CONTANDO
CONTANDO
Perdi a
conta das vezes em que vi meu pai entregue aos números fazendo contas e mais
contas em papéis achados ao dispor deste seu agir. Depois saía carregando
consigo aquele pedaço de papel impregnado de cálculos só decifrados por ele
mesmo.
Agora
pego-me a fazer contas e mais contas na cabeça então desafiada por proporções
imaginárias e não menos tentadoras. Especulo valores, busco preços, considero
possibilidades a buscarem formas e reformas querendo realizações trazidas de
antigos propósitos.
Vou à
sorveteria porque agora tenho dedicado particular atenção ao saboreio de
despretensioso sorvete.
No
calor das intenções o semblante gelado de um dia que passa como qualquer outro.
Belo Horizonte, 19 março 2020
CONFUSO
O que está diante dos meus olhos é o que
vejo.
O que está dentro dos meus olhos é o que
enxergo.
O que passa por mim é o que percebo.
O que passa dentro de mim é o que sinto.
Aí pergunto: o que é sentir?
Sensação estranha a vagar pela indagação
em busca de resposta. Eu perdido na relva do sonho ondulado e distante a
confundir ondas do mar e das montanhas em meio a terra e água na ilusão desse
meu tão singular instante.
Serei o bastante para mim mesmo?
Belo Horizonte, 12 setembro
2016
Nenhum comentário:
Postar um comentário