Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

APROXIMAÇÃO



Mais vale alcançar do que perder contato com nosso ssmelhante
APROXIMAÇÃO
     O fato de mesclar a realidade com a fantasia não deve representar espanto, resistência ou questionamento ao valor literário do dizer que então transita por essa proposta. Isto porque tanto a realidade quanto a fantasia fazem parte da vida de qualquer um de nós, o que então abre a possibilidade e perspectiva da saudável comunicação entre a palavra e a literatura.
     Hoje, por incrível que pareça, somos vítimas de preciosismos que já foram dispensados do nosso fazer, mas que insistem em voltar sempre, principalmente por meio de quem quer exuberar, por pura e simples vaidade, erudição que ao invés de contribuir termina é por emperrar obras inteiras. Enaltecer a simplicidade sem no entanto violentar referências fundamentais ao bom uso da palavra é algo que merece ser valorizado, até para que não nos percamos naquilo que nos afastará cada vez mais do quanto é saudável agir em favor da aproximação.
Belo Horizonte, 18 janeiro 2013
INDECIFRÁVEL
     Passei o dia, esperando. Não sei precisar o que, mas passei o dia esperando. O dia não esperou o meu decifrar. Mas também eu não queria nenhuma decifração.
     Passei o dia, esperando alguém. Uma aparição, uma voz, uma mensagem. E o dia foi passando com o ir e vir do meu cão sempre remetido a alguma procura, que também não decifrei. E o dia foi passando, como um dia qualquer.
     Passei o dia, esperando sair do lugar comum. Nem sei se estava o meu ser, em algum lugar. Talvez na lembrança de alguém. Um convite no meio da tarde. Preferi recusa-lo, permanecendo  em minha silenciosa espera. Mas o dia não estava silencioso. O silencio também parecia não estar em mim. Tratei de ignorar o silencio.
     O dia passou, enquanto continuo a esperar o decifrar do amanhã.
Belo Horizonte, 20 junho 1999

Um comentário:

Vanessa Barbosa. disse...

A literatura é livre! Escrevemos o que queremos, e lê quem quiser. Moderar nossas palavras pensando em pessoas que não irão gostar de ler, é como aprisionar ideias, não sou nem um pouco a favor disso.
Beijos.