Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

sábado, 30 de julho de 2011

ENTRE ASSUNTO E OUTRO

Este texto foi remetido para o Papeando com Cadinho RoCo, espaço criado pelo Informativo O Pappel. Por causa do seu tamanho não haverá inclusão de um segundo texto, como sempre acontece aqui, extraído do acervo dos Folhetos Cadinho RoCo. Nesta publicação a oportunidade de conhecerem meu desempenho em narrativas mais extensas. Agradeço pela vinda de cada um de vocês até aqui.

ENTRE ASSUNTO E OUTRO

Olhei para o relógio imaginei atraso e logo em seguida fui informado que o Arnaldo Matoso lá de Quissamã não poderia comparecer por causa de pequeno problema de saúde surgido de repente. Por isso não tive como conhecê-lo e nem tão pouco entrevistá-lo.

Sensação de vazio, página do Papeando com Cadinho RoCo no silencio quebrado pela aparição do médico pediatra Sérgio Gonçalves que a mim disse ser o Dr. Serjão. Entendi de imediato sua apresentação, homenzarrão de gestos largos, memória espetacular, discurso enfático e timbre de voz firme e determinado.

Dr. Serjão foi de São Fidelis a Campos com seus casos e episódios, atravessou baixada campista e da Praia do Farol de São Tomé disse surgirem no século XIX portugueses vindos da Ilha da Madeira com a cara e a coragem para enfrentar a vida do lado de cá do oceano. A partir daí surge novo capítulo da história de Campos antes dos índios Goytacazes. E a conversa esbarra em nomes memoráveis e episódios não menos espetaculares como a do fulano que foi ao coronel reclamar que aquele outro havia laçado sua filha assim, com todo atrevimento. Coronel sem demonstrar desconforto pergunta pra fulano onde está importância daquele acontecido. Fulano surpreso choraminga e se diz por demais ofendido com tamanho desaforo do outro. Coronel insinua riso, dá baforada em seu charuto de primeira linha e busca palavra em voz na mansidão. Diz pra fulano que episódio seria de todo importante caso o outro, exímio laçador, errasse laçada no que daria em atitude de ineditismo a ser esparramado aos quatro ventos.

Dr. Serjão vibra com desfecho que dá conta de como tudo acontecia quando coronelismo impunha poder por toda baixada campista. E já aproveita pra reforçar importância da memória e do que dá vida à história. Pra ele, homem sem passado não tem presente, lugar sem história é lugar qualquer. Completa sua visita ao Papeando com Cadinho RoCo, dizendo-se encantado com mula que adquiriu dia desses, animal de qualidade superior, escolhida a dedo. Está sendo educada com todo esmero, dá sinal de por demais esperta. Já recebeu proposta pra dispor da mulinha por mais do dobro do que pagou por ela. Rejeita oferta, pegou afeição pela jeitosa que agora é mimo do Dr.Serjão que nem quer ouvir conversa de negociação da bichinha. O que quer é que ela seja muito bem educada e que fique longe distante daquela criançada da roça pra que molecada não desencaminhe belezura daquela mulinha. Se nome não tem ainda sugiro que Dr. Serjão passe a tratá-la por Preciosa ou, em querendo ser mais enfático, Valiosa.

Chico Terra que sem piscar olhos presta atenção a cada dizer do Dr. Serjão, confirma ser mula educada bicho por demais valoroso. Dr. Serjão concorda e já de saída não estende assunto, parece não se sentir confortável em ver alguém manifestando admiração pela tal mulinha.

Vai Dr. Serjão chega o Gildo Henrique que pede pra ser apresentado como designer gráfico, tudo bem. Moço pega O Pappel e logo da manchete, primeira página lê: Dr. Guilherme: “Cardoso Moreira precisa encontrar uma terceira alternativa”.

Inquietado com o que lê Gildo diz estar errada aquela afirmação posto não existir terceira alternativa. Para o português, no que refere-se à língua culta, é inadmissível dizer terceira alternativa. E o moço fala, argumenta sem ninguém dizer nada.

Ouço tudo quieto quietinho no meu canto, admiro preocupação do Gildo que também é dramaturgo e escritor contista premiado, mas percebo sinto rigor meio que exacerbado em sua atitude reação. O Dr. Guilherme é pessoa querida, primeiro entrevistado do Papeando com Cadinho RoCo, merecedor da nossa estima e respeito. Tal como acontece com qualquer um de nós, Dr. Guilherme pode e por certo até comete lá seus equívocos, mas não reputo como equivocada sua afirmação estampada no O Pappel.

Na vida passamos por infindas situações e por isso mesmo é que vivemos em meio a alternativas sem fim.

Em homenagem ao carinho e apreço demonstrados pelo multimídia Gildo ao nosso idioma, vou ao Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa, publicado pela Editora Moderna Ltda, 3ª edição de 2008, integralmente adaptado à reforma ortográfica. Dele chego à palavra alternativa e dela encontro o seguinte: “alternativa: s.f. uma de duas ou mais possibilidades pelas quais se pode optar.”

Tal como entende o lexicólogo Houaiss, entendo eu ser perfeitamente aceitável haver uma terceira alternativa sem com isso ferir a nossa tão querida língua pátria.

Mas a noite é de festa e Gildo ao empunhar violão interpretou repertório por demais interessante tocando e cantando com participação da não menos talentosa Bernadete Borgalo, atriz que está em fase de ensaios no elenco da peça: “O Segredo do Capitão Garrafa e Outras Histórias”, ou Estórias se preferir o autor da peça, Gildo Henrique. A peça está com estréia marcada para o dia 6 de novembro no SESC – Campos, como anuncia Bernadete.

Neste ambiente tranquilo, festivo e fotografado pelo grande Kanal, o registro da presença do também fotógrafo Paulo Sérgio Pinheiro. Mais cedo esteve conosco o Marquinhos, bem como Márcio Araujo e fomos todos recebidos pelo diretor do Pappel, Gervásio Cordeiro Filho. O interessante é que a partir daí o Papeando com Cadinho RoCo ganhou dinâmica tão mais espontânea quanto agradável.

Bom ainda registrar presença do Vitor Almeida que quando começa a dar leves tapas sobre a mesa, sinal de que é hora de encerrar assunto. Razão pela qual abro despedida já na expectativa do nosso próximo Papeando com Cadinho RoCo.

Belo Horizonte, 30 julho 2011

5 comentários:

Simone MartinS2 disse...

Boa noite, passei para prosear mas tu estavas tao absorto em teus escritos que me fui, mas volto outra hora, com mais calma e tempo...o tempo que nao demora se vai junto comigo e me segue por todo meu caminho...Se da proxima vez tu estiveres ocupado, passo direto e so volto mes que vem...abraços e fique com DEUS! (papo de comadre...gostei)

Hugo de Oliveira disse...

Passando pra te desejar um ótimo final de semana.


Abraços

Magui disse...

O encontro de amigos que dão bom papo e geram texto rico e variado. Isto é o que alimenta a vida.

Mônica disse...

Cadinho
Quando os amigos se encontram é sempre um bom papo e uma escrita divertida.
com carinho Monica

Louro Neves disse...

Sempre achei o português uma caixinha de ciladas, ciladas nas quais me vou embaraçando ao falar e ao escrever. Mas nada como um bom papo regado a dicionário e a gramática que não nos faça tomar rumo e encarar "a fera"; e como se vê aqui, visitar alguns blogs também é válido na luta pelo bom vernáculo.