Corrigir a rota. Deixar-se levar pela intuição do instante para que outro possa corrigi-lo com a devida precisão. Será preciso precisar?
Ir à deriva, ainda que não seja esta a legítima intenção do querer. Mas é preciso conviver com o imprevisto também, para que saibamos agir também em busca do querer. A propósito, não basta querer .
É tanta complicação diante dos acontecimentos, que facilitar transforma-se em ousada missão. É preciso acreditar e situar o sonho exposto à realidade dos fatos que mais parecem traiçoeiras armadilhas.
Aceitar e recusar nesse delirante exercício a levar a vida por esse mar sugerido por imensa igualdade. E os planos, o que fazem com eles? Manobra de correção que quer chegar a algum lugar, talvez até inexistente.
Grussay, 04 fevereiro 2004

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

CAMISETA QUE PINTO

Toda dor é sinal de incômodo
CAMISETA QUE PINTO
A dor que sinto é silenciosa e paciente. Vem e traz consigo permanência quieta e constante. Incomoda e impacienta lentamente.
A dor que sinto não sai e nem passa por onde passo quando então estampo imagem na camiseta. Este meu pronunciamento de cores e formas traduz alívio. É aceno de entrega, crença no encontro que cedo ou tarde acontecerá com quem não sei.
Pintura que faço em cada camiseta é entrega que não escolhe lugar nem hora para ser escolhida adquirida por quem irá leva-la para onde quiser.
Camiseta que leva pintura que crio, oferece disposição a quem dela quiser fazer uso.
Belo Horizonte, 19 fevereiro 2009
ASAS DA ESTRADA
Na estrada um enorme silencio vindo de ninguém e de lugar nenhum. Na estrada o escuro da noite é sombra de árvore e chão numa mistura de indecifráveis cores que ainda assim revelam sonhos. Olhos esbugalhados de uma possível coruja escondida no mato árvore de galhos que escondem seu pouso.
No repouso das idéias o lugar algum dessa estrada que está entre cidade e outra, cada qual com sua história, sua gente e seu jeito de ser. No despertar das cogitações a estrada que também parece adormecida e completamente esquecida do mundo. Agora, ninguém passa por ela. Mas como mundo não é só feito de homem e mulher, eis que surge alguém. Um felino faminto, um roedor inquieto ou um cão perdido em sua própria busca.
No escuro da incerteza, a estrada exala chuva que poderá aparecer de repentino clarão. Do relâmpago o reflexo do bicho que foge da estrada. E o silencio troveja fazendo coruja voar.
Belo Horizonte, 07 janeiro 2004

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

SITUAÇÃO ENCONTRADA

Na Série Estrada Real (SER) dos Folhetos Cadinho RoCo a preocupação com a cultura que marca lugares e regiões, tal como está registrado no texto Segredo do Pingo. Vale sempre lembrar que a Série Estrada Real dos Folhetos Cadinho RoCo é a primeira publicação periódica e específica da Estrada Real.
SITUAÇÃO ENCONTRADA
O amor não se dispõe a quem por ele nutre medo, desconfiança ou simples apreensão.
Pintar uma camiseta pode e até direi ser simples. Mas o pintar por pintar é o que menos importa. O que vale é sentir porque é pelo sentimento que brota a reação capaz de mexer com o outro alguém.
O amor existe e não existe por haver nele o poder do esvaziamento e do preenchimento.
Não queira só entender a pintura na camiseta.
Não queira só entender o amor no coração.
Na camiseta o mistério de alguém, posto haver nela o propósito de vestir e não o de despir. Ainda assim a camiseta despe o sentimento de quem se permite a percebê-la. Tal como faz o amor que veste o sentimento a pretender o despir das sensações então lançadas ao despir delas mesmas.
Belo Horizonte, 18 fevereiro 2009
SEGREDO DO PINGO
Para o pessoal do Serro o pingo é tão ou até mais importante que a pinga. Conversa vai conversa vem e chega instante de celebrar convívio com gente e hábitos da terra. Senhor já com idade de impor respeito, chama menino moço já com jeito de homem feito e mostra armário onde está guardada aquela garrafa com forma e rolha que ele explica. O que era rolha surge como sabugo de milho. No vidro da garrafa, textura que dá a ela tempo de vida.
A pinga tem sabor leve e calor que não chega a incomodar. Prosa continua com vinda do queijo que é fama da região. Aí aparece o tal do pingo que dizem ser segredo do queijo do Serro.
De teoria mundo está cheio. Há quem diga ser o capim que a vaca come, responsável pelo que dá personalidade ao queijo do Serro. Há quem diga ser o coalho, o grande herói de tudo. Mas aquele homem vaqueiro, com sua respectiva “dona” afirma estar o segredo é no pingo, que é aquela água que sai do queijo e que serve de “isca” para a produção de outro e assim sucessivamente.
Belo Horizonte, 02 janeiro 2004

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

HUMANO OU INSANO?

No tempo tudo é passageiro
HUMANO OU INSANO?
Tempo que brinca foge aparece, frutas, legumes, verduras. Tudo exposto para peso e venda feira loja cheiro de horta, verde alface couve tomate porque gosto de tomate verde e cebola roxa.
Na camiseta o plantio do que alimenta a inspiração. Não adianta planejar raciocinar muito. É forma que brota aparece, cor na folha pano momento ido a outro.
No amarelo pálido a batata e ali a cenoura em busca do vermelho que a beterraba esconde no escuro de tonalidade que atrai atenção que brinca mancha a camiseta com novo movimento.
Tanta cor na natureza que vem da horta e da tinta, da feira e da loja, do que produz a terra e cria o gesto num humano agir talvez até insano.
Belo Horizonte, 17 fevereiro 2009

ESTRADA ABERTA
Estrada Real
Na fantasia
De uma outra
Realidade.
Estrada sonho
Na real ilusão
De uma dimensão
Inexistente.
Estrada fugaz
Que sobrevive
Ao passar do tempo.
Estrada simples
Aos pés da terra
Despida em passos.
Belo Horizonte, 29 dezembro 2003

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

NO TEMPO DO TEMPO

O texto Mangueira do Vizinho, colhido dos Folhetos Cadinho RoCo, Série Estrada Real (SER), a primeira publicação periódica e específica da Estrada Real, traz um recado sutil. Na época em que foi feito, O Governador Aécio Neves, no início do seu primeiro mandato como Governador do Estado de Minas Gerais, resolveu desfilar na Escola de Samba Mangueira que apresentou o tema Estrada Real no carnaval do Rio de Janeiro. O Governador de Minas Gerais demonstrou assim estar mais preocupado com o carnaval do Estado vizinho do que com o que governa até hoje, numa atitude polêmica por acreditar que ao agir assim estaria propagando aos quatro ventos a Estrada Real, que naquela ocasião era prioridade do seu Governo. De lá pra cá, em termos práticos, o que aconteceu não representa tanta alteração no circuito e a bem da verdade poucas são as pessoas que lembram ter a Escola de Samba Mangueira explorado o tema Estrada Real com patrocínio do Estado de Minas Gerais, tenha sido ele assumido ou não pelo Poder Público, ou pela iniciativa privada. Daí a realização do texto que alerta para essa situação que acontece sempre. Tanto o Estado de Minas Gerais quanto a cidade de Belo Horizonte sentem essa postura que de fato não recebe tratamento compatível com a importância histórica e cultural que ostentam, seja por parte do Poder Público ou da iniciativa privada.
NO TEMPO DO TEMPO
Será o tempo o senhor de todas as mudanças?
O senhor de todas as mudanças somos nós, seres livres e racionais, com poder danado para melhorar tudo que, por incompetência, pioramos. E para não ficar com responsabilidade a provocar o nosso brio o que fazemos? Culpamos o tempo. Isto porque somos inteligentes e poderosos, com capacidade de conduzir, deduzir e induzir situação conforme nossa bela e santa consciência.
O tempo que nos é concedido só será nosso se tratarmos de assumi-lo. Aí é que a coisa complica, porque quando não assumimos o tempo vindo ao nosso encontro, o que acontece?
Podemos viver sem o tal do tempo?
Belo Horizonte, 16 fevereiro 2009
MANGUEIRA DO VIZINHO
Belo Horizonte é hoje uma grande cidade com pequenos detalhes que parecem vir lá do seu tempo de arraial, ou até antes disto. Situação que pode, sem muito esforço, estender-se por toda Minas Gerais.
Se antes a riqueza existente em Minas Gerais não deveria enriquecer mineiros, conforme agiam os colonizadores, este expediente parece ter encarnado no pensar e agir testemunhado por nossos dias. Patrocinar Belo Horizonte aparece como desafio próximo, muito próximo do mais legítimo atrevimento. Espécie de estigma antes admitido, por mais absurdo que possa parecer, exatamente por quem vive em Minas Gerais, ou mais especificamente em Belo Horizonte.
Estado e cidade ficam assim entregues a um agir anônimo e exposto às mais brutais explorações. Uma vez diminuída por sua própria descrença, a grande cidade passa a desencadear enorme dependência a fragiliza-la pela ausência de identidade e pela atrofia de possibilidades estancadas por ela mesma.
É imprescindível que os frutos colhidos aqui sirvam de alimento aos que aqui vivem. Belo Horizonte, até por ser capital de Minas Gerais, precisa aprender com urgência a patrocinar e a assumir sua cultura e seus ideais. Precisa aprender a reagir diante do desprezo e do esquecimento daqueles que insistem em achar que a mangueira do vizinho é mais frondosa.
Belo Horizonte, 18 dezembro 2003

domingo, 15 de fevereiro de 2009

BREVE REFLEXÃO

Tem hora que precisamos inverter a hora de fazermos aquilo que a intenção petendia.
BREVE REFLEXÃO
O nosso tempo nunca é totalmente nosso porque se dermos rigor à observação perceberemos não haver como termos a posse do tempo. O tempo é livre mesmo quando tratamos de ocupa-lo. Nós é que ficamos ocupados, não o tempo. Nós é que buscamos o tempo, não ele. No entanto, o tempo que consideramos nosso precisa de comando que impomos a ele, posto que se agirmos ao contrário ficaremos reféns daquele que não se prende a nada.
Belo Horizonte, 15 fevereiro 2009
CORRENTEZA

Vento no verso
Veste universo
Verde azul
Marinho agreste.
Ondas de terra
Morro e serra
Nuvem celeste
Neblina ao sul.
Belo Horizonte
Água da fonte
Rio e ponte.
Mulher no leito
De um amor feito
Mais que perfeito.

Belo Horizonte, 13 dezembro 2003

sábado, 14 de fevereiro de 2009

HORA DE DESCER

Pois é. Tem vez na vida que subimos sem saber depois como descer.
HORA DE DESCER
Subiu que foi só delícia. Frutinha madura docinha e aquela lá sobe mais. Das alturas tronco vira galho que entorta melhor não senão cai. Estica o braço vai pega morde brinca sacia apetite.
Depois de farrear saborear como descer?
Desce benzinho, desce. Pular não dá e o que era riso vira risco.
Foi beijou namorou esfregou camiseta pintada com cor bonita embaralhada esquecida de tudo.
E agora? Desce que eu quero ver. Dá nem pra quebrar galho no propósito de facilitar caminho. Benzinho sumiu desapareceu, dia vai anoitecendo e agora?
Desce desse namoro todo, desce. Não foi mexer com árvore que estava quieta em seu canto? Não foi lá e chupou fruta que quis? Então!
Agora desce. Mas vê se não estraga camiseta bonita porque outra igual não tem.
Belo Horizonte, 14 fevereiro 2009
DO ACASO

Na estrada da estrada
Na viagem da viagem
Momento quieto e perdido
Em encontros e desencontros.
No silencio do silencio
No imaginar do imaginar
Um vento que vem de dentro
Soprar fumaça de mais um trago.
Na estrada do silencio
Na viagem do imaginar
Tudo pode acontecer.
Estrada abre chão
Cujo rastro desaparece
Dispensando comprovação.

Belo Horizonte, 30 novembro 2003

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

UM BURACO

Já recebi até e.mail de um agente de uma gráfica para oferecer prestação dos seus serviços com melhor preço para os Folhetos Cadinho RoCo que ostentam a condição de primeiro periódico específico da Estrada Real, quando em 2003 lançou a série Estrada Real (SER).
Pois bem. Fico feliz e agradeço gentileza e atenção de tais manifestações e estou aberto sim a conversas negociações que possam estimular publicações do Folhetos Cadinho Roco, desde que o princípio esteja no reconhecimento financeiro por este trabalho que conta com significativo investimento meu que é o da minha vida.

UM BURACO
Um buraco pode ser quadrado ou retangular. Um buraco pode ser redondo ou oval. Um buraco pode ser disforme, desprezar geometria e profundidade. Aliás, um buraco sugere liberdade.
Um buraco propõe passagem. Na arquitetura pode ser achado genial. Na pintura pode criar desenho na camiseta e mundo de sugestões. Na rua é sinal de descaso. Mas quando projetado pode ser providencial.
Um buraco pode mexer muito com a vida da gente. Um simples buraco pode induzir a pensamentos extravagantes, eróticos, pudicos ou descarados. Nas cartas do baralho, buraco é jogo, nos sonhos delírios e na realidade buraco pode ser a definitiva perdição.
Belo Horizonte, 13 fevereiro 2009
NA ECOLOGIA DA ESTRADA
Sabe-se que hoje, no mundo estão registradas mais de 4800 espécies de mamíferos. Só no Brasil chegamos a 524 espécies identificadas, ou seja, perto de 11% dos mamíferos de todo mundo. O Brasil é hoje o país com a maior variedade de mamíferos do planeta.
Em Minas Gerais vivem 243 espécies de mamíferos, número que estampa quase a metade do total dessas espécies no país inteiro.
Fato é que por este breve levantamento, o Circuito Estrada Real surge como importante núcleo de habitação desses animais. Mesmo não havendo números que possam precisar isto, só pelos 51 mamíferos identificados na Serra do Cipó, podemos ter idéia do que deverá existir no restante do circuito. E para enfatizar ainda mais, é sabido que no Brasil existem duas áreas hoje prioritárias para a biodversidade mundial: a Mata Atlântica e o Cerrado. Ambas encontradas no Circuito Estrada Real.
Belo Horizonte, 26 novembro 2003

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

COLORIR

Na primeira publicação periódica específica da Estrada Real a Serra do Cipó faz-se foco de vários textos por força da sua importância ambiental.
COLORIR
Barulho de chuva na sugestão do mar que trago em mim.
Barco na sensação da tinta que navega em mim.
Camisetas na praia, no sul do meu viver, no litoral norte, em toda parte.
Rio sem tamanho que passa por debaixo da ponte. Amor que namora comigo numa sede de vida que vem dela amada que acolhe meu sono e que acorda meu dia.
Camisetas que aparecem e que desaparecem no tempo delas mesmas. Tudo no tempo do seu tempo em viagens que faço não faço.
Sou camiseta sua no vento do passeio que viaja e brinca com a tarde esquecida na lembrança de pintura que colore céu e mar, arreia e terra.
Belo Horizonte, 12 fevereiro 2009
COISAS DA SERRA
O nome Serra do Cipó vem do rio que passa por ela e que chama-se Rio Cipó por ser muito tortuoso. A propósito, o Rio Cipó é também afluente do Rio São Francisco.
Na Serra do Cipó, que está na região sul da Cordilheira do Espinhaço, a presença de quatro municípios: Jaboticatubas, Santana do Riacho, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro. Todos eles incluídos no Circuito Estrada Real.
Interessante também observar que na Serra do Cipó já foram registradas aproximadamente 1800 espécies de plantas e 51 espécies de mamíferos não voadores. Números trazidos pelo livro “Mamíferos da Serra do Cipó”, que também apresenta sete desses bichos que estão na lista oficial de animais em extinção. São eles: o tamanduá de colete, lobo guará, raposinha, lontra, jaguatirica, gato do mato pequeno e suçuarana.
Agora tente adivinhar. Qual é o mamífero que representa a maior ameaça para a sobrevivência desses animais?
Belo Horizonte, 24 novembro 2003

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

OUTRA NUDEZ

Mais um texto extraído Série Estrada Real dos Folhetos Cadinho RoCo, a primeira publicação periódica e específica da Estrada Real. Aqui só uma noção do que há no Parque Nacional da Serra do Cipó.
OUTRA NUDEZ
Quando inspiração colore meu viver aí sim é que pinto pra valer.
Camiseta ri diz que é assim que a vida há de ser. E no sem pressa do suceder tinta escorre corre salta baba boba sobre o pano malha que avacalha sentidos todos.
É que quando parece ser coisa, eis que coisa outra surge.
É arte?
É parte de mim que explode no peito jeito de vestir coração entrega que esfrega pincel no mote que por sorte salta aos olhos que pulam reagem e despem a camiseta que tem em seu avesso outra nudez.
Belo Horizonte, 11 fevereiro 2009
TURMA DO PARQUE
Lobo-Guará ainda vive lá, mesmo sob ameaça de extinção. É preciso sensibilidade e zelo para que o bicho não desapareça.
Mateiro e catingueiro também vivem lá. Tem ainda lontras e saguis. Tudo no Parque Nacional da Serra do Cipó, com seus 33 mil hectares de extensão. Não é preciso fazer conta, são 330 quilômetros quadrados. Ambiente natural da paca e do coati, que também são habitantes do parque. Tudo vivendo em perfeita harmonia, mesmo contando com a ousadia do ouriço-cacheiro, senhor de um mecanismo de defesa de arrepiar espinhos. Tem tamanduá-colete pronto para um abraço mais que afetuoso, veados e gatos do mato. O parque tem ainda o maior roedor da América do Sul, que é a capivara de antes do tempo do império. E para completar essa lista espetacular de seres que estão lá no Parque Nacional da Serra do Cipó, as graciosas jaguatiricas.
Tudo isso sem falar de outros bichos, da flora paradisíaca do lugar, das cachoeiras e paisagens de tirar o fôlego, criadas sem qualquer participação humana. Agora, quando o homem cisma de meter o bedelho, aí...
Belo Horizonte, 11 novembro 2003

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

ACREDITO NAS CAMISETAS

Do texto “Roteiros da Estrada Real” três aspectos bem curiosos. O primeiro é que coisa de um mês antes do seu lançamento, estive no Instituto Estrada Real, quando apresentei os Folhetos Cadinho RoCo com a Série Estrada Real, na intenção de obter apoio patrocínio. O segundo é que o lançamento desta publicação, ao invés de acontecer em Belo Horizonte, cidade sede do Instituto Estrada Real, se deu no Rio de Janeiro. E o terceiro é que o segundo exemplar da tal publicação só aconteceu quase um ano depois, em junho ou julho de 2004 e até onde sei este projeto não existe mais. Detalhes interessantes porque exatamente hoje estou aqui com textos daqueles folhetos que continuam sendo publicados e até contando com a extensão deste blog que vai muito bem obrigado. Tanto rigor para com os folhetos, ao que parece não foi aplicado ao tal projeto desta publicação. Estranho isso.
ACREDITO NAS CAMISETAS
Não adianta apavorar porque tudo acontece quando e como deve acontecer. Lógico que isto não é motivo para sentar e esperar que o mundo venha a nós e nem tão pouco deixar que seja lá segundo a vontade de Deus. Mas que não adianta forçar, isso é que não adianta mesmo.
Tenho total fé e confiança no que faço, nas camisetas que pinto. Elas são sinceras, autênticas e transmitem força da expressão que imponho em cada pintura que crio. Sei que não agrado todo mundo, tal como sei não haver em mim tal intenção. O que nem por isso fará com que as camisetas deixem de ficar expostas a esperas que por muitas vezes não consigo entender. No entanto sei da existência de pessoas que não conseguem decidir, que não conseguem entender, ou decifrar o que de fato querem. Sei de situações mais delicadas e de outras que, por conveniência, se fazem delicadas. Mas, com tudo isso acredito na venda das camisetas, que de maneira ou de outra, acontecem.
Belo Horizonte, 09 fevereiro 2009
“ROTEIROS DA ESTRADA REAL”
A Federação das Indústrias de Minas Gerais – FIEMG, por intermédio do Instituto Estrada Real, “sociedade sem fins lucrativos, criado pelo Sistema FIEMG”, como afirma o presidente da federação, Robson Braga de Andrade, lança o primeiro exemplar do “Roteiros da Estrada Real”. Uma revista com jeito de guia, um catálogo ou informativo turístico. Uma publicação muito bem elaborada, com ilustrações belíssimas e respaldadas por informações fornecidas por agentes que atuam no turismo.
Por não haver na publicação um expediente, que é aquele espaço destinado a informações, no caso, do que poderia ser considerada uma revista, é que ficamos sem saber, entre outros detalhes, da periodicidade da tal publicação. Se nela está citado o ano um e o número um do mês de outubro, deveremos considerar ser uma publicação mensal?
O mais interessante disso tudo é observarmos que tão logo surgiu a Série Estrada Real dos Folhetos Cadinho RoCo, em setembro de 2003, eis que somos, de forma prazerosa, surpreendidos pela chegada do “Roteiros da Estrada Real”. Uma feliz coincidência que valoriza ainda mais os folhetos que compõem o primeiro periódico específico da Estrada Real.
Belo Horizonte, 18 novembro 2003

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

REALIDADE DOS FATOS

Na realidade não vivemos só de conversa
REALIDADE DOS FATOS
Existe um momento na vida em que a permissão é ampla o suficiente para acolher planos e intenções diversas. Com o passar do tempo a realidade pede realização e o que era sonho e fantasia precisa encontrar jeito de não ser mais que mero habitante do imaginário.
Ao pintar as camisetas, o que faço é tornar concreto o abstrato. Por essa transformação surge o elemento do que faço diante de cada instante depois ido a cada dia que passa.
A pintura da camiseta é ação que não tem como ficar limitada ao propósito. Ela precisa de resposta vinda de quem de fato se interessa pelo que ela é. Não adianta em nada dar ao querer sustento que não chegue à prática. Não adianta simplesmente querer, quando deste querer o agir não aparece. E assim é em tudo na vida que não está aí só para sonhar ou dizer do que quer sem dar a este querer espaço e presença na realidade dos fatos.
Belo Horizonte, 09 fevereiro 2009
SINAL DE ALERTA
Está mais que dito ser a Serra do Cipó um santuário ecológico, um dos grandes encantos da natureza de Minas Gerais, referência da nossa história, fauna e flora exuberantes a despertarem grande interesse científico e por aí afora. Está mais que percebido ser a Serra do Cipó possuidora de grande potencial turístico com atrativos de indiscutível beleza, clima agradável, fácil acesso e coisa e tal.
Mas a realidade estampa, exatamente por todos esses atributos, a necessidade de ações mais responsáveis e capazes de substituírem o festivo pelo objetivo. Quando deparamos com pessoas que não sabem sequer onde estão, quando somos cobrados por uma xícara de café o que é cobrado por uma garrafa de cerveja, quando ficamos expostos a uma prestação de serviço completamente aquém do valor exigido por ela, isso é sinal de que as coisas não estão tão maravilhosas quanto parecem. Permitir isso é abrir espaço para a depredação e para a ganância de quem quer tudo a qualquer preço, sem medir conseqüências. Em outras palavras, isso é semear a violência.
Belo Horizonte, 06 novembro 2003

domingo, 8 de fevereiro de 2009

QUANDO O TEMPO APERTA

Tem dia que o dia fica embolado pelo tempo
QUANDO O TEMPO APERTA
Nem sempre consigo ir por onde gostaria de ir porque em meio aos instantes somos surpreendidos por outras imagens. Aí desviamos daqui e dali para depois chegarmos onde antes queriamos chegar.
Mas não gosto de atrasos. Por isso é que crio resistência quando percebo que o tempo começa a apertar. Por isso também é que nem sempre consigo chegar às camisetas para pinta-las.
Belo Horizonte, 08 fevereiro 2009
DA BANDEIRA
No vai e vem da Estrada Real muita coisa aconteceu e que entrou para a história. Entre os poetas que formaram o grupo mineiro no século XVIII, Alvarenga Peixoto. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 1744 e completou estudos na Universidade de Coimbra. Quando retornou ao Brasil encontrou o caminho das Minas Gerais. Em São João D’El Rey, ao invés da advocacia dedicou-se à indústria da mineração.
Foi de Alvarenga Peixoto a sugestão da legenda “Libertas Quae Sera Tamén” inserida à bandeira da Inconfidência, hoje bandeira de Minas Gerais. Na condição de inconfidente, Alvarenga Peixoto foi condenado ao exílio em Ambaca, na África, onde morreu em 1793.
Belo Horizonte, 27 outubro 2003

sábado, 7 de fevereiro de 2009

MAIS UMA

Outro texto extraído da primeira publicação periódica da Estrada Real lançada nos idos de 2003 pelos Folhetos Cadinho RoCo e que pela leitura de quem por aqui passa consegue mostrar que o que está feito oferece o muito a ser feito.
MAIS UMA
Na praça a manhã ensolarada em meio a pessoas que passam sem se darem conta de um encontro que acontece ente amigos. Um café risos no atendimento e o caminho do dia passa por ruas avenidas recepção, só um instante, outro encontro.
Das camisetas pintadas outros acontecimentos que viajam em acertos idos ao estrangeiro. Tudo combinado ajustado para que seja feito com precisão sem falhas.
A vida aqui acolá, assuntos nem sempre bem entendidos porque as palavras também confundem o dizer das pessoas. O que era sol entregou-se à chuva, o que era cansaço dormiu adormeceu sonho e o que era expectativa cresce para a venda de mais uma camiseta.
Belo Horizonte, 07 fevereiro 2009
LIÇÃO DE VIDA
Palanque, Paraíba, Palmeira, Porcelana, Platina, Pavão, Passeio, Princesa. Palácio, Papoula, Pitanga, Paraíso e Periquito. Aí estão identificados animais que compunham uma das tantas tropas que percorreram pela Estrada Real. A madrinha da tropa era o cavalo Periquito. Corpo miudo, mas com gigantesca personalidade. Bastava relinchar para que os outros assumissem posição. Periquito morreu de mordida de cobra.
No silencio da lembrança gratidão que não esquece nome desses animais. Simples expressão da humildade típica desses homens e mulheres que viveram para servir. E dessa relação entre humanos e animais, escreveu João Paulo I: “Quando me elogiam, experimento a necessidade de comparar-me com o jumento que levava Cristo no Domingo de Ramos. E digo de mim para mim. Como teriam rido do burro se, ao escutar os aplausos da multidão, tivesse ficado cheio de soberba e tivesse começado (asno que era) a acenar agradecimentos à direita e à esquerda. Não devemos cair em semelhante ridículo.”
Ao que parece, os tropeiros já traziam de longe essa sabedoria.
Belo Horizonte, 19 outubro 2003

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

DA VIDA

Do Ambrósio é mais um texto extraído da primeira publicação periódica e específica da Estrada Real criada e inserida aos Folhetos Cadinho RoCo e que, infelizmente, por falta de patrocínio ou qualquer outro apoio financeiro, ou dito cultural, teve de ser paralisada.
Quando criada por mim esta proposta foi apresentada a emissoras de rádio, televisão e empresas que pudessem oferecer o recurso necessário para que ela evoluísse dentro do seu objetivo que, entre outros aspectos, é o de estimular a leitura em todo circuito da Estrada Real envolvendo quase 200 municípios nos Estado de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Mas, sabe como é, esperança é a última que morre e por isso insisto na possibilidade de despertar o empresariado no sentido de podermos viabilizar isso, ou quem sabe a Editora SENAC, em São Paulo, posto que a regional do SENAC-MG investiu um bocado na Estrado Real, se é que não investe até hoje. De repente podemos criar uma parceria e avançar com esta iniciativa.

DA VIDA
Existem palavras, mensagens, conversas e recados que merecem mais ou menos atenção. Estamos sempre nessa dança de lá pra cá e de cá pra lá das sensações a projetarem e imaginarem muitos significados.
Não é todo dia que pinto camisetas, portas ou paredes. Tem dia que parece neutro distante desse universo. Mas agora, num exercício espontâneo, olho para pessoas e imagino-as com camiseta pintada por mim. Não há distinção nenhuma nisso que faço até sem pensar.
Na vida fixamos e somos fixados por pessoas. Mas quando penso melhor, na vida a fixação nunca é fixa, porque na intimidade há um movimento constante e que não para nunca. Na intimidade de cada um de nós não existe nada parado. Pare, pense, observe e perceba que esta constatação é mais inquietante do que esta inquietação que concluo ser própria da vida.
Belo Horizonte, 06 fevereiro 2009
DO AMBRÓSIO
Dois homens simples e preservados pela memória ditada em versos. Deles, pouco se sabe. Fato é que existiram na simplicidade de vidas dedicadas ao trabalho duro e aos momentos marcados pela amizade cultivada pelo cotidiano.
Dois homens entregues às tropas responsáveis pelo transporte de tudo e mais um pouco em um tempo que rejeita esquecimento.
Marcolino foi escravo que depois de libertado assumiu função de cozinheiro que vivia aperreando o paciente Ambrósio. Um belo dia, moço resolveu responder tamanho aperreamento na base da poesia. Foi aí que Ambrósio declamou: “Você diz que sou tropeiro/ Eu não sou tropeiro não/ Sou tocador de burro, Marcolino/ Tropeiro é o patrão.”
Belo Horizonte, 17 outubro 2003

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A MINHA PORTA

A foto da porta está hoje na coluna ao lado
A MINHA PORTA
Perdi a conta que nunca fiz das tantas vezes que fechei e abri esta porta que é a minha porta de tantas idas e vindas a testemunhar passagens inteiras de momentos nutridos tanto pela esperança quanto pelo desalento.
Chegou o dia hora momento inspiração para homenageá-la com pintura que faço.
Pintei almofadas de madeira na madeira da porta. Fiz ato de carinho reconhecimento por ela fiel aos meus instantes tão abertos quanto fechados.
Quando quero mundo trancado em mim, tranco a porta. Quando quero mundo aberto para minhas tantas idas, abro a porta.
Esta porta agora traz a marca registro desse meu gesto a conferir a ela tal distinção.
Belo Horizonte, 05 fevereiro 2009
ADRIANA
O que acontece com Adriana, em Jaboticatubas é simplesmente o que acontece com expressivo número de pessoas em toda extensão do circuito da Estrada Real.
Para completar seu curso universitário, Adriana precisa ir todos os dias a Sete Lagoas. São duas horas para ir e mais duas para voltar. Isso quer dizer que Adriana convive com um sexto dos seus dias na estrada. A situação torna-se amenizada por estar ela gostando do curso que faz. O que em muitos casos não acontece, por haver muita gente que considera ser mais importante a obtenção do diploma de um curso qualquer, do que identificar-se com o que quer ser na vida.
Interessante mesmo é perceber a dedicação da Adriana que não pretende sair de sua tão querida Jaboticatubas. O que passa a representar forte estímulo para a educação dos seus conterrâneos.
Crescer é também proporcionar o crescimento de quem convive com a gente.
Belo Horizonte, 07 outubro 2003

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

MELHOR ASSIM

Êta semaninha difícil!
MELHOR ASSIM
Tem dia que a vida fica mais difícil de ser levada. Mas nem por isso devemos dar tanta asa ao desânimo porque aí é que a dificuldade cresce pra valer.
Por esses dias sou levado a outros afazeres. Um olho na vida, outro nas camisetas. E a venda das camisetas em busca de novos caminhos. Acredito nas vendas e nos caminhos também.
Quer saber? Acredito em tudo porque só desconfiar cansa demais. E a desconfiança aborrece.
Tem uma tinta que não quer sair dos meus dedos. Poderia ficar irritado, mas não fico. Digo pra mim mesmo que isso é sinal de dinheiro que vai chegar. Acredito em tudo. Melhor assim.
Belo Horizonte, 04 fevereiro 2009
DETALHES DA MANTIQUEIRA
Interessante observar o que caracteriza uma e outra cidade. De sutileza em sutileza vamos percebendo sinais e maneiras a irem compondo conceitos e mais conceitos em nossos raciocínios. Para o jornalista Pedro Rogério Moreira, por exemplo, “Juiz de Fora exerce grande atração nos lelés. É só ler os livros de Pedro Nava para ver.” – completa o perspicaz jornalista.
Já estive por algumas vezes em Juiz de Fora, sem, no entanto, ter tido oportunidade de observar o bastante para concluir o que o Rogério concluiu. Percebi sim, ser cidade de mulheres encantadoras, alegres e dispostas proporcionando noites e dias de singular animação. O que não exclui pertinência do jornalista que então lembra de afirmação do Henrique Hargreaves que, enquanto filho de Juiz de Fora, não poupa espanto ao dizer:
- Engraçado, sô, construíram hospícios em Barbacena, mas os doidos estão é deste lado da Mantiqueira!
Sem querer entrar no mérito da polêmica, acrescento ser também Barbacena cidade privilegiada pelo encanto de suas graciosas donzelas. Aliás, pensando melhor, talvez seja exatamente a exuberância das virtudes femininas tanto de Juiz de Fora quanto de Barbacena, motivo para essa doidice coletiva.
Belo Horizonte, 02 outubro 2003

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

OLHA AÍ

Duas observações:
Bill esteve comigo e mostrei-lhe a pintura que fiz na parede em minha casa. A pintura ocupa área de 2.20m de comprimento por metro e meio de altura.
O Texto Saninha é colhido dos Folhetos Cadinho RoCo que em 2003 criou a primeira publicação periódica e específica da Estrada Real, que contou com 20 exemplares. Esta iniciativa, infelizmente, não sensibilizou o empresariado mineiro, incluindo o Instituto Estrada Real, mantido pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), e que por falta de patrocínio foi paralisada. Esta série conta com textos envolvendo personagens e episódios preservados pela cultura popular e do desconhecimento do grande público. Trata-se de um trabalho que pode ser retomado a qualquer momento, desde que devidamente reconhecido.

OLHA AÍ
Olho para o nada penso na vida sem saber no que pensar neste instante que caminho transito pela rua com algum movimento. Sigo sei pra onde e o que fazer e faço. E volto por outro pensamento.
Camisetas pintadas e descansadas no silencio da prateleira repleta de expectativa. Preciso vender as camisetas sei que preciso, mas também preciso de estar na vida do pensar solto na vida solta e exposta a um pincel, a uma caneta, a um monte de palavras lidas e escritas.
Pra quê pensar tanto?
Pronto agora sim é que penso pensar demais no nada que é tudo que não existe. Mas existo sei que existo e tenho como testemunhas pincéis, canetas, palavras lidas de livros diversos e pinturas estampadas em camisetas e naquela parede que deixou Bill surpreso, sim porque da foto imaginava ser aquilo menor.
Será que penso ser maior o que nem é tão grande assim?
Belo Horizonte, 03 fevereiro 2009
SANINHA
Saninha de Mariano viveu mais de cem anos, foi escrava alforriada pela Lei Áurea e está presente na memória da Estrada Real. Foi tropeira que comprava em Santa Bárbara produtos que comercializava na região. Com sua força e disposição, carregava e descarregava 24 sacos de 60 quilos cada, para sustento de sua liberdade. E quando corpo sentia, remédio era medicina popular fazendo uso das plantas. Para gripe, maria-preta e grelo de assa-peixe. Para males diversos, hortelã esfregado na água.
Saninha bateu enxada, cuidou de criação no pasto e para alimentar os homens da roça fazia angu doce com rapadura ou garapa, que era servido às duas horas da tarde.
Há quem diga que Saninha ainda era capaz de transportar da fazenda para a cidade, 60 litros de cachaça em uma pipa que carregava na cabeça e a pé. Tudo para bem servir o freguês.
Saninha foi casada com Mariano, que depois de acidente com um burro ficou dependente dela, cujo suor deixado na Estrada Real é de inesquecível e respeitável dignidade.
Belo Horizonte, 24 setembro 2003

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

AÍ É QUE ESTÁ

Digo repito que pinturas que crio surgem do espontâneo que de tão espontâneo que é não dá tempo nem pra sonho sonhar
AÍ É QUE ESTÁ
Choveu pedra acordei barulho diferente. Calor ventilador que gira motor que lembra outro. Viagem estrada céu avião ou barco sobre o mar. Saudade do mar.
Camiseta branca espuma que vem com a onda do mar. Viro dobro corpo, abro fecho olhos, mas não adianta, sonho acabou. Era imagem de uma cor só, estampa na camiseta que não criei. É sempre assim. Pintura que crio só aparece em sonho se vestida por alguém. Mas todas as pinturas que não crio aparecem em sonhos que não dividem autoria comigo. Não consigo trazê-las para as tintas. Por isso, melhor nem dizer que elas existem.
Mas imagem de sonho existe?
Belo Horizonte, 02 fevereiro 2009
VINDO DA ESTRADA

Deito e penso
Penso e durmo
Durmo e sonho
Sonho e acordo.
Levanto e ando
Ando e sigo
Sigo e paro
Paro e olho.
Lugar estranho
No amanhecer frio
Silencioso e sombrio.
Banho no despertar
Desse sono líquido
Que vem da estrada.

Belo Horizonte, 15 setembro 2003

domingo, 1 de fevereiro de 2009

PRIMEIRA PAREDE

A primeira pintura que fiz em uma parede está em foto na coluna ao lado. A foto foi a que consegui tirar porque eu tive muito pouco espaço para posicionar a câmera para pegar a imagem inteira.
PRIMEIRA PAREDE
Eu precisava de uma parede porque o convite veio e com ele o desafio.
Pintar em uma parede. Fui ao apartamento e vi o espaço parede que será pintada para depois receber pintura criada por mim.
Nunca havia pintado em uma parede antes. Até ontem diria que nunca pintei em uma parede. Hoje digo que já pintei sim, em uma parede.
Foi a primeira vez porque sempre tem uma primeira vez. A sensação? Deliciosa. Sempre a mesma conversa. No início, nervoso. Eu precisava de um instante. Olhei para ela como nunca havia olhado antes. Cheguei mais perto, senti sua presença, toquei-a com minhas mãos. Alisei-a num vôo de carinho leve, gostoso, envolvente. Ganhei intimidade, passei a mão nela toda. Sua textura em meu toque, provocação só nossa. E assim foi.
Tratei de possuí-la num ímpeto só. Dor e prazer em contornos profundos.
Quando dei por mim, a pintura fez-se presente.
Belo Horizonte, 01 fevereiro 2009
FEITO SAUDADE

Tem saudade no telefone
E no cigarrinho de palha também.
Tem saudade nessa tola espera
E na conversa com ninguém também.
Tem saudade na inocência do caminho
E no amanhecer que clareia o dia também.
Tem saudade no calor vindo da aguardente
E na viagem que só passa pelo sonho também.
Tem saudade espalhada por toda direção
Impregnada no mais sutil dos sentidos
E por essa displicência exposta à luz do dia.
Para completar, tem saudade de sobra
Vagando por cada pedaço instante desse viver
Que quer transforma-la em felicidade.

Belo Horizonte, 08 setembro 2003