SAUDADE DA MULHER DO BOI
Esta mulher...
SAUDADE DA MULHER DO BOI
Saudade da mulher do boi porque ela está lá em Campos dos Goytacazes e eu não, não, não.
Saudade da conversa que não tivemos, muito o que dizer ouvir, ouvir dizer, dizer ouvir.
A mulher do boi parece ansiosa e eu também, também, também. Nem sei se ela tem alguém, alguém, alguém.
Boi na linha da mulher do boi, da linha de trem que não vem mais, da mulher ela que sempre vem pelos trilhos da saudade, saudade, saudade da mulher do boi neste meu coração João da Barra.
Belo Horizonte, 30 abril 2010
VIAJANTE DE PASSAGEM
Creio que nunca esquecerei daquela enorme mesa decorada com tamanha variedade de queijos, todos produzidos naquela região. Eu estava no Serro, um dos graciosos berços das Minas Gerais.
Era uma casa antiga, com móveis antigos, com uma quietude antiga, com um cuidado antigo e descansado naquele banco, pesado por século de existência. Pães de queijo e um café com sabor histórico. Tudo de um tempo contado por vasos a exalarem a juventude de flores tingidas por amores passados e restaurados por pétalas de esperança.
Os queijos, deliciosos. A casa, maravilhosa. O Serro, apaixonante.
Eu estava ali, viajante de passagem. Chegava de rápida ida a Sabinópolis, que agora surge alegre em minha lembrança. As flores daqueles vasos parecem acenar pra mim. Mas não estou no Serro.
Estarei em Sabinópolis?
Belo Horizonte, 27 fevereiro 2001
