Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

sexta-feira, 30 de abril de 2010

SAUDADE DA MULHER DO BOI

Esta mulher...

SAUDADE DA MULHER DO BOI

Saudade da mulher do boi porque ela está lá em Campos dos Goytacazes e eu não, não, não.

Saudade da conversa que não tivemos, muito o que dizer ouvir, ouvir dizer, dizer ouvir.

A mulher do boi parece ansiosa e eu também, também, também. Nem sei se ela tem alguém, alguém, alguém.

Boi na linha da mulher do boi, da linha de trem que não vem mais, da mulher ela que sempre vem pelos trilhos da saudade, saudade, saudade da mulher do boi neste meu coração João da Barra.

Belo Horizonte, 30 abril 2010

VIAJANTE DE PASSAGEM

Creio que nunca esquecerei daquela enorme mesa decorada com tamanha variedade de queijos, todos produzidos naquela região. Eu estava no Serro, um dos graciosos berços das Minas Gerais.

Era uma casa antiga, com móveis antigos, com uma quietude antiga, com um cuidado antigo e descansado naquele banco, pesado por século de existência. Pães de queijo e um café com sabor histórico. Tudo de um tempo contado por vasos a exalarem a juventude de flores tingidas por amores passados e restaurados por pétalas de esperança.

Os queijos, deliciosos. A casa, maravilhosa. O Serro, apaixonante.

Eu estava ali, viajante de passagem. Chegava de rápida ida a Sabinópolis, que agora surge alegre em minha lembrança. As flores daqueles vasos parecem acenar pra mim. Mas não estou no Serro.

Estarei em Sabinópolis?

Belo Horizonte, 27 fevereiro 2001

quinta-feira, 29 de abril de 2010

SILENCIOSO

Por um instante eis que pronunciado sou pelo amor

SILENCIOSO

Quando em tudo

O amor se pronuncia

Eis que mudo

Sigo pela via

Distante e sombria

Que lá do fundo

Deste mundo

Transmite a fria

Insinuação de gesto

Alheio ao manifesto

Deste palpitar solitário

Que atravessa o rio

Vida que de resto

Viaja em silencio sombrio.

Belo Horizonte, 29 abril 2010

MISÉRIA LETAL

Será feitiço? Fantasmas da “ditadura financeira”. Deve ser isso. Ou então, interferências inoportunas a confundirem oportunidades. Já que tudo passa, resta esperar a tal passagem.

Reagir. Mas, das reações outras aparições. Melhor dizendo, nada aparente. Tudo na sutileza de estranho procedimento.

A necessidade do patrocínio agindo como questão de sobrevivência. Para ser ainda mais preciso, a vida carece de estímulos básicos a exigirem recursos. Sem o patrocínio, a miséria letal.

Belo Horizonte, 16 fevereiro 2001

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PODER PERIGOSO

Quando a mentira impera...

PODER PERIGOSO

Não é possível para o mentiroso ser coerente com seu discurso. Sempre surge algo a contradizer, sempre surge algo a deformar o antes afirmado.

Não é próprio do mentiroso recuar, reconhecer ou reparar os danos causados por seu proceder marcado pela inconsequência. Muito antes pelo contrário. O mentiroso ao se dar conta de não ter como avançar naquela mentira, trata de criar outra na intenção de dispersar a primeira. Assim é que para o mentiroso a ilusão é alimento imprescindível para sua sobrevivência.

Triste é o agir de quem aplaude, apoia e estimula o mentiroso, por dar a ele motivo para que a mentira passe a ser a razão de ser de um poder tão fictício quanto perigoso.

Belo Horizonte, 28 abril 2010

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Na praia, o consultório sentimental. Ela aparece desolada.

_ Já pensei em tudo e não consigo entender. Estou indo contra todos meus princípios e convicções. Ele é carinhoso, companheiro, amigo e dedicado. Um amigo, não passa de um amigo dez e poucos anos mais novo que eu. Uma criança linda e alegre que não pode passar de um amigo. Já pensei muito e não tenho como aceitar nenhum outro envolvimento. Mas sei estar evitando o que penso que poderá ser o inevitável. Por isso mesmo é que não tenho pensado em outra coisa. O que fazer?

Um amigo que não passa de um amigo, no mais das vezes é um amigo e pronto. O que não parece ser o caso. Uma vez entregue ao agir do pensar, você passa a confundir tudo. Não será melhor pensar em agir? Ao invés da diferença das idades, não será melhor encarar a semelhança das afinidades? Depois, é só afinar o desejo e viver a música do amor.

Belo Horizonte, 10 fevereiro 2001

terça-feira, 27 de abril de 2010

SIMPLES CONSTATAÇÃO

Contra os fatos, no mais das vezes, não há o que contestar

SIMPLES CONSTATAÇÃO

Por mais que queira, por mais que insista este ou aquele instituto de pesquisa em mostrar empate técnico entre as candidaturas Serra e Dilma para a presidência do nosso Brasil, eis que surgem pesquisas outras a darem reparo ao que de fato acontece.

Na realidade, em todas as pesquisas o candidato Serra aparece em primeiro lugar e com sinais, ainda que discretos, de gradativo crescimento. O que revela haver na experiência, relato mais firme e seguro, capaz de fazer por merecer mais confiança das pessoas. A candidatura com trajetória comprovada de passagem por mandatos concedidos pelo voto tem mais consistência do que aqueles nascidos por indicações políticas ou partidárias. Esta é uma característica clara que nos remete à simples constatação de que por aí surge enorme distinção entre as candidaturas expostas às eleições de 2010.

Belo Horizonte, 27 abril 2010

QUERENDO SER

Não conheço ninguém que não conheça alguém que só faz contar vantagens, aumentar suas hipotéticas posses, dizer do que não tem, apresentar o que não é. Tudo ilusão. Mas não será a realidade também uma ilusão?

Pois digo estar diante daquilo que estampa minha mais solene falência. Do não reconhecimento financeiro, pago sem receber. Não nasci para dar prejuízo a ninguém. Daí, a necessidade do patrocínio, da remuneração, do ganho resultado do meu trabalho, do reconhecimento. Não pago o que devo com conversa ou promessa. Não faço o que faço sem depender do que faz a vida viver. Sou só alguém querendo ser alguém, sem contar o que não tenho para contar.

Belo Horizonte, 04 fevereiro 2001

segunda-feira, 26 de abril de 2010

AMARELINHO DA CRISTINA

Quem sabe, sabe.

AMARELINHO DA CRISTINA

Em Grussaí, do outro lado da lagoa, o Amarelinho. O quiosque que também tanto pode ser bar quanto restaurante, está na orla, na direção da Igreja Nossa Senhora Aparecida. Se o lugar já encanta pela beleza e grandeza do mar aberto, eis que surge a Cristina com seu vigor, disposição, experiência e carinho capaz de incrementar em muito o encanto do lugar.

Aliás, nenhum exagero em apontar para a Cristina como a grande responsável por todo clima do Amarelinho que se já está pra lá de bom, caminha a passos largos para o ótimo, com notória competência.

Belo Horizonte, 26 abril 2010

SUELIGOR

Manteiga e pão. Sueligor

Um casal tão próximo quanto distante pode estar a manteiga do pão. Dois amigos. Das possibilidades, o início de outra receita. Sueligor no universo da culinária.

Manteiga e pão transformados pela estética do banquete. Sueligor na cozinha de tantas façanhas aliadas à água e ao fogo.

Toalhas e talheres. Taças e vinhos. No calor da festa, cozinha e salão. Em algum lugar, Sueligor.

Belo Horizonte, 26 janeiro 2001