Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SOBREVIVÊNCIA

Quando ficamos longe de onde queremos estar, até respirar se transforma em gesto estranho

SOBREVIVÊNCIA

Hoje, longe do mar, sinto-me um peixe fora d’água. Sensação estranha de asfixia, de afogamento em sentido inverso. Não quero dizer com isso que consigo viver no fundo do mar, qual peixe, de jeito nenhum. Mas viver distante do mar passa a ser cada vez mais estranho pra mim.

Pinto bonés com pensamento em São João da Barra – SJDB. João da Barra diz que ao invés de ter os bonés na cabeça, passei a ter a cabeça nos bonés, na pintura deles.

Observo o peixe pescado, eu pescador de detalhes. João da Barra diz que mar alimenta o peixe que nos alimenta tal como faço quando alimento bonés com cores e formas tão disformes quanto as ondas que esbarram pelas praias de SJDB.

Na arte pescador encontra peixe no mar tal como encontro pintura no boné. João da Barra lembra que assim é que encontramos meios de sobrevivência.

Pescador navega e pesca pra viver, eu pinto e escrevo pra viver.

Belo Horizonte, 19 novembro 2010

CHÃO DA TERRA

O chão da terra

É estranho

Alto baixo

Expressivo depressivo.

Seu macio aqui

Faz-se rijo ali

Cavando retas

Abrindo curvas.

De sua cor mutante

Conta tempo mudo

Engolindo sementes.

Da chuva busca forma

Desenho intrigante

Que muda rumo da gente.

Belo Horizonte, 08 dezembro 2004

9 comentários:

Daniel Savio disse...

Misturou o mar e a terra, que em si, são elementos opostos...

Bom post menino.

Fique com Deus, menino Cadinho.
Um abraço.

Afrodite disse...

Essa sua saudade do mar ,dói em mim...
Bom fim de semana,amigo!
Beijo!

Camila Monteiro disse...

É horrivel querer estar em outro lugar!!!!
Adorei o post demais!!!
Bjs

Sonhadora disse...

Meu amigo

Esta frase diz todo o sentir do poema e do texto.

Quando ficamos longe de onde queremos estar, até respirar se transforma em gesto estranho

É mesmo isso.

deixo um beijinho
Sonhadora

Mulher na Polícia disse...

As curvas mudam o rumo das pessoas muitas vezes, mesmo.
: )

Beijo, cadinho!

Vanuza Pantaleão disse...

Viver longe do mar é estranho e a estranheza se propaga na terra...

Gosto dessas antíteses!

Seus bonés têm cores vibrantes...

Abraços, Cadinho!

Ana Miranda disse...

Seus bonés estão lindos!!!
E suas poesias, sempre, sempre belas!!!

Ira Buscacio disse...

Entendo na pele essa saudade de mar, de sal, de cheiro de marisia.
Sempre assim, ninguém sabe dos caminhos que teremos pra andar e onde chegar.
Lindíssimos, os bonés!

Bão e bom fds

Eduarda disse...

O mar tem aquele quê que nos elabora os sentidos.

Longe, parecemos grãos de nada.

Estar longe do que amamos será sempre doloroso, mas amei cada palavra.

bj