Prefiro o sabor do presente do que o amargo do passado
TEMPO QUE PASSA
Enquanto passam os dias vindos de prolongado feriado, eis que vamos ajustando nossas coisas, nossas contas, nossas projeções e intenções. Vem o dia do trabalho, primeiro de maio que é data de aniversário dos Folhetos Cadinho RoCo que completarão 13 anos e que por isso mesmo nascem para o ano 14. Façanha espetacular que dá ao meu viver o mais pleno sentido de vida que experimento a cada dia que passa. É a partir dos Folhetos Cadinho RoCo, que hoje assino um blog e que divulgo os Painéis Cadinho RoCo, óleo sobre tela, minha principal fonte de renda. É pelas vendas dos Painéis Cadinho RoCo que obtenho dinheiro que preciso pra viver, posto que apesar de tantos anos de labuta e de dedicação, não consigo patrocínio para os Folhetos Cadinho RoCo e nem o reconhecimento pelos meus mais de 35 anos dedicados à escrita.
Belo Horizonte, 26 abril 2011
A CAIXINHA
Saiu do banho com o frescor da toalha branca que envolveu seu corpo macio perfumado delicado. No quarto deparou com ele sentado aos pés da cama, cabisbaixo e nas mãos... surpresa. A caixinha?
Escondeu espanto, voz vinda da toalha branca, ela questiona com maciez o que ele faz segurando aquilo e pede que dê a ela. Ele ergue a cabeça, levanta-se e a dedos de distância pergunta o que tem na caixinha tentando abri-la sem conseguir, posto estar ela trancada. Suor frio escorre da nuca medula abaixo, toalha enxugando a fala. Diz que não vai dizer e pede a caixinha de volta.
- Não admito que mulher minha tenha uma caixinha secreta e ainda por cima trancada.
- Você enlouqueceu. Vá e abra aquela janela, respire fundo e olhe com atenção, porque estamos em pleno século vinte um, tempo de não se pensar em tamanha tolice. Não vou dizer e por favor, devolva a minha caixinha.
Trinta centímetros de comprimento, quinze de largura e uns sete de altura. Eis a dimensão do mistério.
Ele devolve a caixinha, não poupa força em abrir a janela, inspira o ar com furor, olhos úmidos na noite seca e distante.
Ela abre o segundo gavetão da cômoda, vinda lá dos tempos da avó, guarda a caixinha com carinho e escolhe a mais sensual das camisolinhas. Sabe que quando ele fica bravo assim, é sinal de que a noite será invadida por aquele cometa luminoso, verdadeira brasa viva.
Ele fecha a janela, não sem antes desabafar: - Merda de século vinte um.
Belo Horizonte, 22 agosto 2007