ISOLAMENTO
ISOLAMENTO
Eram duas garrafas pequenas servidas para manter a pimenta malagueta banhada
em vinagre. Agora é uma garrafa pequena que mostra, pela sua transparência, a
pimenta malagueta mantida no vinagre. A outra, após inadvertido esbarro caiu e
quebrou.
Uma garrafa de vidro quebrada deixa de ser garrafa transformando-se,
simultaneamente, em cacos de vidro. De um instante para outro eis que surgem
transformações capazes de fazerem com que tenhamos o nosso estar exposto ao que
tanto pode nos encarcerar, quanto nos libertar.
Nascemos para a liberdade ou para o encarceramento?
Haverá sentido em abrirmos mão da nossa liberdade espontaneamente?
Será razoável deixarmos de ser o que somos para sermos o que querem que
sejamos?
Belo Horizonte, 13 maio 2020
CORRESPONDÊNCIA
Para quem consegue fica fácil perceber
que o amor ganha em intensidade quando acontece o fluir da correspondência.
Insistir em querer isolar o amor é algo que só faz comprometer sua emanação até
por haver aí o despertar do egoísmo.
O amor não se alinha com o egoísmo, posto
haver em sua essência motivação com sentido totalmente contrário. Razão para
que reflitamos sobre o que promove o afastamento e a aproximação.
Para quem abre a sensibilidade para o
amor eis que tudo ganha em amplitude e possibilidade. O amor é libertação capaz
de fazer com que da união aconteça o desprendimento, ainda que isso possa
parecer contraditório.
No amor a contradição cede espaço para a
integração que, pelo entendimento, estabelece constante estímulo ao espírito da
fé.
Belo Horizonte, 20 agosto
2017
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