Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

domingo, 4 de agosto de 2013

PENSO PENSANDO


Série Cadinho de Prosa dos Folhetos Cadinho RoCo
PENSO PENSANDO
     Penso no jeito simples do viver. Na varanda esquecida em meio a vasos de plantas diversas penso porque vivo pensando em coisa e outra, em tudo e em nada que poderá vir a ser tudo.
     Flutuo pelo espaço do que não acontece aqui, nem em lugar nenhum, porque tem hora que sinto ser eu ninguém encarnado em alguém que não sei quem é. Nem sei mais do viver que quero viver porque do amanhã sei que não sei de nada.
     Saio por aí com dia ainda escurecido. É noite que amanhece, é céu que acorda bem diante dos meus olhos. Instante em que sinto saltar do sonho a realidade acordada pelo sol.
     Já não estou na varanda e nem em nenhum lugar reconhecido como tal. Flutuo pelo espaço desgarrado de mim mesmo.
     Será que estou dormindo?
Belo Horizonte, 4 agosto 2013

MÃOS À OBRA
     Por vezes penso que enlouqueci. Por vezes penso já ter enlouquecido. Por vezes penso estar louco, agora mesmo.
     Observo meus movimentos. Mãos à obra é o que ouço das minhas mãos. Mas as mãos não falam, como também nada pronunciam os dedos. O que estarei vivendo?
     Mãos à obra é o que ouço por mais uma vez invadir o silencio. Voz firme, sonora, grave e definitiva. Com os olhos fitos em minhas mãos, constato não ter brotado delas a tal voz.
     Mãos à obra. Agora não ouço mais que o eco da lembrança. Mãos à obra é o que passo a repetir para mim mesmo e para minhas mãos tão ou até mais ansiosas que eu. Acredito no que ouço?
     E quando penso já estar livre do mistério, ao repetir para mim mesmo mãos à obra, a voz surge dizendo: acredite.
Belo Horizonte, 20 agosto 2001

3 comentários:

Célia Rangel disse...

Sonhar! Vagar! Sermos utópicos... são artifícios que nos fazem viver bem melhor...
Abraço, Célia.

Ritinha disse...

Ah! como eu penso... aliás, no caminho ao trabalho, olho pela janela do ônibus e imaginando o que se passa na cabeça de vários transeuntes... como será que foi a noite? qual a dificuldade? para onde vão? tantas coisas povoam minha mente... delírio dos pensamentos...
bjs
Ritinha

Dorli disse...

O Cadinho
Eu não perco muito tempo e nem me questionando sobre a vida eu a vivo.
Seus quadros são lindos
Obrigada
Lua Singular